FMAs da Equipe de Comunicação Social das Américas se reúne em Assunção (Paraguai), avalia trajetória, projeta o próximo triênio e tem nova coordenação
05/09/2025

FMAs da Equipe de Comunicação Social das Américas se reúne em Assunção (Paraguai), avalia trajetória, projeta o próximo triênio e tem nova coordenação

FMAs da Equipe de Comunicação Social das Américas se reúne em Assunção (Paraguai), avalia trajetória, projeta o próximo triênio e tem nova coordenação

A Equipe de Comunicação Social das Américas (ECOSAM) reuniu-se presencialmente de 31 de agosto a 4 de setembro na cidade de San Lorenzo (Paraguai), na Casa Mornese – casa de encontros e retiros das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) da Inspetoria São Rafael Arcanjo (PAR).

Participaram do encontro a Conselheira Geral para a Comunicação do Instituto FMA, Irmã Maria Ausilia De Siena; as Presidentes de Conferência Irmã Alaíde Deretti (CIB) e Irmã Ángeles Grassi (CICSAL), representando os países Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai; as Coordenadoras de Comunicação das Conferências Interinspetoriais das Américas (CIB, CICSAL, CINAB, CIMAC, NAC); e duas coordenadoras inspetoriais da CICSAL.

O principal objetivo do encontro foi avaliar o percurso do triênio 2023-2025, reconhecendo conquistas, aprendizados e desafios dos processos comunicativos, bem como elaborar o Planejamento Estratégico para 2026-2028, projetando com esperança e senso de pertencimento as ações educomunicativas em comunhão com o Instituto FMA.

Durante o encontro, as Presidentes de Conferência, que participaram unidas em modo virtual com as demais que não puderam viajar ao Paraguai, também realizaram a nomeação da nova Coordenadora de ECOSAM, que estará à frente da equipe de coordenação pelos próximos três anos.

 

O valor de formar rede são as relações

O encontro, iniciado com o almoço no dia 31 de agosto, teve na celebração de abertura um momento importante de integração entre as participantes, conduzido por Irmã Doris Jaimes, atual coordenadora de ECOSAM, juntamente com as palavras de acolhida da Conselheira Geral. Esta última destacou a importância de pensar e trabalhar em rede, enfatizando que «o valor de formar rede são as relações, a força da comunhão entre nós».

Irmã Maria Ausilia apresentou uma reflexão inicial, trazendo citações do Pe. Pascual Chávez, Reitor-Mor emérito dos Salesianos de Dom Bosco, e de Bernardo Toro, da Fundação AVINA, da Colômbia, que remeteram ao Seminário Interâmbitos realizado pelo Instituto das FMA em 2024. Também recordou palavras do então Papa Francisco e de Paolo Ruffini, Prefeito do Dicastério para a Comunicação do Vaticano, afirmando que «comunicação não é só informar, mas educar, acompanhar e criar laços. Cuidar da rede não é um compromisso secundário, mas parte essencial da missão».

Irmã Maria Ausilia conduziu as participantes na identificação dos pontos fortes e das fragilidades de ECOSAM, pensando nas perspectivas futuras da rede de comunicação FMA no continente americano.

Os trabalhos da ECOSAM continuaram com a análise, em grupos, das avaliações realizadas por cada Conferência Interinspetorial. O primeiro dia foi concluído com a Eucaristia, presidida pelo Pe. Severo Aquino, salesiano que esteve em San Lorenzo durante os finais de tarde, todos os dias do encontro, celebrando a missa.

 

Coordenadores e coordenadoras inspetoriais conectados: a força da rede

O segundo dia teve início com uma oração dedicada à Bem-Aventurada Irmã Maria Troncatti - FMA - que será canonizada no próximo dia 19 de outubro, em Roma, pelo Papa Leão XIV.

