Presença Salesiana na segunda maior favela do Rio de Janeiro
17/10/2023

Presença Salesiana na segunda maior favela do Rio de Janeiro

Presença Salesiana na segunda maior favela do Rio de Janeiro

O padre Adenilson Rubim, membro da Congregação Salesiana, recentemente esteve em Roma para participar de um curso na Casa Geral de sua ordem religiosa. Em uma visita à Rádio Vaticano, ele compartilhou sua experiência na Paróquia, Escola e Oratório mantidos pelos Salesianos na Favela do Jacarezinho, no Rio de Janeiro.


Estima-se que mais de 100 mil pessoas morem no Jacarezinho, no Rio de Janeiro. Ela é considerada a segunda maior favela do Rio, ficando atrás somente do Complexo do Alemão. A população enfrenta vários problemas sociais, como a precariedade na saúde pública, a violência e a inexistência de educação pública que atenda a população. É neste cenário que os Salesianos se fazem presentes junto aos jovens.


A história da presença salesiana no Jacarezinho remonta à década de 1950, quando o padre salesiano Nelson Carlos Del Mônaco fez sua primeira visita à favela. Na ocasião, ele reconheceu que o trabalho dos salesianos poderia ser altamente produtivo, atendendo às necessidades da população. Com o apoio de alguns empresários, o padre Nelson iniciou um projeto que, em poucos anos, resultou na construção do prédio da Escola e da Paróquia. Essa paróquia é a única representação da Igreja Católica na região. A presença salesiana no coração do Jacarezinho leva o título de Obras Profissionais Santa Rita de Cássia, e se divide na Escola Alberto Monteiro de Carvalho e na Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.


De acordo com o pároco, padre Adenilson, “viver inseridamente numa comunidade é viver de Milagres e de esperança. Nós que viemos de uma outra realidade estranhamos e nos incomodamos diariamente com uma realidade em que há muita ausência do Estado, de serviços que são essenciais, como a educação”. Ainda segundo o padre Adenilson o objetivo dos Salesianos é incentivar os jovens a enxergar para além das fronteiras de sua própria comunidade, proporcionando-lhes oportunidades para um futuro melhor.


Por: Inspetoria Salesiana São João Bosco, com informações de Boletim Salesiano Brasil

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Em primeira encíclica, papa Leão XIV pede desculpa por Igreja Católica demorar em condenar escravidão

