O mais trágico acidente ferroviário de Juiz de Fora completa 130 anos
05/11/2025

O mais trágico acidente ferroviário de Juiz de Fora completa 130 anos

O mais trágico acidente ferroviário de Juiz de Fora completa 130 anos
Estação Ferroviária de Mariano Procópio (Foto: Roberto Dornellas ou Jorge Couri - Acervo Maria do Resguardo)

Era terça-feira, 5 de novembro de 1895, quando uma comitiva de 17 pessoas, composta por religiosos salesianos, irmãs Filhas de Maria Auxiliadora e benfeitores, partiu de trem da cidade de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, com destino a Minas Gerais. A missão era fundar novas presenças salesianas nas cidades de Cachoeira do Campo, Ouro Preto e Ponte Nova.

m Barra do Piraí (RJ), o vagão especial que transportava o grupo de religiosos e seus companheiros foi acoplado ao “Rápido Mineiro”, um trem expresso da Estrada de Ferro Central do Brasil que vinha do Rio de Janeiro (então capital federal) e viajava com atraso de cerca de três horas devido a problemas mecânicos.

A composição alcançou o município de Juiz de Fora na quarta-feira, 6 de novembro, passando pela Estação Central já no meio da tarde, debaixo de uma forte tempestade. O mau tempo havia provocado a interrupção da linha telegráfica, impedindo a comunicação entre as estações ferroviárias.

Enquanto o “Rápido Mineiro” deixava a área central de Juiz de Fora, o trem misto M-14, que havia deixado a estação de Benfica e trafegava em sentido contrário, não foi retido na estação Mariano Procópio. Por falha de controle, ausência de comunicação e desarranjo no horário, o encontro entre as composições foi inevitável.

O choque ocorreu por volta das 15h15 daquele 6 de novembro de 1895, em uma curva fechada, nas proximidades da Praça Maria Lage, também conhecida como Praça Agassis, Praça do Bispo ou Largo Mariano Procópio. O impacto foi devastador: o vagão especial dos missionários, posicionado entre a locomotiva e o carro-correio, foi esmagado. O carro-correio se ergueu e caiu sobre o vagão, destruindo-o completamente.

O acidente resultou em sete mortes imediatas e nove feridos, sendo que um dos feridos faleceu posteriormente. As vítimas fatais, em sua maioria, estavam confinadas ao vagão especial dos missionários.

Entre as vítimas do acidente estavam Dom Luiz Lasagna, de 45 anos, fundador da obra salesiana no país; padre Villaamil, secretário episcopal e colaborador direto nas visitas e fundações das casas salesianas; madre Teresa Rinaldi, de 34 anos, visitadora das Filhas de Maria Auxiliadora no Brasil, responsável por coordenar as comunidades e acompanhar o trabalho das irmãs no país; irmã Petronila Imas, de 45 anos; irmã Júlia Argenton, de 28; e irmã Edwiges Gomes Braga, de apenas 22 anos, paulista e uma das primeiras brasileiras a ingressar na congregação.

Completava o grupo Joana Lusso, dama de companhia que acompanhava a missão e prestava apoio às religiosas. Também faleceu um foguista da ferrovia, identificado entre os trabalhadores da composição.

A responsabilidade pelo desastre foi atribuída ao chefe da estação de Mariano Procópio, preso logo após o acidente por não ter retido o trem misto, conforme determinavam as normas de tráfego.

A tragédia causou grande comoção nacional. O presidente do Estado de Minas, Bias Fortes, e o bispo auxiliar de Mariana, Dom Silvério Gomes Pimenta, enviaram mensagens de solidariedade. Jornais da época descreveram o episódio como “um dos mais dolorosos infortúnios da história ferroviária do país”.

O bispo missionário e a expansão salesiana

Nascido Luigi Giuseppe Lasagna em Montemagno, na Itália, em 3 de março de 1850, Dom Luiz Lasagna foi um dos primeiros discípulos de São João Bosco, fundador da Congregação Salesiana. Sua dedicação missionária o levou a integrar a segunda expedição salesiana à América Latina, em 1876.

