Encontro da Equipe de Comunicação Social das Américas (ECOSAM) 2023
25/04/2023

Encontro da Equipe de Comunicação Social das Américas (ECOSAM) 2023

Encontro da Equipe de Comunicação Social das Américas (ECOSAM) 2023

De 17 a 21 de abril de 2023, foi realizada, em Montevidéu, no Centro de Espiritualidade Santa Rafaela María, o Encontro da Equipe de Comunicação Social das Américas (ECOSAM), presencialmente após uma pausa devido à pandemia. O evento envolveu as Conferências Interinspetoriais do Continente Americano, convocando as Presidentes Inspetoriais das Conferências, as cinco Coordenadoras de Comunicação Social e a Conselheira Geral do Setor do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), Ir. Maria Ausilia De Siena. Também estiveram presentes a Inspetora, Ir. Angeles Grassi, e a Coordenadora, Ir. Maria Baffundo, da Inspetoria Imaculada Conceição (URU) anfitriã, que deram as boas-vindas às participantes nas terras da primeira expedição missionária das FMA, em 1877.

O objetivo principal do evento foi a revisão e adaptação do Planejamento Estratégico da ECOSAM, bem como a nomeação da nova Coordenadora e da nova Equipe de Coordenação para o triénio 2023-2025.

O início dos trabalhos foi pontuado diariamente por um momento de oração cuidadosamente preparado. Particularmente interessantes foram as intervenções de Alexandre Le Voci Sayad sobre o tema “O Desafio Global - Educação e Comunicação para o Mundo Contemporâneo" e pelo professor e pesquisador da Universidade Andina Simón Bolívar (UASB), Erick R. Torrico Villanueva, que explorou o tema "Comunicação (re)humanizante: Uma rota descolonial", que também é o título do seu livro publicado em 2022. Professor Erick relembrou a história que marcou a América Latina, destacando a necessidade de resgatar o sentido humanizador da comunicação. A Coordenadora cessante do ECOSAM, Ir. Márcia Kofferman, também apresentou sua recente tese de doutorado em Comunicação intitulada: “EduComunicar para a formação integral na Sociedade da Infodemia. Uma análise da Rede Salesiana Brasil de Escolas”.

Confira a entrevista com Alexandre Le Voci Sayad no Podcast ECOSAM clicando aqui.

   

Ir. Maria Ausilia manifestou a alegria de compartilhar o caminho da Equipe, que retoma os encontros em um lugar significativo, testemunho da coragem de seis muito jovens FMA, primeiras missionárias que, diante de uma longa e incômoda caminhada, com uma vida de pobreza e trabalho, conseguiram inculturar o carisma salesiano nesta terra. A Conselheira apresentou as Linhas Orientadoras do Setor e destacou a grande sensibilidade para a comunicação e networking das Irmãs americanas, encorajando-as a apostar mais uma vez na força do todo, com vista a um percurso dinâmico, apoiado na lógica dos pequenos passos. “Trabalhar juntas muitas vezes nos obriga a dar um passo atrás, a perder algo imediatamente. Os resultados são de longo prazo, porque toda grande coisa leva tempo para ser realizada, pressupõe uma visão de longo prazo e sobretudo a consciência de que é o Senhor quem nos guia e nos chama para as grandes coisas. Se olharmos para cima, até os pequenos passos no futuro imediato serão mais simples e reconfortantes”, diz Ir. Maria Ausilia. Durante o Encontro, as Coordenadoras representantes das Conferências também puderam compartilhar experiências relacionadas à Educomunicação e seus processos de enriquecimento mútuo.

   

Na manhã do terceiro dia (19), as participantes do Encontro puderam fazer uma breve visita ao centro histórico da cidade e, sobretudo, a Villa Colón, considerada a "Mornese da América", para um emocionante percurso pelos lugares "santificados" pelas primeiras missionárias salesianas, culminando com a oração diante da imagem milagrosa da Auxiliadora com o Menino sorridente, abençoada por Dom Bosco. O dia foi concluído com a Santa Missa celebrada pelo Inspetor Pe. Afonso Bauer, Salesiano de Dom Bosco (SDB), com a presença também das irmãs da comunidade inspetorial local. Os dias seguintes envolveram os participantes no trabalho de avaliação e revisão do Regulamento da ECOSAM e do Plano Estratégico da Equipe, em consonância com as escolhas do Capítulo Geral XXIV.