Ao longo do dia, foram realizadas três palestras formativas, envolvendo em formato online também os coordenadores e coordenadoras inspetoriais de comunicação das demais Inspetorias das Américas. Foram abordados temas importantíssimos, como cibersegurança, com Miguel Ángel Gaspar, além de partilhas muito enriquecedoras: o projeto “Semillas de Mostaza” (Sementes de Mostarda), apresentado pelo salesiano Samuel Gonzales, e o “Boletim Salesiano”, com a equipe do BS da Argentina.

Em seguida, ocorreu uma breve plenária na qual também os participantes em formato online puderam expressar suas impressões e compartilhar reflexões sobre os temas tratados.

Encerrada a plenária, as participantes presenciais revisaram o Regulamento de ECOSAM. Entre os diversos pontos discutidos, destacou-se a necessidade de tornar ECOSAM ainda mais conhecida entre as Presidentes de Conferência, as Inspetoras e os/as Coordenadores/as inspetoriais de Comunicação, tanto em relação ao seu Regulamento quanto ao Planejamento Estratégico. Isso visa fortalecer o sentido de pertencimento para que a ECOSAM possa, de fato, realizar sua missão com eficácia.

 

Um mergulho na História que comunica

No dia 2 de setembro, os trabalhos da ECOSAM deram espaço a um momento de integração, descanso, confraternização e imersão na cultura paraguaia. O grupo teve a oportunidade de conhecer a capital, Assunção, e alguns de seus pontos turísticos: a Catedral Metropolitana (1845), o Centro Histórico Aristocrata, museu dedicado à preservação e difusão da memória da produção da “caña paraguaya” (1909), o museu de Farmácias Catedral (1905), o Oratório da Virgem de Assunção (Panteón de los Héroes - 1863), entre outros.

No final da tarde, o grupo visitou brevemente a Casa de Formação das FMA, onde também estava presente a Madre Geral, Irmã Chiara Cazzuola, em visita à Inspetoria do Paraguai. Após um momento de confraternização, ocorreu a inauguração da “Casa da Memória São Rafael Arcanjo” – um espaço dedicado ao carisma salesiano que fará parte dos Itinerários do Projeto de Espiritualidade Missionária (PEM), responsável por revisitar os inícios do Instituto das FMA no Cone Sul.

 

Avaliação, projeção e nova coordenação

O dia 3 de setembro foi dedicado aos trabalhos de avaliação, planejamento e à nomeação da nova coordenadora de ECOSAM. Os trabalhos iniciaram com uma oração invocando a “Virgem de Guadalupe, Modelo de Comunicação”.

Após a oração, o grupo reuniu-se em formato online com as demais presidentes de Conferência para dialogar sobre o Regulamento de ECOSAM. Em seguida, enquanto a equipe de coordenação da ECOSAM trabalhava na avaliação do planejamento estratégico vigente e na projeção para o próximo triênio, a Conselheira Geral e as presidentes de Conferência se reuniram para realizar a nomeação da nova coordenadora. Todo o processo transcorreu com harmonia e simplicidade.

Ao final da tarde, a Conselheira Geral para a Comunicação agradeceu à atual coordenadora, Irmã Doris Jaimes, da Colômbia, e anunciou Irmã Gabriela Murguía, do México, como nova coordenadora de ECOSAM para o triênio 2026-2028.

Após os agradecimentos, que incluíram a entrega de presentes simbolizando o espírito de família tão característico do estilo salesiano, foi definida a data para o próximo encontro presencial: de 31 de agosto a 4 de setembro de 2028, com o local a ser definido posteriormente.

Para concluir o encontro, foi realizada uma celebração eucarística como momento festivo para agradecer a caminhada de ECOSAM, reconhecendo as conquistas e acolhendo os desafios da comunicação em tempos atuais.

 

Como foi sentir-se parte de ECOSAM?

Para Irmã Alaíde Deretti, presidente da Conferência Interinspetorial do Brasil (CIB), participar do encontro foi uma oportunidade muito interessante para «poder acompanhar de perto os caminhos de ECOSAM, o processo que está sendo levado adiante e as responsabilidades que tocam às Inspetoras e às Presidentes de Conferências».