Em 14 de julho de 1883, liderou um grupo de sete sacerdotes que desembarcou no Brasil, estabelecendo-se em Niterói (RJ), onde fundou o Colégio Santa Rosa — a primeira instituição salesiana do país.

Dom Lasagna destacou-se por seu fervor evangelizador e profundo compromisso com os povos originários, o que lhe rendeu o título de “Bispo dos Índios do Brasil”. Em 1893, foi nomeado bispo titular de Oea, e sua liderança foi decisiva para a expansão da obra salesiana, incluindo a fundação da Missão Salesiana de Mato Grosso, inaugurada em 1894.

O legado e a memória

A morte prematura de Dom Lasagna não impediu que sua obra florescesse. Seu exemplo inspirou gerações de missionários e educadores salesianos em todo o Brasil.

Em homenagem póstuma, o padre Luiz Zanchetta, então diretor do Colégio Santa Rosa, providenciou a transladação dos restos mortais de Dom Lasagna e das demais vítimas, inicialmente sepultadas no Cemitério de Mariano Procópio, em Juiz de Fora. A exumação foi feita discretamente, durante a noite, para evitar resistência popular.

Os despojos foram levados ao Monumento Nacional Mariano — hoje Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói —, inaugurado em 8 de dezembro de 1900.

Em 1931, como parte das comemorações pelo cinquentenário da obra salesiana no Brasil, os restos mortais foram trasladados para seu local definitivo: a Capela das Almas, especialmente construída no santuário. A cerimônia, realizada em 6 de novembro daquele ano, no 36º aniversário da catástrofe, contou com um solene cortejo fúnebre presidido por Dom Henrique Mourão, bispo de Campos e ex-aluno de Dom Lasagna.

Mais Recentes

Dom Bosco de Itaquera leva fé, cultura afro-brasileira e compromisso social para o desfile do Grupo de Acesso de São Paulo

A obra social salesiana Dom Bosco de Itaquera, casa do G.R.E.S. Dom Bosco de Itaquera será uma das protagonistas do domingo de Carnaval, ao desfilar como a 7ª escola da noite pelo Grupo de Acesso I, levando para a Avenida uma apresentação que une cultura afro-brasileira, fé popular e compromisso social. O desfile da Dom Bosco de Itaquera expressa a identidade de uma agremiação que nasce e se fortalece como obra social salesiana, profundamente enraizada na comunidade e na missão educativa e evangelizadora inspirada em Dom Bosco. Na passarela do samba, a escola apresenta um enredo que dialoga com a história do povo negro, com as lutas por dignidade e com a espiritualidade vivida nas periferias. Com o tema “Mariama, Mãe de todas as Raças, de todas as cores, Mãe de todos os cantos da terra”, a escola conduzirá o público por uma narrativa marcada pelos movimentos de resistência, liberdade e equidade racial, de gênero e religiosidade, evidenciando como a fé popular se torna fonte de força, esperança e superação diante das injustiças sociais. Inspirada simbolicamente na obra “A Missa dos Quilombos”, de Milton Nascimento, a apresentação valoriza os saberes da música e da dança popular como expressões de memória, denúncia e anúncio de um futuro mais justo. No centro do desfile está a figura de Mariama, associada à Mãe Aparecida, apresentada como sinal de acolhida, libertação e cuidado com os que vivem à margem, reafirmando a fé como elemento que transforma fragilidades em resistência. Ao longo do desfile, o Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Dom Bosco de Itaquera levará para a avenida o som dos tambores ancestrais, os cantos e os símbolos que reafirmam sua identidade: uma escola que samba, reza e congrega na fé, promovendo integração social, valorização das raízes brasileiras e fortalecimento da cultura afro-brasileira. Letra do Samba Enredo 2026 vi minha cor no espelho d’águao barro rachado, a luz que me chamado fundo do rio fluiu esperançacom manto de ouro e rosto de lamame ajoelhei… chorei sem pudorminh’alma em silêncio tocou o senhorreluz na candeia um relicárionas contas um rosário, pra corrente se quebrarme ampara nas batalhas dessa vidanegra mãe aparecida, me acolhe em teu olhar cruza meu tambor, por mais um palmaresofertório de amor, em tantos lugaresêh maria! mariama!abençoai o quilombo que se levanta! nas redes da vida, abraça tua genteo grito das ruas, feito penitentesheróis excluídos buscando alentoa luz do teu manto reflete o lamentoe vai brilhar…mãe negra, vem me embalar.a prece na palma da mãona gira do jongo é de congo meu cantarmilhões de altares e andoresse unem aos tamboresé o jeito do samba rezar olhei pro céu e vi o teu rostoestrela guia dos romeiros da dom boscosalve, rainha! a rosa mais belaprotege a alma dos teus filhos de itaquera Comunicação da Rede Salesiana Brasil

