I Encontro Nacional de Comunicação da Rede Salesiana Brasil
01/06/2023

I Encontro Nacional de Comunicação da Rede Salesiana Brasil

I Encontro Nacional de Comunicação da Rede Salesiana Brasil

Nos dias 30 e 31 de maio, em formato totalmente on-line pela plataforma Zoom, aconteceu o I Encontro Nacional de Comunicação (ENAC) da Rede Salesiana Brasil. O evento trouxe o tema “Navegando em Rede, conectados com o carisma salesiano: criando e comunicando valores” e, já em sua primeira edição, trouxe ações inéditas como ser o primeiro encontro da RSB aberto a todas as presenças (Escolas, Obras Sociais, IES), além de, pela primeira vez, unir em um mesmo evento os dois Conselheiros Gerais para a Comunicação Social Salesiana das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA) e dos Salesianos de Dom Bosco (SDB), respectivamente, Ir. Maria Ausilia De Siena e Pe. Gildásio Mendes dos Santo, diretamente de Roma, na Itália.

A organização do evento contou com o trabalho em Rede dos Diretores Executivos da RSB, Ir. Silvia Aparecida da Silva e Pe. Nivaldo Luiz Pessinatti; bem como da Coordenadora Nacional da Comunicação, Ir. Maike Loes; da Gestora de Projetos de Formação, Ana Paula Costa e Silva; da equipe de Comunicação da RSB, representada pelos Analistas de Comunicação Janaína Lima e Thiago Silva Santos, e pelo Designer Gráfico, Pedro de Moraes Freitas; da equipe do Centro Salesiano de Formação, representada pela Assistente de Atendimento, Sarah T. Rodrigues de Oliveira; da equipe do Serviço de Atendimento à Rede (SAR), representada pela Auxiliar Administrativa, Ana Maria Dantas Marçal, e da equipe de Tecnologia e Inovação, representada pelo Assistente de TI, Diogo Alves de França.

O primeiro dia do evento (30) trouxe o lema “Vivências educomunicativas que inspiram: o sacramento da presença em Dom Bosco e Madre Mazzarello”. Os participantes puderam ouvir uma palavra de animação dos Inspetores Referentes para a Comunicação Salesiana no Brasil, Ir. Maria Carmelita de Lima Conceição e Pe. Francisco Inácio Vieira Júnior, bem como uma saudação e contextualização do momento com a Ir. Maike. “Não é um encontro apenas para comunicadores, é um encontro para todos, porque todos comunicamos, todos produzimos comunicação, todos vivemos e nos movemos no mundo da comunicação. Cada um a seu modo, mas todos envolvidos por ambientes e espaços de comunicação, criando outros tantos ambientes e espaços de comunicação”. 

As palestras do dia foram protagonizadas pelos Conselheiros Gerais para a Comunicação Social, iniciando com o Pe. Gildásio Mendes dos Santo que trouxe o tema “Caminhar na corda das coisas sólidas e da leveza das coisas para comunicar no tempo das grandes mudanças”, fazendo uma reflexão sobre a dimensão comunicativa de Dom Bosco para a evangelização dos jovens de sua época que continua atual dentro das propostas do carisma salesiano. “Ele [Dom Bosco] foi o primeiro e o maior comunicador dos jovens do seu tempo e da sua cultura, quando viveu em Turim. Dom Bosco entra na lista dos maiores comunicadores da humanidade. Somos filhos e filhas de um grande comunicador que soube caminhar sobre ‘as cordas’ com grande visão, empenho, criatividade e empreendedorismo. Tudo a favor da missão!”, comenta Pe. Gildásio em sua fala.

Em seguida, Ir. Maria Ausilia De Siena trouxe o tema “Em Rede com Maria Mazzarello”, acompanhada de algumas cenas do filme “Maín - A casa da Felicidade” para ilustrar a missão de Madre Mazzarello que já era bastante salesiana com as meninas de Mornese antes mesmo de unir forças em prol da juventude com Dom Bosco. “A formação integral da pessoa é o projeto educativo de Dom Bosco e de Madre Mazzarello [...] Toda pessoa seriamente engajada na fascinante missão da educação, no estilo salesiano, inevitavelmente se questiona continuamente para garantir que sua ação nesse campo seja realmente eficaz e alcance o coração das crianças, dos jovens e dos adolescentes”, comenta Ir. Ausilia.