Conhecendo melhor o trabalho realizado por ECOSAM, Irmã Alaíde agradeceu à coordenadora, Irmã Doris, e às demais integrantes da equipe. Também ressaltou o acompanhamento da Conselheira Geral, Irmã Ausilia De Siena. «Estes dias foram muito bons, de maior conhecimento recíproco, de oração e reflexão, de partilha, como também de iluminação, de como utilizar as redes sociais para divulgar o bem, e as consequências de um uso inadequado dos meios digitais», disse a presidente da CIB.

«Agradeço por todo o caminho realizado e levo muita esperança em relação à projeção de futuro», concluiu Irmã Alaíde.

Para Irmã Ángeles Grassi, presidente da Conferência Interinspetorial do Cone Sul da América Latina (CICSAL), estes dias «foram dias de encontro, nos quais pudemos viver a experiência de fraternidade, de oração, de formação que nos abre a perguntas: de que maneira podemos sair ao encontro da realidade juvenil? Que aspectos devemos cuidar? E, ao mesmo tempo, como as plataformas são meios para nos aproximarmos e compartilharmos a experiência de Jesus?».

Para a presidente da CICSAL, estas «são perguntas que geram desafios, com os quais temos que continuar trabalhando, em um mundo onde o digital prevalece e se torna ainda mais necessário ter elementos para acompanhar e ser críticas em relação a eles».

Para Irmã Ausilia De Siena, Conselheira Geral para a Comunicação, «o valor de construir e preservar uma rede é, antes de tudo, relacional. O sentido de ECOSAM não é tanto “fazer”, mas sim criar um espaço de partilha, de crescimento comum e de corresponsabilidade».

Irmã Ausilia acrescenta que «através do confronto, da colaboração e da confiança mútua, tornamo-nos mais capazes de transmitir mensagens autênticas, coerentes com o nosso carisma». Para ela, «o nosso trabalho de comunicação não é apenas uma tarefa técnica, mas deve se tornar cada vez mais um testemunho vivo de comunhão, serviço e esperança. Nessa perspectiva, vivemos uma experiência bela e enriquecedora, em um clima de sincera familiaridade, de grande alegria e de confronto sério e sereno, alimentando aquela comunhão que nasce do carisma». «Cuidar da rede não é um compromisso secundário: é parte integrante da nossa missão», concluiu a Conselheira Geral.

Confira as fotos abaixo:

 