Congresso sobre o Epistolário de Dom Bosco

No dia 12 de fevereiro de 2026, às 15h, na Casa Geral do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora, em Roma, será realizada uma conferência por ocasião da conclusão da edição crítica sobre a correspondência de Dom Bosco, promovida pelo Instituto e pelo Centro de Estudos sobre as FMA da Pontifícia Faculdade de Ciências da Educação «Auxilium». "Epistolário de Dom Bosco e envolvimento feminino na missão educativa" é o tema do Congresso, que será aberto com a saudação da Madre Chiara Cazzuola, Superiora Geral do Instituto FMA, e de Dom Silvio Roggia, Conselheiro Geral para a Formação da Congregação Salesiana. Em seguida, haverá as intervenções dos palestrantes, moderadas pela Irmã Maria Luisa Nicastro, Secretária-geral do Instituto FMA: A influência da Virgem Maria no educador Dom Bosco – Profª. Piera Silvia Ruffinatto, FMA Dom Bosco e as Cooperadoras leigas – Profª. Eloisa De Felice, SSCC As Filhas de Maria Auxiliadora no Epistolário de Dom Bosco – Profª. Grazia Loparco, FMA Cartas de Dom Bosco a várias religiosas – Profª. Eliane Petri, FMA Intervenção do curador – Dr. Francesco Motto, SDB Na monumental correspondência de Dom Bosco, os destinatários são mais de mil, de todas as idades, origens e funções. As cartas revelam a intensa experiência do brilhante organizador, que se reconhece investido da tarefa de preparar meninos e meninas para a vida adulta, através da educação, sob a orientação de Maria, e para poder concretizá-la em grande escala, envolve muitas pessoas na mesma empreitada. Como ele bem sabe desde o início, os Salesianos não são suficientes para tal compromisso. Diante de uma situação sociorreligiosa que evolui com a gradual secularização, ele sente a urgência de defender os valores cristãos inalienáveis e, ao mesmo tempo, com realismo, criar as condições para formar pessoas à altura dos tempos. Se os governos estão se distanciando da Igreja, é necessário encontrar novos aliados na própria sociedade. São necessários religiosos, religiosas, leigos e leigas prontos a colaborar, cada um de acordo com a sua vocação e as suas possibilidades, com uma fé ativa, alma das práticas devocionais. Assim, num amplo horizonte de apostolado, ao longo do tempo multiplicam-se os colaboradores da obra salesiana: cooperadores e cooperadoras, representantes de instituições eclesiásticas e civis, amigos, benfeitores chamados a ajudar e cooperar na grande empreitada e, ao mesmo tempo, muito presentes nos pensamentos e nas orações de Dom Bosco. A experiência ensina-lhe que também as mulheres podem contribuir eficazmente para a obra da salvação, não mais apenas com a oração e a caridade, mas no apostolado irradiado e integrado nas famílias e na sociedade. E assim, mesmo sendo um homem e sacerdote do seu tempo, ele é influenciado por uma mentalidade tradicional, mas alia-se a muitas mulheres para uma caridade com um rosto moderno, promocional, voltada para salvar o presente e o futuro de muitos jovens. Dom Bosco tem, acima de tudo, uma ideia moderna da vida religiosa feminina, voltada para o objetivo urgente de educar as meninas das classes populares, com um estilo simples e familiar. Como fundador do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), que ele quis agregar à Congregação Salesiana como parte integrante do projeto educativo, pode-se supor que as cartas a elas enviadas foram mais numerosas do que as poucas que restaram, embora se admita que a comunicação devia ocorrer mais pessoalmente e por meio dos diretores por ele designados. De 4.682 cartas, na verdade, apenas uma porcentagem mínima é reservada às FMA. Em contrapartida, são mais numerosas as referências a elas quando escreve a interlocutores que pretende envolver na obra educativa, confirmando a sua ideia de que se tratava de uma única Congregação com dois ramos. Prestando atenção à componente feminina, a partir da inspiração mariana de toda a obra salesiana, questiona-se como a Virgem está presente na correspondência. Limitando então o estudo às interlocutoras da obra salesiana, que espaço reservou às mulheres, religiosas e Cooperadoras? Como Dom Bosco se comunicava com e sobre as FMA? Onde estava a novidade, em relação ao florescimento das congregações femininas contemporâneas? Em relação aos preconceitos comuns, como se mostrou disponível em ir além e até que ponto, tendo em vista o objetivo prioritário a alcançar? Estas são algumas das questões que irão alimentar o debate ao longo da conferência. Convite Cartaz Transmissão ao vivo Fonte: Instituto Filhas de Maria Auxiliadora 