Ir. Ausilia, após o encontro com as Inspetoras, anunciou a nova coordenadora do ECOSAM, Ir. Doris Yajaira Jaimes Sanabria, da Inspetoria Nossa Senhora do Rosário de Chiquinquirá (Bogotá – Colômbia) e, com porta voz do sentimento de todas as presentes, agradeceu a dedicação e entusiasmo da Ir. Marcia Koffermann pela coordenação realizada e por todas as Coordenadoras cessantes.

Cada participante expressou grande apreço pela experiência vivida num verdadeiro clima de família, de estudo, de crescimento e de gratidão à Conselheira Geral, Ir. Ausilia De Siena, pelo seu estilo muito próximo e familiar, pela sua escuta atenta e por suas palavras oportunas.

  

Agradecimento à equipe ECOSAM que está de saída:

Coordenadora: Ir. Marcia Kofferman

(Conferência Interinspetorial do Brasil - CIB)

Equipe de Coordenação:

Ir. Susana Diaz - Conferência Interinspetorial do Cone Sul da América Latina (CICSAL)
Ir. Carolina Erazo Alvarado - Conferência Interinspetorial México, Antilhas e América Central (CIMAC)
Ir. Doris Yajaira Jaimes Sanabria - Conferência Interinspetorial das Nações Bolivarianas (CINAB)
Ir. Cynthia Salas - Conferência Interinspetorial da América do Norte e Canadá (NAC)

 

Boa missão para a nova equipe: 

Coordenadora: Ir. Doris Yajaira Jaimes Sanabria

(Conferência Interinspetorial das Nações Bolivarianas - CINAB)

Equipe de Coordenação:

Ir. Maike Loes - Conferência Interinspetorial do Brasil (CIB)
Ir. Susana Billordo - Conferência Interinspetorial do Cone Sul da América Latina (CICSAL)
Ir. Gabriela Trinidad Murguía Aguilar - Conferência Interinspetorial México, Antilhas e América Central (CIMAC)
Ir. Cynthia Salas - Conferência Interinspetorial da América do Norte e Canadá (NAC)

 

Confira o vídeo criado pela ECOSAM que traz uma visão geral dos 5 dias de evento clicando aqui.

Fonte: Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora

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Educação Católica: um jeito sempre novo de orquestrar o futuro

