A presença da Igreja assusta aqueles que querem destruir a Amazônia
13/11/2025

A presença da Igreja assusta aqueles que querem destruir a Amazônia

A presença da Igreja assusta aqueles que querem destruir a Amazônia

“As comunidades indígenas nos acolhem, felizes pela nossa presença, pedindo-nos para não ir embora. A presença da Igreja é profética: vai além da religião. Protege a vida e aquilo que nos rodeia." As palavras são do padre Wellington Abreu, jovem missionário salesiano, sobre a ação pastoral na Amazônia

A presença da Igreja nas florestas da Amazônia assusta, não as comunidades indígenas, mas a quem quer invadir e desfrutar esse território para obter os minerais e distruir a natureza. Nós somos uma barreira”. As palavras de padre Wellington Abreu foram repercutidas na mídia vaticana justamente enquanto os líderes do mundo estão no Brasil para participar da COP30 em Belém, cidade que é porta de entrada para a região amazônica. Elas nos recordam como o compromisso diário e corajoso para o destino do mundo se lança também, e sobretudo, longe dos holofotes: na concretude dos gestos. 

O compromisso dos salesianos na Amazônia 

Padre Wellington é um jovem sacerdote salesiano, pároco da paróquia de São Miguel Arcanjo, em Iauaretê, na diocese de São Gabriel da Cachoeira, cidade do Estado do Amazonas. Iauaratê significa “Cabeça de Jaguar”. É um cruzamento de trezes etnias e cinco línguas onde o rio é vida, a floresta é casa e certas árvores são sagradas. 

Basta pensar a “Cabeça da Onça”, uma aldeia localizada ao longo do rio Papurí, habitado pelos Hupda, uma população indígena que vive da caça, da pesca e do cultivo da mandioca, privada de acesso à internet.

No ano passado, a presença constante dos salesianos levou a um resultado extraordinário: 47 indígenas, 90% da comunidade Hupda, foram batizados depois de um ano intenso de catecismo.

No entanto, a região Norte da Amazônia permanece um ponto vulnerável: onde existe fronteira, chegam os traficantes de drogas; onde há os minerais, os invasores. E aqui, a lei não basta. O sinal telefônico não existe, o Estado está longe. Quem fica ao lado dessas pessoas? 

Proteger a vida e aquilo que a cerca 

“Nós, graças a Deus, conseguimos estar lá e preservar a natureza, mas as coisas não vão muito bem na região vizinha, Roraima, onde, dois anos atrás, a chegada dos garimpeiros destruiu o rio, matou muitos animais e fez a população adoecer gravemente. Acredito que a nossa presença assusta esses grupos que querem invadir o ambiente. E entendemos isso quando as comunidades indígenas nos acolhem, felizes, pela nossa presença, pedindo-nos para não irmos embora. Diria que a presença da Igreja, que é profética, vai além da religião: Protege a vida e aquilo que nos rodeia. É uma ideia concreta de ecologia integral”, considera padre Wellington. 

Distâncias e narcotráfico: os principais problemas 

Ideia que não é facil de aplicar, no entanto. Na Amazônia, tem, antes de tudo, o problema das distâncias. “A nossa província é a de Manaus e de Manaus a São Gabriel da Cachoeira são quase duas horas de avião ou quatro dias de barco. Depois, de São Gabriel para minha aldeia são necessárias 12 horas de embarcação com um motor de 40 cavalos para, no máximo, oito pessoas. Outro problema: o custo do combustível é altissimo. Às vezes temos que caminhar quatro ou seis horas”, relata o sacerdote. 

Depois, tem que considerar o narcotráfico. “Nós estamos em uma área fronteiriça e no ano passado tivemos problemas com os traficantes que vieram da Colômbia: queriam invadir o nosso espaço para recuperar terra. Com a ajuda dos militares, a situação agora está tranquila, mas o tráfico de drogas passa pela fronteira e chega em outras cidades do Brasil, terminando por envolver também a comunidade indígena e, sobretudo, lamento dizer isso, os mais jovens. Para eles, trata-se de dinheiro fácil”, pontua padre Wellington. 

A esperança nos jovens

Porém, conclui Wellington, “isso torna a nossa presença ainda mais importante: com as nossas seis escolas, queremos ajudar os mais de 300 jovens que estão conosco e ajudar os habitantes da Amazônia a terem consciência da vida, da sua beleza. Estar presentes: não só na relação com Deus, mas em fazer descobrir a alegria da vida”. 