Por Irmã Maike Loes da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida

Mais Recentes

Missão Salesiana de Mato Grosso inaugura memorial histórico em Campo Grande

Campo Grande recebeu, na noite desta quinta-feira (14/05), um presente feito de tempo. A Missão Salesiana de Mato Grosso abriu as portas do seu Memorial Histórico no coração da cidade. O espaço ocupa o prédio do campus central da UCDB, defronte à Praça da República. Ali, onde o trânsito e o cotidiano se cruzam, passa a existir agora um lugar de silêncio e de memória. Uma noite de encontro entre o passado e o presente A solenidade reuniu salesianos vindos de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Três bispos marcaram presença — Dom Dimas Lara, Dom Vitório Pavanelo e Dom Vartan Bogossian. Três reitores de universidades também compareceram, representando a UCDB, a UFMS e o UNISALESIANO. Pró-reitores, membros do Legislativo e representantes do governador do Estado e da prefeita de Campo Grande completaram a solenidade. Foi uma noite em que a história se sentou à mesa com o presente. Uma educação que deixou marcas no chão do Centro-Oeste O inspetor da MSMT, padre Adalberto Alves de Jesus, abriu os trabalhos com palavras que atravessaram o salão. Ele lembrou que os objetos expostos não são apenas peças de museu. São retratos vivos de “uma educação que humaniza, uma presença que acolhe e uma fé que realiza obras concretas”. Cada vitrine, cada fotografia, cada instrumento carrega o peso suave de uma história construída à mão. Um projeto nascido do desejo de não esquecer O curador do Memorial é o vice-inspetor padre Ademir Lima de Oliveira. Ele conduziu o projeto por mais de um ano, com paciência de quem sabe que a memória não se apressa. A ideia nasceu do ex-inspetor padre Ricardo Carlos. Ele queria garantir que mais de 130 anos de presença salesiana no Centro-Oeste não se perdessem no esquecimento. O Memorial é a resposta concreta a esse desejo. Na solenidade de inauguração, coube a Dom Vitório Pavanello dar a bênção de abertura do novo espaço. Núcleos que contam histórias maiores do que o espaço que ocupam A exposição está organizada em núcleos temáticos. O primeiro deles guarda uma joia rara: a primeira gráfica de Mato Grosso, operada pelos salesianos desde 1894. A máquina de tipos é central na história da comunicação regional. Ela imprimiu palavras em um tempo em que palavras eram escassas e preciosas. Outro núcleo preserva o acervo das antigas Escolas de Ofício. Ali estão instrumentos e registros das oficinas de Marcenaria, Tipografia, Alfaiataria e Sapataria. Esses espaços formaram gerações de jovens em profissões que o tempo foi tornando raras. As ferramentas expostas ainda guardam o cheiro do trabalho e da dignidade. Um terceiro núcleo dedica-se às Missões Indígenas. Documentos, fotografias e objetos narram a presença salesiana nos rios Araguaia, Xingu e das Mortes. São registros de encontros entre culturas. São também registros de escolhas, de caminhadas longas e de rios que nunca param de correr. A sala “Educação para a Vida” fecha o percurso com uma linha do tempo. Ela vai dos primeiros oratórios até os projetos educacionais contemporâneos da MSMT. É o fio que costura ontem e hoje sem deixar nó aparente. O quarto onde um santo dormiu Entre os espaços mais aguardados do Memorial está o quarto onde o Papa João Paulo II, hoje São João Paulo II, se hospedou na sede da Missão Salesiana em outubro de 1991. No dia 16 daquele mês, o Santo Padre chegou à sede da Missão Salesiana de Mato Grosso e ali pernoitou, antes de realizar suas atividades pela cidade no dia seguinte. O dormitório está agora em exibição no Memorial, com todos os seus artigos originais preservados. A cama, mesas laterais, luminárias, genuflexório, crucifixo, escrivaninha, cadeira, quadros de parede, roupa de cama e louças compõem o ambiente, incluindo relíquias de primeiro grau: objetos tocados e utilizados pelo Pontífice durante sua estadia e preservados pelos salesianos como testemunhos sagrados de uma noite que a cidade nunca esqueceu Relíquias, fé e a matéria de que são feitos os santos O Memorial abriga também relíquias de primeiro e segundo grau de santos salesianos. São objetos de devoção. São peças consideradas sagradas pela Igreja Católica. Elas ocupam o espaço com uma presença silenciosa e poderosa. A memória como compromisso com o jovem de hoje Padre Ademir Lima de Oliveira resume com clareza o propósito do lugar. “A gente não guarda essas peças por saudosismo”, afirmou. “Guardamos porque elas provam que o método de Dom Bosco funciona aqui há 130 anos.” E foi direto ao coração da missão: “Este Memorial é pra dizer ao jovem de hoje: você faz parte de uma história maior.” Uma congregação que fincou raízes para durar Fundada em 1894, a MSMT é uma das presenças religiosas e educacionais mais antigas do Centro-Oeste. Ao longo de mais de um século, os salesianos construíram escolas, abriram paróquias, criaram obras sociais. Caminharam também ao lado de povos indígenas em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Eles chegaram e ficaram. Ficaram e criaram raízes. O inspetor, P. Adalberto declarou que a abertura do espaço à visitação pública “representa para a história da missão salesiana de Mato Grosso o legado de muitos salesianos que passaram por aqui e se dedicaram à educação da juventude, à evangelização dos povos indígenas. Que estas imagens que contemplaremos com os nossos olhos possa ser a recordação do passado, a importância do presente e o futuro que se abre para a juventude”, finalizou. Como visitar o Memorial O Memorial da Missão Salesiana de Mato Grosso abre suas portas ao público a partir do dia 20 de maio. A visitação é gratuita. O espaço fica na sede da entidade, no campus central da UCDB, em Campo Grande. Grupos e visitantes individuais podem agendar pelo e-mail memorial@missaosalesiana.org.br. A história espera. E ela tem muito a dizer. Fonte: Missão Salesiana de Mato Grosso