Segundo pontífice, isso representa uma 'ferida na memória cristã'. Na primeira encíclica do papa Leão XIV, publicada nesta segunda-feira (25), ele pediu desculpas pela demora da Igreja católica em condenar a escravidão. Segundo ele, isso até hoje é uma 'ferida na memória cristã'. "Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão', escreve no texto que define as posições da Igreja em diversas questões, especialmente a inteligência artificial." Outros papas anteriormente tinham feito pedidos oficiais de desculpas por conta de cristãos estarem relacionados ao comércio de escravos. Porém, nada tinha sido feito de forma geral do papel da Igreja. O primeiro a condenar publicamente foi seu antecessor de nome, o papa Leão XIII, em 1888. "É impossível não sentir profunda tristeza ao contemplar o imenso sofrimento e humilhação suportados por tantos, em contraste com sua dignidade incomensurável como pessoas infinitamente amadas pelo Senhor", afirmou. Ao longo da história, a Igreja Católica, que tinha como uma das definições a defesa da dignidade humana, realizou decretos para não aceitar a escravização contra cristãos, porém autorizava uma invasão e até combate em outros territórios. Isso foi realizado, por exemplo, em 1452 pelo papa Nicolau V, na bula 'Dum Diversas', que liberava até mesmo os 'pagãos' a 'escravidão perpétua'. Alguns anos depois, outra bula também reforçou o tema, o que gerou uma 'autorização' para os países realizarem a escravidão nas colônias. Outros papas depois confirmaram, como Calisto III, Sisto IV e Leão X. Encíclicas são documentos oficiais papais que se dirigem a bispos do mundo todo, dando um direcionamento do pensamento católico sobre diversos temas, focando especialmente naqueles em evidência. Intitulado 'Magnifica Humanitas', o papa alertou no texto sobre os perigos da inteligência artificial e que seu uso em conflitos armados representaria complicações sobre o papel humano na resolução das guerra. "Os principais motores do desenvolvimento são entidades privadas, muitas vezes transnacionais, dotadas de recursos e capacidade de intervenção que superam os de muitos governos. O poder tecnológico assume, assim, um aspecto sem precedentes, predominantemente 'privado', o que torna ainda mais difícil discernir, governar e direcionar esse poder para o bem comum", escreve. "Embora a IA possa aprimorar a defesa e a proteção de civis, ela também pode diminuir o limiar para o uso da força, proteger as pessoas da responsabilidade e fomentar uma cultura na qual o inimigo é reduzido a uma estatística e a vítima a 'dano colateral", continua. O Papa aponta o dedo para o crescimento da indústria bélica, a corrida armamentista nuclear e o surgimento de novos atores armados, incluindo grupos jihadistas, que visam perpetuar o conflito como fonte de poder e lucro. Ele também adverte claramente contra o uso de armas baseadas em inteligência artificial, porque "não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável". Portanto, são necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, porque "qualquer tecnologia que facilite o ataque sem ver o rosto do outro diminui o limiar moral do conflito". O papa também enfatiza que 'a promoção do bem comum jamais poderá ser dissociada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua própria identidade e de contribuir com sua singularidade para a família das nações'. E 'qualquer tentativa ou plano para eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável', afirma Leão XIV na encíclica. Papa cita 'Senhor dos Anéis' e filósofos Papa Leão XIV celebra primeira missa de Natal do pontificado. — Foto: ANDREAS SOLARO / AFP No texto, há também uma citação de 'O Senhor dos Anéis', de JRR Tolkien. É a passagem em que o mago Gandalf diz: "Não nos cabe controlar todas as marés do mundo; nossa tarefa é fazer o que pudermos pela salvação dos anos em que vivemos , erradicando o mal dos campos que conhecemos, para que aqueles que vierem depois possam cultivar uma terra saudável e limpa". As citações também incluem as de grandes filósofos: Santo Agostinho, São Tomás de Aquino e Platão. Os papas mais recentes são todos mencionados, começando com Leão XIII e sua 'Rerum Novarum', que inspirou Prevost para este primeiro documento magisterial importante. Mas também há Pio XI, Pio XII, João XXIII, Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco. Por fim, há referências à Carta das Nações Unidas, aos documentos do Concílio Vaticano II, aos quais o Papa dedica as catequeses das audiências gerais de quarta-feira, e ao Compêndio da Doutrina Social da Igreja. Fonte: Redação CBN