 

 

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Congresso sobre o Epistolário de Dom Bosco

No dia 12 de fevereiro de 2026, às 15h, na Casa Geral do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, em Roma, será realizada uma conferência por ocasião da conclusão da edição crítica sobre a correspondência de Dom Bosco, promovida pelo Instituto e pelo Centro de Estudos sobre as FMA da Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação «Auxilium». "Epistolário de Dom Bosco e envolvimento feminino na missão educativa" é o tema do Congresso, que será aberto com a saudação da Madre Chiara Cazzuola, Superiora Geral do Instituto FMA, e de Dom Silvio Roggia, Conselheiro Geral para a Formação da Congregação Salesiana. Em seguida, haverá as intervenções dos palestrantes, moderadas pela Irmã Maria Luisa Nicastro, Secretária-geral do Instituto FMA: A influência da Virgem Maria no educador Dom Bosco – Profª. Piera Silvia Ruffinatto, FMA Dom Bosco e as Cooperadoras leigas – Profª. Eloisa De Felice, SSCC As Filhas de Maria Auxiliadora no Epistolário de Dom Bosco – Profª. Grazia Loparco, FMA Cartas de Dom Bosco a várias religiosas – Profª. Eliane Petri, FMA Intervenção do curador – Dr. Francesco Motto, SDB Na monumental correspondência de Dom Bosco, os destinatários são mais de mil, de todas as idades, origens e funções. As cartas revelam a intensa experiência do brilhante organizador, que se reconhece investido da tarefa de preparar meninos e meninas para a vida adulta, através da educação, sob a orientação de Maria, e para poder concretizá-la em grande escala, envolve muitas pessoas na mesma empreitada. Como ele bem sabe desde o início, os Salesianos não são suficientes para tal compromisso. Diante de uma situação sociorreligiosa que evolui com a gradual secularização, ele sente a urgência de defender os valores cristãos inalienáveis e, ao mesmo tempo, com realismo, criar as condições para formar pessoas à altura dos tempos. Se os governos estão se distanciando da Igreja, é necessário encontrar novos aliados na própria sociedade. São necessários religiosos, religiosas, leigos e leigas prontos a colaborar, cada um de acordo com a sua vocação e as suas possibilidades, com uma fé ativa, alma das práticas devocionais. Assim, num amplo horizonte de apostolado, ao longo do tempo multiplicam-se os colaboradores da obra salesiana: cooperadores e cooperadoras, representantes de instituições eclesiásticas e civis, amigos, benfeitores chamados a ajudar e cooperar na grande empreitada e, ao mesmo tempo, muito presentes nos pensamentos e nas orações de Dom Bosco. A experiência ensina-lhe que também as mulheres podem contribuir eficazmente para a obra da salvação, não mais apenas com a oração e a caridade, mas no apostolado irradiado e integrado nas famílias e na sociedade. E assim, mesmo sendo um homem e sacerdote do seu tempo, ele é influenciado por uma mentalidade tradicional, mas alia-se a muitas mulheres para uma caridade com um rosto moderno, promocional, voltada para salvar o presente e o futuro de muitos jovens. Dom Bosco tem, acima de tudo, uma ideia moderna da vida religiosa feminina, voltada para o objetivo urgente de educar as meninas das classes populares, com um estilo simples e familiar. Como fundador do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), que ele quis agregar à Congregação Salesiana como parte integrante do projeto educativo, pode-se supor que as cartas a elas enviadas foram mais numerosas do que as poucas que restaram, embora se admita que a comunicação devia ocorrer mais pessoalmente e por meio dos diretores por ele designados. De 4.682 cartas, na verdade, apenas uma porcentagem mínima é reservada às FMA. Em contrapartida, são mais numerosas as referências a elas quando escreve a interlocutores que pretende envolver na obra educativa, confirmando a sua ideia de que se tratava de uma única Congregação com dois ramos. Prestando atenção à componente feminina, a partir da inspiração mariana de toda a obra salesiana, questiona-se como a Virgem está presente na correspondência. Limitando então o estudo às interlocutoras da obra salesiana, que espaço reservou às mulheres, religiosas e Cooperadoras? Como Dom Bosco se comunicava com e sobre as FMA? Onde estava a novidade, em relação ao florescimento das congregações femininas contemporâneas? Em relação aos preconceitos comuns, como se mostrou disponível em ir além e até que ponto, tendo em vista o objetivo prioritário a alcançar? Estas são algumas das questões que irão alimentar o debate ao longo da conferência. Convite Cartaz Transmissão ao vivo Fonte: Instituto Filhas de Maria Auxiliadora 

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