XIII Assembleia da ACSSA Brasil fortalece compromisso com a memória e o patrimônio salesiano
08/09/2026

XIII Assembleia da ACSSA Brasil fortalece compromisso com a memória e o patrimônio salesiano

XIII Assembleia da ACSSA Brasil fortalece compromisso com a memória e o patrimônio salesiano

Encontro realizado em Brasília marca os 30 anos da ACSSA e reúne representantes das Inspetorias para avaliar projetos, compartilhar experiências e projetar novos caminhos para a preservação da história salesiana

A história de uma instituição não está apenas nos documentos que ela guarda. Está nas pessoas, nos lugares, nas experiências, nas comunidades e nas escolhas que, ao longo do tempo, ajudaram a construir sua identidade. É com essa perspectiva que a XIII Assembleia da Associazione Cultori Storia Salesiana (ACSSA), Seção Brasil, reuniu representantes das Inspetorias dos Salesianos de Dom Bosco e das Filhas de Maria Auxiliadora, de 2 a 4 de setembro, na sede da Rede Salesiana Brasil (RSB), em Brasília (DF).

O encontro aconteceu em um ano especialmente significativo: a ACSSA celebra 30 anos de sua fundação, reafirmando o compromisso de cuidar, conservar, pesquisar e comunicar o Patrimônio Histórico Cultural Educativo Salesiano. No Brasil, a associação atua integrada à RSB e conta com o apoio dos inspetores e das inspetoras, que delegam a uma equipe nacional o planejamento, a implementação e o acompanhamento de projetos relacionados à pesquisa histórica e à salvaguarda do patrimônio salesiano.

A Seção Brasil tem como coordenadores a Ir. Maria Imaculada da Silva, da Inspetoria Madre Mazzarello (BMM), pelas Filhas de Maria Auxiliadora, e o Pe. Tiago Figueiró, da Inspetoria Santo Afonso Maria de Ligório (BCG), pelos Salesianos de Dom Bosco.

Mais do que uma reunião de avaliação, a Assembleia foi um espaço para reconhecer avanços, compartilhar experiências desenvolvidas nas Inspetorias e pensar como a memória salesiana pode continuar contribuindo para a missão no presente e no futuro.

Uma cultura de cuidado com a história

Ao longo dos últimos anos, a ACSSA Brasil vem desenvolvendo uma trajetória formativa que envolve diferentes segmentos das Inspetorias e busca fazer surgir uma verdadeira cultura de cuidado com a história e com sua elaboração por meio da pesquisa.

Entre as iniciativas apresentadas esteve a formação Educação Patrimonial e Transformação Digital, iniciada em 2025. O primeiro módulo foi concluído com a produção de um e-book, enquanto o segundo módulo está em andamento e tem previsão de conclusão em novembro de 2026.

A Assembleia também apresentou o mapeamento dos Lugares de Memória Salesiana no Brasil, iniciativa que busca identificar e valorizar museus, memoriais, centros de documentação, arquivos e outros espaços que preservam a trajetória da presença salesiana no país.

Outra experiência compartilhada foi a abertura do Memorial FMA da Escola Nossa Senhora Auxiliadora (ENSA), de Ponte Nova (MG). O projeto faz parte de uma iniciativa piloto que pretende oferecer orientações para que cada presença salesiana no Brasil possa desenvolver ações de gestão e cuidado do patrimônio histórico em suas próprias realidades e nas sedes inspetoriais.

Para a Ir. Maria Imaculada da Silva, coordenadora da ACSSA Seção Brasil, essas iniciativas fazem parte de um processo que vem criando novas possibilidades para o cuidado com a memória salesiana:

“A ACSSA Brasil vem construindo uma trajetória formativa que abrange os diversos segmentos das Inspetorias, possibilitando, aos poucos, o surgimento de uma cultura de cuidado com a história e sua elaboração escrita por meio da pesquisa. Os projetos desenvolvidos, como a formação em Educação Patrimonial e Transformação Digital, o mapeamento dos Lugares de Memória Salesiana no Brasil e a abertura do Memorial FMA, mostram que estamos avançando na construção de caminhos para que o patrimônio histórico seja cada vez mais conhecido, cuidado e valorizado.”

Memória que reconhece pessoas, culturas e territórios

A programação também destacou iniciativas que mostram como o patrimônio histórico salesiano está diretamente relacionado às pessoas e aos territórios onde a missão foi construída.

Um dos exemplos foi o Memorial Missão Salesiana, da Inspetoria Santo Afonso Maria de Ligório, em Mato Grosso, acompanhado de um documentário sobre Pe. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo.

Também foi apresentada a publicação especial “Meruri! Vida, Território, Cultura Boe-Bororo”, realizada por ocasião dos 50 anos da morte de Pe. Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo. A obra reúne a Missão Salesiana de Mato Grosso e o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (IHGMT) e contribui para preservar não apenas a memória da presença missionária, mas também elementos da vida, do território e da cultura do povo Boe-Bororo.