A encíclica de Leão XIV: a IA deve servir à humanidade, não ao poder de poucos

No 135º aniversário da “Rerum novarum”, o Pontífice reflete, em sua primeira encíclica, “Magnifica humanitas”, sobre a Doutrina Social da Igreja na era da inteligência artificial. O apelo para preservar “uma magnífica humanidade habitada por Deus”, promovendo a verdade, a dignidade do trabalho, a justiça social e a paz. Na era digital, é preciso desarmar a IA e superar a teoria da “guerra justa”, relançando o diálogo e o multilateralismo “A magnífica humanidade criada por Deus encontra-se hoje diante de uma escolha decisiva: erguer uma nova torre de Babel ou construir a cidade onde Deus e a humanidade habitam juntos”. O incipit da primeira encíclica de Leão XIV – Magnifica humanitas, “sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial” – resume suas razões fundamentais e seu objetivo. Publicada hoje, segunda-feira, 25 de maio, foi assinada pelo Pontífice no último dia 15 de maio, no 135º aniversário da promulgação da Rerum novarum de Leão XIII. E de seu predecessor, o Papa Prevost recolheu a herança, escrevendo uma encíclica social que aborda um dos principais desafios da época contemporânea: a inteligência artificial. Dividida em cinco capítulos, Magnifica humanitas parte de um pressuposto: a tecnologia não é uma “força antagônica em relação à pessoa” (4), nem “um mal em si mesma” (9). No entanto, ela “não é neutra, pois assume o rosto daqueles que a concebem, a financiam, a regulam e a utilizam”. Daí, o apelo do Pontífice para “construir o bem” e “permanecer humanos”, seguindo a lógica da corresponsabilidade corajosa e da comunhão. A Doutrina Social da Igreja O primeiro capítulo – Um pensamento dinâmico fiel ao Evangelho – repercorre a Doutrina Social da Igreja (DSI) no magistério recente e no Concílio Vaticano II, destacando “o seu caráter dinâmico” (17). Longe de ser “um manual de princípios e normas a serem aplicados”, a DSI é antes uma “teologia da comunhão na história” (27) que orienta a leitura dos acontecimentos à luz do Evangelho. No segundo capítulo, Leão XIV enumera os Fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja: entre os primeiros, inclui a dignidade da pessoa, criada à imagem e semelhança de Deus; a inviolabilidade dos direitos humanos, entre os quais o direito à vida “desde a concepção até ao seu fim natural”; o reconhecimento dos direitos das minorias, com especial atenção às mulheres, para que sejam verdadeiramente ouvidas e valorizadas (57). LEIA AQUI O TEXTO INTEGRALE DA ENCÍCLICA DE LEÃO XIV "MAGNIFICA HUMANITAS"  É inaceitável subjugar uma nação Quanto aos princípios da DSC, Leão XIV aponta cinco: o primeiro é o bem comum, “forma social da dignidade reconhecida a cada um” (59). Em um ponto, o Papa é particularmente firme: “A promoção do bem comum nunca pode ser separada do respeito ao direito dos povos de existir, de preservar sua identidade e de contribuir com sua originalidade para a família das nações”. Consequentemente, “qualquer tentativa ou projeto de eliminar ou subjugar uma nação é gravemente imoral e, portanto, inaceitável” (64). A tecnologia não deve estar nas mãos de poucos O segundo princípio diz respeito à destinação universal dos bens: aí e em outros pontos da encíclica, Leão XIV insiste na necessidade de que as tecnologias não se concentrem nas mãos de poucos, alimentando a disparidade entre os incluídos e os excluídos da revolução digital (67). Daí decorrem o terceiro e o quarto princípios, a saber, a subsidiariedade (68) – que exige a superação do paternalismo e do assistencialismo em favor da corresponsabilidade – e a solidariedade (73), “princípio e virtude” que se opõe à indiferença. A justiça social O quinto princípio da DSC é a justiça social: na era digital, ela deve garantir a todos um acesso equitativo às oportunidades, proteger os mais vulneráveis, combater o ódio e a desinformação e submeter o uso das tecnologias ao controle público. Leão XIV aponta os migrantes como um “teste decisivo” nesse campo: a maneira como a sociedade os trata demonstra “se a ideia de justiça é guiada pelo medo ou pela fraternidade”. Daí, o apelo tanto para salvaguardar “o direito à esperança” daqueles que são forçados a partir, garantindo-lhes vias seguras e legais, acolhimento digno e integração; quanto para promover “o direito de permanecer” de cada um em sua terra, em paz e segurança, enfrentando “as causas profundas” das migrações (81). O Pontífice entende que os cinco princípios acima mencionados se dirigem também à Igreja, chamada a “um exame de consciência”, a ouvir as “vítimas de abusos espirituais, econômicos, institucionais, sexuais, de poder e de consciência”, pois isso “é parte integrante de um caminho de justiça, que compreende o reconhecimento do dano, a reparação justa e a prevenção” (89). Um código ético para a IA O terceiro capítulo – Técnica e domínio. A grandeza da pessoa humana diante das promessas da IA – ressalta que é preciso abordar a IA com cautela, mantendo clareza sobre as responsabilidades em todas as suas etapas (accountability) e apostando em políticas e marcos jurídicos adequados, vigilância independente e educação dos usuários. Acima de tudo, é necessário um código ético submetido a critérios de justiça social compartilhada, pois “não serve uma IA mais moral se essa moral for decidida por poucos” (107). Sem deixar de lado o impacto ambiental das novas tecnologias, que exigem grandes quantidades de energia e água, afetando a Criação (101). Desarmar a IA É preciso “desarmar a IA” – prossegue Leão XIV – para subtraí-la à lógica da competição militar, econômica e cognitiva; para romper a equivalência entre poder técnico e direito de governar; para subtraí-la aos monopólios e impedir que domine o humano. Amplo espaço é dedicado à crítica do transumanismo e do pós-humanismo, que interpretam o progresso como a superação dos limites do humano. Em vez disso, o limite não é um defeito a ser eliminado, mas uma dimensão constitutiva da pessoa, pois é na fragilidade e na finitude que amadurecem a relação e a abertura a Deus e ao outro. Fazer a tecnologia crescer eliminando os limites do humano significa, portanto, fazer o coração regredir. Magnífica e, ainda assim, ferida, a humanidade “não deve ser substituída nem superada”. A tecnologia pode aliviar seus sofrimentos e abrir-lhe novas possibilidades, mas não deve negá-la naquilo que lhe é próprio: “a capacidade de relação e de amor” (126). Diante da IA, a verdadeira alternativa não está entre o entusiasmo e o medo, mas entre duas formas de construir o progresso: a serviço da pessoa e dos povos ou das lógicas do poder (129). Uma ecologia da comunicação No quarto capítulo – Preservar o humano na transformação. Verdade, trabalho, liberdade –, a encíclica defende uma “ecologia da comunicação” baseada na verdade. O Papa pede transparência nos critérios de seleção de conteúdos, proteção dos dados pessoais, um jornalismo sério fundamentado na argumentação e na verificação, uma nova consciência no uso “correto e crítico” da IA e a integração dos conhecimentos. Uma comunicação transparente e leal é exigida também da Igreja, sobretudo nos casos de injustiças e abusos. É fundamental também o apelo a uma aliança educativa renovada, para que nos jovens não se apague “o desejo de fazer perguntas” por causa de máquinas perfeitas que fazem parecer inútil o pensamento humano (140). Leão XIV pede ainda que se aposte na escola como lugar onde se aprende a “buscar e amar a verdade” (147). A dignidade do trabalho Na “quarta revolução industrial” representada pela transição digital, o Pontífice ressalta então a importância de proteger a dignidade do trabalho, projetando sistemas centrados na pessoa e não apenas no desempenho. A tecnologia pode certamente aliviar o homem de tarefas pesadas ou repetitivas, mas não deve levar ao desemprego em nome da redução de custos e do aumento do lucro. Nesse sentido, espera-se também uma renovação das organizações sindicais. Paz e desenvolvimento O Pontífice destaca, em seguida, a necessidade de superar o PIB como parâmetro do grau de desenvolvimento de um país, apostando, em vez disso, na dignidade do trabalho, na prosperidade compartilhada, na redução das desigualdades e na preservação do meio ambiente. A finança pela finança é, de fato, diferente da finança para o desenvolvimento (159-160). E, seguindo os passos de São Paulo VI, destaca-se a interdependência entre paz e desenvolvimento, almejando uma cooperação internacional capaz de definir estratégias comuns, sobretudo em favor dos países e dos grupos mais vulneráveis, pois a prosperidade contribui para a paz “somente se for difundida, inclusiva e sustentável” (163). É forte, ainda, a referência à família, fundada na união estável entre um homem e uma mulher: ela é “bem social primário”, “célula fundamental e insubstituível de toda organização comunitária” (165), que deve ser apoiada também por meio de políticas do trabalho em favor da estabilidade e de ritmos humanos, para assim proteger a capacidade social de “construir o futuro”. A “arquitetura da visibilidade” Por fim, a questão da liberdade humana: numa época em que as plataformas digitais são projetadas para capturar o tempo dos usuários e explorar suas fragilidades, é preciso fortalecer a liberdade interior de cada um, enfrentando também o risco do controle social decorrente da coleta