O primeiro dia do ENAC destaca também o trabalho de tradução simultânea protagonizado pela Diretora Institucional da Escola Salesiana Brasília (ESB), em Brasília (DF), Ir. Ivanette Duncan de Miranda (tradução do italiano para o português); e da Referente do Âmbito para a Pastoral Juvenil de Roma, Ir. Ivone Goulart (tradução do português para o italiano).

Já o segundo dia do Encontro Nacional de Comunicação (31) se debruçou sobre o lema “Experiências digitais que encantam: do relacionamento à conquista”, tornando-se um grande palco para a reflexão sobre o marketing educacional. Para tanto, contou com a presença da Fundadora e CEO da Agência Bear e ex-aluna salesiana do Colégio de Santa Inês, de São Paulo (SP), Andréa Tavares. Trazendo o tema “Experiências digitais que encantam: do relacionamento à conquista - Marketing Educacional para escolas e obras sociais”, Andréa conduziu uma formação prática recheada de estratégias para apoiar as presenças salesianas do Brasil em suas ações de marketing educacional durante todo o ano.

“É uma experiência muito gratificante mais uma vez experimentar essa riqueza do nosso carisma. Nós que somos salesianos nos sentimos muito enriquecidos por Dom Bosco, mas como Salesianos e Salesianas estamos enriquecidos em dupla por Dom Bosco e Madre Mazzarello [...] Por isso, mais do que palavras, é externar uma forte alegria por nos sentirmos tão irmanados carismaticamente”, comenta o Diretor Executivo da Rede Salesiana Brasil, Pe. Nivaldo Luiz Pessinatti. “A educação é um jogo de equipe, é trabalhar em rede e é indispensável essa força [...] Eu tenho muita convicção no nosso trabalho em rede. Juntos somos sempre melhores e sempre mais fortes”, completa a também Diretora Executiva da RSB, Ir. Silvia Aparecida da Silva.

Por Equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil

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Educação Católica: um jeito sempre novo de orquestrar o futuro