A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. A educação católica chega ao século XXI em uma encruzilhada fecunda. Carrega uma tradição humanista, espiritual e comunitária, mas é interpelada por transformações socioculturais e tecnológicas que alteram o modo como as pessoas aprendem, convivem, creem e projetam o futuro. O desafio não é conservar o passado como peça de museu, nem aderir ao novo como novidade da vitrine. É traduzir a identidade católica em linguagem contemporânea, sem diluir sua missão. A escola católica não se reduz ao ensino religioso, à catequese ou à presença de símbolos confessionais. Sua identidade nasce de uma concepção integral da pessoa, na qual inteligência, afetividade, espiritualidade, liberdade, responsabilidade social e abertura ao transcendente são dimensões inseparáveis. Sua relevância pública se expressa na excelência acadêmica, mas não se esgota nela. Educar é formar sujeitos capazes de habitar o mundo com lucidez, dignidade e compromisso com o bem comum. O Pacto Educativo Global reforça essa perspectiva ao convocar instituições, famílias, governos e sociedade civil a reconstruírem alianças em favor da dignidade humana, da fraternidade, da justiça social e da ecologia integral. Para a educação católica, esse chamado confirma que a missão educativa não pode ser autorreferente: precisa dialogar com a diversidade e unir fé, cultura, vida e responsabilidade social. Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC Transformações socioculturais A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. No Brasil, atravessou disputas entre Igreja e Estado, expansão das congregações docentes e reorganização diante da modernidade. O século XXI exige reinterpretação dessa herança. A escola católica atua em uma sociedade plural, secularizada, desigual e marcada por novas subjetividades juvenis, diferentes arranjos familiares, sofrimento psíquico, fragilidade dos vínculos comunitários e fragmentação das referências de autoridade. A pergunta decisiva é como manter a identidade católica sem tornar-se defensiva, incapaz de dialogar ou presa a uma linguagem que já não alcança as novas gerações. A resposta passa por compreender a identidade católica como fonte de abertura e discernimento. Consciente de si, a escola católica pode dialogar com quem pensa, crê e vive de modo diferente, sem medo da diferença e sem renunciar à missão. A tradição não é obstáculo ao crescimento; é raiz que sustenta a abertura. Por isso, a cultura do encontro e a humanização do processo educativo tornam-se eixos de uma presença católica profética. As transformações socioculturais deslocam a escola católica de uma lógica institucional para uma lógica de impacto humano. A pessoa concreta deve estar no centro: crianças, adolescentes, jovens, famílias, professores, gestores e comunidades vulneráveis. O estudante não é apenas usuário, cliente, capital humano ou futuro profissional. É sujeito de dignidade, história, consciência, fragilidade e transcendência. Essa antropologia exige convivência, saúde emocional, proteção, escuta, justiça social e solidariedade. Transformações tecnológicas As transformações tecnológicas representam um dos maiores desafios contemporâneos para a educação católica. Plataformas digitais, ambientes virtuais, inteligência artificial, análise de dados e personalização da aprendizagem redefinem o cotidiano escolar. A tecnologia entrou na sala de aula, sentou-se na primeira fileira e ainda pediu a senha do Wi-Fi. O problema não é apenas incorporar recursos digitais, mas definir com que finalidade humana, pedagógica e ética serão usados. A inteligência artificial generativa impacta profundamente o trabalho docente. Ao apoiar textos, imagens, avaliações, pesquisas, planos de aula, sínteses, traduções e feedbacks, amplia a capacidade produtiva humana. Porém, se não for orientada por critérios formativos, pode fragilizar autoria, juízo crítico, presença, responsabilidade e relação pedagógica. Por isso, a IA não pode ser tratada apenas como ferramenta técnica, mas como questão antropológica, ética e formativa. A pergunta central é exigente: como tecnologias digitais impactam a humanidade do processo educativo? A IA pode favorecer acessibilidade, criatividade, personalização e apoio à aprendizagem. Também pode estimular dependência cognitiva, superficialidade, terceirização da autoria, vieses e enfraquecimento dos vínculos educativos. Para os docentes não basta apenas treinamentos pontuais; é necessário instituir políticas permanentes de desenvolvimento profissional que integrem competência técnica, reflexão didática, ética digital e coerência profissional. Tradição e inovação não são polos inimigos. A tradição oferece critérios, memória e identidade; a inovação oferece linguagem, recursos e possibilidades de presença. Quando bem articuladas, permitem que a educação católica permaneça relevante em um mundo que muda rapidamente, mas continua carente de sentido, justiça, esperança e humanidade. A saída para a fecunda encruzilhada não está em escolher um dos caminhos, mas em discernir, planejar, avaliar, formar pessoas e sustentar a coerência institucional. O jeito Católico de educar já nasce inovador; a liderança católica precisa ler os sinais dos tempos e unir alma e método, transformando a tradição em resposta viva aos desafios do presente. É como fazer parte de uma importante orquestra. A educação católica reúne famílias, educadores, estudantes, gestores, tecnologias, currículos e projetos pedagógicos. O papel da liderança é atuar como regência: não para silenciar diferenças, mas para harmonizá-las em torno de uma mesma composição educativa. Seu melhor concerto será soar a sinfonia formando pessoas com consciência crítica, sensibilidade espiritual e compromisso com a dignidade humana e, por isso, livres. Fonte: Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC. Vatican News

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