massiva de dados e do uso de sistemas algorítmicos. Perfilar, prever e orientar comportamentos, de fato, é “um novo poder” (171) que corre o risco de discriminar os mais fracos. O Papa deplora, em particular, a “arquitetura da visibilidade” que amplifica apenas o que é visível, moldando as opiniões. Novas formas de escravidão e novo colonialismo A IA também gera novas formas de escravidão, como a dos “corpos marcados, mutilados, consumidos” (173) daqueles que trabalham na extração das “terras raras” necessárias à tecnologia. Portanto, a luta contra as novas formas de escravidão é outro “teste decisivo para o discernimento ético” da transformação digital. Leão XIV ressalta que “a Igreja renova sua firme condenação contra toda forma de escravidão, tráfico e mercantilização de pessoas”. Ao mesmo tempo, o Papa pede “sinceramente perdão” pelo atraso com que a Igreja, no passado, condenou “o flagelo da escravidão” (174-176). A encíclica também faz referência às “novas terras raras do poder”, ou seja, as informações vitais – por exemplo, sobre saúde e demografia – utilizadas para orientar estratégias econômicas: trata-se de uma face inédita do colonialismo que transforma vidas pessoais em informações exploráveis, tornando o ambiente digital um “espaço de predação” (178-179).   Superar a teoria da “guerra justa” No quinto capítulo — A cultura do poder e a civilização do amor —, Leão XIV volta seu olhar para a guerra: “A revolução digital está modificando a gramática dos conflitos” e, sem uma abordagem ética, as decisões sobre a vida e a morte das pessoas serão cada vez mais impessoais, com o recurso à força considerado uma “opção imediata e viável” (182-183). Na base de tudo está uma “cultura do poder” que normaliza a guerra e a reabilita como “instrumento de política internacional”, favorecendo o rearmamento. Sobre a opinião pública pesam hoje também as narrativas midiáticas polarizadoras, bem como “uma preocupante perda de memória histórica” que priva de uma visão de longo prazo (191). Consequentemente, hoje a paz não é mais entendida como uma tarefa a ser assumida, mas como um intervalo entre os conflitos. Por isso, Leão XIV reitera que – sem prejuízo do direito à legítima defesa no sentido mais estrito – é preciso superar a teoria da “guerra justa”, promovendo, em vez disso, o diálogo, a diplomacia e o perdão (192). Nenhum algoritmo torna a guerra moralmente aceitável O Papa Prevost não deixa de deplorar o crescimento da indústria bélica, a corrida aos armamentos nucleares e o surgimento de novos atores armados – entre os quais os jihadistas – que visam perpetuar os conflitos como fonte de poder e de renda. É clara, ainda, a advertência contra o uso de armas ligadas à IA, pois “não existe algoritmo que possa tornar a guerra moralmente aceitável”. São necessárias restrições éticas rigorosas, compartilhadas internacionalmente, baseadas na responsabilidade pessoal e na proteção dos civis, pois “toda tecnologia que facilita atacar sem ver o rosto do outro abaixa o limiar moral do conflito” (199). A crise do multilateralismo A cultura do poder decorre também da crise do multilateralismo e do surgimento de um “multipolarismo desordenado e conflituoso” (201). A força do direito é substituída pelo direito do mais forte; as lógicas do poder prevalecem sobre a construção da paz e as instituições criadas para zelar pelo destino comum dos povos estão agora enfraquecidas. A esse respeito, o Papa deseja para a ONU “reformas profundas” que superem a atual crise de valores em favor do bem comum (226). A civilização do amor O cristão é chamado a responder à cultura do poder construindo “a civilização do amor” e escolhendo entre alimentar a lógica da força ou zelar pela paz. O Papa aponta cinco “caminhos de responsabilidade”: desarmar as palavras dizendo a verdade; construir a paz na justiça; assumir o olhar das vítimas tomando posição, pois há conflitos em que “não é justo permanecer neutro”; cultivar “um saudável realismo” que busque caminhos de paz viáveis com os fatos, não apenas com palavras. Por fim, relançar o diálogo, passando de uma cultura do poder para uma cultura da negociação. É decisivo também “o diálogo entre as religiões”, portador de uma mensagem de paz: “Quem usa o nome de Deus para legitimar o terrorismo, a violência ou a guerra trai o seu rosto” é a advertência de Leão XIV (223). A magnífica humanidade Ao concluir a carta, o Pontífice convida os fiéis a viver as novas tecnologias à luz do Evangelho, seguindo “um itinerário de vida cristã sóbrio e exigente”. Para que, mesmo na era da IA, todos possam testemunhar “a beleza de uma magnífica humanidade habitada por Deus”. Fonte: Isabella Piro – Vatican News