A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. A educação católica chega ao século XXI em uma encruzilhada fecunda. Carrega uma tradição humanista, espiritual e comunitária, mas é interpelada por transformações socioculturais e tecnológicas que alteram o modo como as pessoas aprendem, convivem, creem e projetam o futuro. O desafio não é conservar o passado como peça de museu, nem aderir ao novo como novidade da vitrine. É traduzir a identidade católica em linguagem contemporânea, sem diluir sua missão. A escola católica não se reduz ao ensino religioso, à catequese ou à presença de símbolos confessionais. Sua identidade nasce de uma concepção integral da pessoa, na qual inteligência, afetividade, espiritualidade, liberdade, responsabilidade social e abertura ao transcendente são dimensões inseparáveis. Sua relevância pública se expressa na excelência acadêmica, mas não se esgota nela. Educar é formar sujeitos capazes de habitar o mundo com lucidez, dignidade e compromisso com o bem comum. O Pacto Educativo Global reforça essa perspectiva ao convocar instituições, famílias, governos e sociedade civil a reconstruírem alianças em favor da dignidade humana, da fraternidade, da justiça social e da ecologia integral. Para a educação católica, esse chamado confirma que a missão educativa não pode ser autorreferente: precisa dialogar com a diversidade e unir fé, cultura, vida e responsabilidade social. Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC Transformações socioculturais A educação católica nasceu vinculada à missão evangelizadora da Igreja e à formação cultural das sociedades. Das escolas monásticas às redes modernas, tornou-se um lugar de transmissão do saber, formação moral e construção de sentido. No Brasil, atravessou disputas entre Igreja e Estado, expansão das congregações docentes e reorganização diante da modernidade. O século XXI exige reinterpretação dessa herança. A escola católica atua em uma sociedade plural, secularizada, desigual e marcada por novas subjetividades juvenis, diferentes arranjos familiares, sofrimento psíquico, fragilidade dos vínculos comunitários e fragmentação das referências de autoridade. A pergunta decisiva é como manter a identidade católica sem tornar-se defensiva, incapaz de dialogar ou presa a uma linguagem que já não alcança as novas gerações. A resposta passa por compreender a identidade católica como fonte de abertura e discernimento. Consciente de si, a escola católica pode dialogar com quem pensa, crê e vive de modo diferente, sem medo da diferença e sem renunciar à missão. A tradição não é obstáculo ao crescimento; é raiz que sustenta a abertura. Por isso, a cultura do encontro e a humanização do processo educativo tornam-se eixos de uma presença católica profética. As transformações socioculturais deslocam a escola católica de uma lógica institucional para uma lógica de impacto humano. A pessoa concreta deve estar no centro: crianças, adolescentes, jovens, famílias, professores, gestores e comunidades vulneráveis. O estudante não é apenas usuário, cliente, capital humano ou futuro profissional. É sujeito de dignidade, história, consciência, fragilidade e transcendência. Essa antropologia exige convivência, saúde emocional, proteção, escuta, justiça social e solidariedade. Transformações tecnológicas As transformações tecnológicas representam um dos maiores desafios contemporâneos para a educação católica. Plataformas digitais, ambientes virtuais, inteligência artificial, análise de dados e personalização da aprendizagem redefinem o cotidiano escolar. A tecnologia entrou na sala de aula, sentou-se na primeira fileira e ainda pediu a senha do Wi-Fi. O problema não é apenas incorporar recursos digitais, mas definir com que finalidade humana, pedagógica e ética serão usados. A inteligência artificial generativa impacta profundamente o trabalho docente. Ao apoiar textos, imagens, avaliações, pesquisas, planos de aula, sínteses, traduções e feedbacks, amplia a capacidade produtiva humana. Porém, se não for orientada por critérios formativos, pode fragilizar autoria, juízo crítico, presença, responsabilidade e relação pedagógica. Por isso, a IA não pode ser tratada apenas como ferramenta técnica, mas como questão antropológica, ética e formativa. A pergunta central é exigente: como tecnologias digitais impactam a humanidade do processo educativo? A IA pode favorecer acessibilidade, criatividade, personalização e apoio à aprendizagem. Também pode estimular dependência cognitiva, superficialidade, terceirização da autoria, vieses e enfraquecimento dos vínculos educativos. Para os docentes não basta apenas treinamentos pontuais; é necessário instituir políticas permanentes de desenvolvimento profissional que integrem competência técnica, reflexão didática, ética digital e coerência profissional. Tradição e inovação não são polos inimigos. A tradição oferece critérios, memória e identidade; a inovação oferece linguagem, recursos e possibilidades de presença. Quando bem articuladas, permitem que a educação católica permaneça relevante em um mundo que muda rapidamente, mas continua carente de sentido, justiça, esperança e humanidade. A saída para a fecunda encruzilhada não está em escolher um dos caminhos, mas em discernir, planejar, avaliar, formar pessoas e sustentar a coerência institucional. O jeito Católico de educar já nasce inovador; a liderança católica precisa ler os sinais dos tempos e unir alma e método, transformando a tradição em resposta viva aos desafios do presente. É como fazer parte de uma importante orquestra. A educação católica reúne famílias, educadores, estudantes, gestores, tecnologias, currículos e projetos pedagógicos. O papel da liderança é atuar como regência: não para silenciar diferenças, mas para harmonizá-las em torno de uma mesma composição educativa. Seu melhor concerto será soar a sinfonia formando pessoas com consciência crítica, sensibilidade espiritual e compromisso com a dignidade humana e, por isso, livres. Fonte: Padre Anselmo Nascimento - Salesiano da Inspetoria São João Bosco e Vice-presidente do Conselho Administrativo do Grupo UBEC. Vatican News

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