Igreja celebra o Dia Mundial de Oração e reflete o Tráfico de Pessoas em 8 de fevereiro

A Igreja Católica celebra, no dia 8 de fevereiro de 2026, o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas, uma data que convida fiéis de todo o mundo à oração, à conscientização e ao compromisso concreto no enfrentamento dessa grave violação da dignidade humana. A iniciativa coincide com a memória litúrgica de Santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa que foi vítima de tráfico humano ainda na infância e que se tornou símbolo de esperança, libertação e resistência diante das formas modernas de escravidão. Tema de 2026 destaca dignidade humana como fundamento da paz Com o tema “A paz começa com a dignidade: um apelo global para pôr fim ao tráfico de pessoas”, a edição de 2026 reforça a urgência de colocar a pessoa humana no centro das ações sociais, políticas e pastorais. A proposta dialoga com o magistério do Papa Papa Leão XIV, que tem reiterado que não pode haver paz verdadeira onde a dignidade humana é ferida, explorada ou mercantilizada. O tráfico de pessoas, que atinge especialmente mulheres, crianças, migrantes e populações em situação de vulnerabilidade, continua sendo uma chaga aberta na sociedade contemporânea, exigindo respostas que unam fé, justiça social e políticas públicas eficazes. Mobilização global une oração, reflexão e ação O Dia Mundial é promovido pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e pela Union of Superiors General (USG), em colaboração com a rede internacional Talitha Kum, além de diversos organismos da Santa Sé e instituições parceiras. A programação de 2026 prevê uma semana de mobilização internacional, entre os dias 4 e 8 de fevereiro, com vigílias de oração, encontros formativos, ações com jovens e eventos presenciais e online, conectando comunidades de diferentes continentes. Entre os destaques estão a vigília de oração com velas em Roma, a peregrinação global de oração online — transmitida em vários idiomas — e a celebração eucarística no dia 8 de fevereiro, culminando com a oração do Angelus. Um chamado à consciência e ao compromisso Mais do que uma data comemorativa, o Dia Mundial de Oração e Reflexão contra o Tráfico de Pessoas é um chamado à conversão pessoal e comunitária. A proposta é unir espiritualidade e ação, incentivando paróquias, escolas, congregações religiosas e organizações sociais a reconhecer os sinais do tráfico humano e a atuar na prevenção, no acolhimento das vítimas e na promoção de uma cultura de paz e cuidado. Ao recordar Santa Josefina Bakhita, a Igreja reafirma que nenhuma pessoa pode ser reduzida a objeto e que o combate ao tráfico de pessoas é parte essencial da missão cristã em defesa da vida, da justiça e da dignidade de todos.   Com informações do site das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA - Roma

Receba as novidades no seu e-mail

Somos Rede
Somos Rede

Siga a RSB nas redes sociais:

2026 © Rede Salesiana Brasil