P. Costantino Vendrame é declarado Venerável

Papa Leão XIV reconhece as virtudes heroicas do missionário salesiano que dedicou mais de três décadas à evangelização no nordeste da Índia, tornando-se referência de caridade, esperança e santidade entre os povos. Resumo O Papa Leão XIV autorizou a promulgação do decreto que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Padre Constantino Vendrame, SDB, declarando-o Venerável. Nascido na Itália, em 1893, ingressou na Congregação Salesiana motivado pelo ideal missionário e foi ordenado sacerdote em 1924. Atuou por mais de 30 anos no nordeste da Índia, dedicando-se à evangelização das populações mais pobres e distantes, percorrendo longas distâncias para levar o anúncio do Evangelho. Tornou-se amplamente reconhecido pela vida de oração, pela caridade incansável, pelo espírito de serviço e pela proximidade com pessoas de diferentes tradições religiosas. Durante a Segunda Guerra Mundial, enfrentou o internamento como cidadão italiano em território britânico, destacando-se pela fortaleza espiritual e pelo apoio oferecido aos companheiros. Viveu seus últimos anos marcado pelo sofrimento físico, oferecendo suas dores com espírito de fé até falecer em Dibrugarh, na Índia, em 30 de janeiro de 1957. A declaração de venerabilidade foi acolhida com alegria na Itália, na Arquidiocese de Shillong e por toda a Família Salesiana, que vê no missionário um testemunho exemplar do carisma de Dom Bosco. Segundo o Postulador-Geral das Causas dos Santos da Família Salesiana, Padre Pierluigi Cameorni, o reconhecimento destaca Padre Vendrame como um “missionário da esperança entre os povos”, profundamente unido ao Coração de Cristo, ao Espírito Santo e à devoção a Maria Auxiliadora.   Em 22 de maio de 2026, o Santo Padre Leão XIV recebeu em audiência o Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Na ocasião, o Sumo Pontífice autorizou o mesmo Dicastério a promulgar o Decreto relativo às virtudes heroicas do Servo de Deus Costantino (Constantino) Vendrame, Sacerdote professo da Sociedade de São Francisco de Sales, nascido em San Martino di Colle Umberto (Treviso-Itália), em 27 de agosto de 1893, e falecido em Dibrugarh, na Índia, em 30 de janeiro de 1957. O P. Constantino Vendrame nasceu de família de condição humilde, mas marcada por sólidos valores cristãos, provada pela doença e por perdas familiares. Desde muito jovem, sentiu o chamado ao sacerdócio e ingressou, em 1908, no seminário da Diocese de Ceneda (Vittorio Veneto), passando, em 1912, para os Salesianos de Dom Bosco, movido pelo amor às missões e pelo desejo de partir como missionário. Noviço em 1913, professou os votos temporários em 1914 e os perpétuos em 1920, formando-se na vida religiosa por meio do tirocínio prático. Durante a Primeira Guerra Mundial, destacou-se como soldado exemplar, mantendo fidelidade à própria vocação. Ordenado sacerdote em 15 de março de 1924, em Milão, recebeu, em 5 de outubro do mesmo ano, o crucifixo missionário em Turim, na Basílica de Maria Auxiliadora. Partiu então para o nordeste da Índia (Assam), chegando a Shillong em 24 de dezembro de 1924. Atuou como missionário – e, na maioria