Vai começar a Novena Mundial a Maria Auxiliadora

No próximo dia 15 de maio, começa a tradição da Novena Mundial a Maria Auxiliadora dirigida a todos os membros da Família Salesiana e, em especial, aos devotos da “Auxiliadora dos Cristãos”.  Proposta pelo Setor para a Comunicação Social da Congregação Salesiana, a Novena Mundial a Maria Auxiliadora 2026 traz o lema: “Maria, és nosso auxílio” é o lema que orienta a edição da novena deste ano. Ao longo da novena, serão divulgados nove vídeos, inspirados em histórias reais, que evidenciam a presença de Maria no cotidiano. A cada uma dessas histórias associa-se a figura de Maria, que introduz a temática: Maria, Mãe da presença; Maria, Mãe da solidão; Maria, Mãe dos filhos errantes; Maria, Mãe da esperança; Maria, Mãe da incerteza; Maria, Mãe da Palavra ao ouvido; Maria, Mãe do amor; Maria, Mãe da fragilidade e Maria, Mãe do sofrimento No canal do YouTube do Boletim Salesiano, será possível acompanhar a novena em língua portuguesa. Clique aqui para participar. Estrutura da novena A edição de 2026 da novena terá a seguinte estrutura: a apresentação do tema; versículo bíblico introdutório sobre o tema do dia; história de vida em formato de animação; comentário do Reitor-mor; padre Fabio Attard; pergunta para reflexão; oração relacionada ao tema, com referência à vida de Dom Bosco e oração final: “Fazei o que Ele vos disser” Nos dias que antecedem o início da novena, a Agência de Notícias Salesianas (InfoANS)  divulgará um livreto com todos os textos. Clique aqui para acessar. Assista aqui ao trailer da Novena Mundial a Maria Auxiliadora 2026 Fonte: Boletim Salesiano com informações da Agência Info Salesiana