Essas experiências ajudam a ampliar a compreensão sobre o próprio conceito de patrimônio. Preservar a memória salesiana significa também reconhecer as relações construídas ao longo da história e valorizar os diferentes sujeitos que participaram da missão.

A história precisa chegar às novas gerações

Um dos desafios apontados durante a Assembleia foi justamente fazer com que o interesse pela história não fique restrito aos espaços especializados. Para o Pe. Tiago Figueiró, coordenador da ACSSA Seção Brasil, os 30 anos da associação são também uma oportunidade de envolver toda a Família Salesiana nesse movimento.

“A ACSSA celebra 30 anos de sua fundação. Tempo de agradecer a caminhada feita e de envolver toda a Família Salesiana no dinamismo promovido pela ACSSA para o cuidado, conservação, pesquisa e comunicação do Patrimônio Histórico Cultural Educativo Salesiano.”

Entre as prioridades, ele destaca a necessidade de despertar o gosto pela história, tornar a ACSSA conhecida pelas novas gerações de salesianos e salesianas e inseri-la como uma instância da RSB em diálogo com suas diferentes áreas de atuação, incluindo as dimensões social, escolar, universitária e paroquial, além da relação com os povos originários.

O coordenador também chama atenção para a importância das pessoas envolvidas nesse trabalho. Segundo ele, a qualidade da missão promovida pela ACSSA depende do investimento na formação dos recursos humanos, no cuidado com o patrimônio e do envolvimento coletivo com a vivência do Sistema Educativo de Dom Bosco, entendido como um legado construído com e para as novas gerações.

Secretarias inspetoriais também entram nessa construção

A Assembleia contou ainda com uma participação mais expressiva dos secretários e secretárias inspetoriais, ampliando o diálogo entre as estruturas responsáveis pela documentação institucional e a ACSSA.

A aproximação abre novas possibilidades de colaboração e fortalece o cuidado com os acervos locais e inspetoriais. Nesse sentido, a produção de subsídios digitais de divulgação e orientações para o cuidado do patrimônio salesiano foi apresentada como uma das novidades, com potencial para ampliar o conhecimento sobre a ACSSA e oferecer caminhos práticos para a gestão dos acervos.

A presença da ACSSA nos itinerários formativos de FMA e SDB também representa um novo passo para aproximar a história das novas gerações e despertar nelas o interesse pelo patrimônio e pela trajetória salesiana.

Uma memória que também precisa ser comunicada

A relação entre memória e comunicação ganhou espaço próprio durante a Assembleia. Os participantes conheceram a estrutura do escritório da RSB e dialogaram sobre a presença da ACSSA nos canais institucionais da Rede.

A associação passará a contar com espaços no Portal da RSB, na Biblioteca, no CSF e na área de notícias, incluindo uma nova página dedicada à ACSSA.

A iniciativa representa um passo importante: aquilo que é pesquisado e preservado precisa também ser compartilhado. Ao chegar aos canais digitais da Rede, a memória pode alcançar educadores, estudantes, salesianos, salesianas, pesquisadores e diferentes públicos interessados na história da presença salesiana no Brasil.

Preparando o futuro da pesquisa salesiana

O olhar para o futuro esteve presente também na preparação do XVIII Congresso Internacional da ACSSA, que será realizado em Brasília, em junho de 2027, com o tema “As missões Salesianas no Mundo”.

O congresso dará continuidade às pesquisas sobre a atuação missionária salesiana nos cinco continentes e abrirá espaço para o debate sobre os desafios e as perspectivas da missão salesiana no presente e no futuro.

A Assembleia também avançou na elaboração do Plano Anual de Trabalho para 2027, articulando projetos em andamento e novas propostas.

Memória como legado para o presente

Ao completar três décadas, a ACSSA Brasil olha para sua trajetória, mas também para aquilo que ainda precisa ser construído. A Assembleia mostrou que preservar a história salesiana é um trabalho coletivo, que envolve pesquisa, formação, documentação, comunicação e, sobretudo, o compromisso das pessoas que reconhecem o valor desse patrimônio.

As reflexões apresentadas durante o encontro apontam para a necessidade de fortalecer a ACSSA junto às novas gerações, ampliar sua integração com as diferentes áreas da RSB e garantir que o patrimônio histórico continue sendo cuidado e valorizado.

Ao final da publicação da Assembleia, uma síntese expressa essa perspectiva: “Dom Bosco e Madre Mazzarello conduzem os caminhos para que a história salesiana registrada, preservada e dinamizada seja sempre um legado iluminador do presente e sustentáculo da esperança para os jovens e para toda a humanidade.”

Assim, os 30 anos da ACSSA não são apenas uma celebração do caminho percorrido. São também uma oportunidade de reafirmar que preservar a memória é cuidar da identidade e preparar o futuro da missão. Ao pesquisar, organizar, preservar e comunicar sua história, a Família Salesiana mantém vivo um patrimônio que continua oferecendo referências para compreender o presente e inspirar novos caminhos para os jovens e para toda a sociedade.

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