das vezes, como pároco, em Shillong-Laitumkhrah, Jowai, Wandiwash, no Tamil Nadu (sul da Índia), e, por fim, em Shillong-Mawkhar, onde permaneceu, de 1951 até à morte. O P. Vendrame tornou-se uma figura lendária: missionário itinerante, percorria a pé longas distâncias para chegar aos povoados mais remotos, fazendo-se “pobre entre os pobres” e acolhendo com serenidade o desgaste das fadigas e os riscos da vida apostólica. Homem de diálogo, atraía multidões a Cristo por meio da caridade, evangelizando aldeia por aldeia, casa por casa. Sua figura era respeitada não apenas pelos cristãos, mas também por pessoas de outras tradições religiosas, que o reconheciam como um verdadeiro homem de Deus. Durante a Segunda Guerra Mundial, na condição de cidadão italiano em território do Império Britânico, viu-se obrigado a interromper sua ação missionária e foi internado com outros compatriotas: inicialmente sob custódia dos Gurkhas, depois em Deoli e, por fim, em Dehra Dun. Nesse período de aparente imobilidade, evidenciou uma notável fortaleza interior, tornando-se referência de consolo e apoio. Acometido por artrose, inclusive na coluna vertebral, e marcado por intensas dores até a episódios de desmaio, viveu os últimos meses em total espírito de oferta. Internado em Dibrugarh, faleceu na véspera da Festa de São João Bosco, em 30 de janeiro de 1957. Seus funerais transformaram-se numa expressiva manifestação de Fé e gratidão. Já em vida, era acompanhado por ampla fama de santidade e por sinais extraordinários, comparado a São Paulo, São Francisco Xavier e São Vicente de Paulo. Sobre ele, afirmou-se: “Recordamos o P. Vendrame como um sacerdote que nos amou com o coração de Cristo: humano e ardente, firme e fiel, sempre pronto a dar a vida por nós”. A notícia da declaração de venerabilidade foi acolhida com grande alegria em sua cidade natal, San Martino di Colle Umberto, e na Diocese de Vittorio Veneto, que sempre promoveram com dedicação a Causa de Beatificação do seu conterrâneo. Também a Arquidiocese de Shillong e a Família Salesiana do nordeste da Índia celebram este reconhecimento, que confirma uma história marcada por intensa ação missionária e santidade vivida segundo o espírito apostólico de Dom Bosco. “A venerabilidade de P. Vendrame, declarou o P. Pierluigi Cameorni, Postulador-Geral para as Causas dos Santos da Família Salesiana, representa o reconhecimento de um missionário da esperança entre os povos. Por meio do contato pessoal, transmitiu o amor do Coração compassivo do Senhor, convicto de que ‘o Coração de Cristo […] é o núcleo vivo do primeiro anúncio’ (Enc. Dilexit nos, 32). Alimentando-se dessa fonte, levou com ardor apostólico a mesma consolação de Deus, que abraça o mundo inteiro. Cabe ainda recordar que a venerabilidade do P. Vendrame foi reconhecida durante a novena de Pentecostes e a de Maria Auxiliadora, que neste ano coincidem. O P. Vendrame, além de ardoroso apóstolo do Sagrado Coração, foi um missionário dócil à ação do Espírito Santo e um filho devoto da Auxiliadora, no espírito de Dom Bosco Santo”. Fonte: Inspetoria Salesiana de São Paulo

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