Educação Católica: um jeito sempre novo de orquestrar o futuro

A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. A educação católica chega ao século XXI em uma encruzilhada fecunda. Carrega uma tradição humanista, espiritual e comunitária, mas é interpelada por transformações socioculturais e tecnológicas que alteram o modo como as pessoas aprendem, convivem, creem e projetam o futuro. O desafio não é conservar o passado como peça de museu, nem aderir ao novo como novidade da vitrine. É traduzir a identidade católica em linguagem contemporânea, sem diluir sua missão. A escola católica não se reduz ao ensino religioso, à catequese ou à presença de símbolos confessionais. Sua identidade nasce de uma concepção integral da pessoa, na qual inteligência, afetividade, espiritualidade, liberdade, responsabilidade social e abertura ao transcendente são dimensões inseparáveis. Sua relevância pública se expressa na excelência acadêmica, mas não se esgota nela. Educar é formar sujeitos capazes de habitar o mundo com lucidez, dignidade e compromisso com o bem comum. O Pacto Educativo Global reforça essa perspectiva ao convocar instituições, famílias, governos e sociedade civil a reconstruírem alianças em favor da dignidade humana, da fraternidade, da justiça social e da ecologia integral. Para a educação católica, esse chamado confirma que a missão educativa não pode ser autorreferente: precisa dialogar com a diversidade e unir fé, cultura, vida e responsabilidade social. Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC Transformações socioculturais A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. No Brasil, atravessou disputas entre Igreja e Estado, expansão das congregações docentes e reorganização diante da modernidade. O século XXI exige reinterpretação dessa herança. A escola católica atua em uma sociedade plural, secularizada, desigual e marcada por novas subjetividades juvenis, diferentes arranjos familiares, sofrimento psíquico, fragilidade dos vínculos comunitários e fragmentação das referências de autoridade. A pergunta decisiva é como manter a identidade católica sem tornar-se defensiva, incapaz de dialogar ou presa a uma linguagem que já não alcança as novas gerações. A resposta passa por compreender a identidade católica como fonte de abertura e discernimento. Consciente de si, a escola católica pode dialogar com quem pensa, crê e vive de modo diferente, sem medo da diferença e sem renunciar à missão. A tradição não é obstáculo ao crescimento; é raiz que sustenta a abertura. Por isso, a cultura do encontro e a humanização do processo educativo tornam-se eixos de uma presença católica profética. As transformações socioculturais deslocam a escola católica de uma lógica institucional para uma lógica de impacto humano. A pessoa concreta deve estar no centro: crianças, adolescentes, jovens, famílias, professores, gestores e comunidades vulneráveis. O estudante não é apenas usuário, cliente, capital humano ou futuro profissional. É sujeito de dignidade, história, consciência, fragilidade e transcendência. Essa antropologia exige convivência, saúde emocional, proteção, escuta, justiça social e solidariedade. Transformações tecnológicas As transformações tecnológicas representam um dos maiores desafios contemporâneos para a educação católica. Plataformas digitais, ambientes virtuais, inteligência artificial, análise de dados e personalização da aprendizagem redefinem o cotidiano escolar. A tecnologia entrou na sala de aula, sentou-se na primeira fileira e ainda pediu a senha do Wi-Fi. O problema não é apenas incorporar recursos digitais, mas definir com que finalidade humana, pedagógica e ética serão usados. A inteligência artificial generativa impacta profundamente o trabalho docente. Ao apoiar textos, imagens, avaliações, pesquisas, planos de aula, sínteses, traduções e feedbacks, amplia a capacidade produtiva humana. Porém, se não for orientada por critérios formativos, pode fragilizar autoria, juízo crítico, presença, responsabilidade e relação pedagógica. Por isso, a IA não pode ser tratada apenas como ferramenta técnica, mas como questão antropológica, ética e formativa. A pergunta central é exigente: como tecnologias digitais impactam a humanidade do processo educativo? A IA pode favorecer acessibilidade, criatividade, personalização e apoio à aprendizagem. Também pode estimular dependência cognitiva, superficialidade, terceirização da autoria, vieses e enfraquecimento dos vínculos educativos. Para os docentes não basta apenas treinamentos pontuais; é necessário instituir políticas permanentes de desenvolvimento profissional que integrem competência técnica, reflexão didática, ética digital e coerência profissional. Tradição e inovação não são polos inimigos. A tradição oferece critérios, memória e identidade; a inovação oferece linguagem, recursos e possibilidades de presença. Quando bem articuladas, permitem que a educação católica permaneça relevante em um mundo que muda rapidamente, mas continua carente de sentido, justiça, esperança e humanidade. A saída para a fecunda encruzilhada não está em escolher um dos caminhos, mas em discernir, planejar, avaliar, formar pessoas e sustentar a coerência institucional. O jeito Católico de educar já nasce inovador; a liderança católica precisa ler os sinais dos tempos e unir alma e método, transformando a tradição em resposta viva aos desafios do presente. É como fazer parte de uma importante orquestra. A educação católica reúne famílias, educadores, estudantes, gestores, tecnologias, currículos e projetos pedagógicos. O papel da liderança é atuar como regência: não para silenciar diferenças, mas para harmonizá-las em torno de uma mesma composição educativa. Seu melhor concerto será soar a sinfonia formando pessoas com consciência crítica, sensibilidade espiritual e compromisso com a dignidade humana e, por isso, livres. Fonte: Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC. Vatican News

Receba as novidades no seu e-mail

Somos Rede
O futuro que você merece

Siga a RSB nas redes sociais:

2026 © Rede Salesiana Brasil