A Auxiliadora na vida de Irmã Maria Troncatti
26/05/2025

A Auxiliadora na vida de Irmã Maria Troncatti

A Auxiliadora na vida de Irmã Maria Troncatti

O “auxílio poderoso” de Maria Auxiliadora na vida de Irmã Maria Troncatti

A Solenidade litúrgica de Maria Auxiliadora, celebrada em 24 de maio de 2025, é como a “festa da mãe” de toda a Família Salesiana.

Para as Filhas de Maria Auxiliadora, desejadas por Dom Bosco como “monumento vivo” de sua gratidão a Ela, que “fez tudo” na sua vida, esta data está ligada à própria identidade delas. Imitam Maria, inspiradora do Instituto, Mestra e Mãe, para ser como foi ela “auxiliadoras”, especialmente entre as jovens, como sugere o artigo 4 das Constituições. Ao se percorrer os relatos biográficos e as Crônicas das Casas das Filhas de Maria Auxiliadora, são inúmeros os episódios em que o recurso ao auxílio poderoso de Maria resolveu situações difíceis, protegeu contra perigos e calamidades, curou corpos e almas.

Irmã Maria Troncatti (1883–1969) também viveu uma experiência singular da proteção de Maria Auxiliadora. Em Varazze, na Ligúria, onde esteve entre 1909 e 1918, viveu um período determinante para a recuperação da saúde — que tantos problemas lhe causara nos anos anteriores — e também por dois eventos de significado relevante para ela: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), na qual a Itália entrou em 24 de maio de 1915, e um violento temporal que provocou inundações, atingindo especialmente Varazze.

A Crônica da Casa conta que em 25 de junho de 1915 a chuva torrencial não cessava. Espalhou-se a notícia de que o riacho Teiro havia transbordado. Irmã Chiara Novo e Irmã Maria, recém-chegadas de um curso para enfermeiras, estavam almoçando no térreo, enquanto as crianças e as educandas foram levadas ao primeiro andar pelas Irmãs. A sacristã correu até a sacristia para salvar os vasos sagrados. Duas irmãs a acompanharam, exortando-a a se apressar. Mas ela dizia: “Oh, antes que a água chegue aqui… eu vou me salvar pelo pátio”. A rua, do outro lado do muro, havia se tornado um rio em fúria: levava móveis, animais, troncos. A diretora havia subido ao primeiro andar e perguntava: “Estamos todos aqui?”. As crianças, assustadas, repetiam as invocações de sua professora: “Jesus, misericórdia! Maria Auxílio dos cristãos, rogai por nós.”

De repente, ao longo do trecho de rua ao lado do Instituto, o muro caiu, vencido pela força das águas. O pátio virou um mar revolto. Irmã Maria e irmã Chiara não conseguiram sair da sala antes que a água já lhes chegasse à cintura. Subiram em uma mesa que flutuava enquanto o nível da água continuava a subir. Irmã Troncatti acreditou que sua última hora havia chegado. “Mas tu deves ser missionária”, sussurrava-lhe uma voz interior. O monólogo tornou-se oração: “Maria Auxiliadora, prometo que se me salvares desta inundação, serei missionária. Prometo, mas salva também Giacomino”, isto é, seu irmão que partira para a guerra.

A mesa foi levada para fora pela corrente e chegou ao cruzamento das águas. As duas Irmãs continuavam invocando Maria. Mas, de repente, sua “jangada” virou e a água lhes chegou ao pescoço. Irmã Maria foi jogada contra a parede e tocou uma veneziana. Sem saber como, conseguiu subir e alcançou a última grade da varanda do primeiro andar. Estava salva. Mas irmã Chiara lutava desesperadamente para não ser arrastada pela correnteza. “Não, Senhora, sozinha não…”, murmurou Irmã Maria. “Irmã Chiara, agarre-se à veneziana; faça como eu fiz.” Foram momentos terríveis. Uma onda empurrou a Irmã para a janela, mas já não tinha forças. Irmã Maria, segurando-se com uma mão na grade, estendeu a outra o máximo que pôde: estavam a um palmo de distância e não conseguiam se tocar. Finalmente, por uma onda de retorno, Irmã Chiara conseguiu agarrar a ponta dos dedos de Irmã Maria… e também ela subiu na persiana.

Pularam a grade, foram até a tribuna da igreja, onde um grupo de irmãs tentava, com lençóis amarrados, salvar a sacristã, presa pelas águas. Mas não foi possível! Quando a enchente baixou, Irmã Maddalena Forzani foi encontrada morta, para grande dor de todas.

Muitos anos depois, o Sr. Cosimo Cossu, Salesiano Coadjutor, contava: “O nome de Maria Auxiliadora estava sempre nos seus lábios, mas quando contava os fatos de Varazze, o nome de Maria Auxiliadora tinha um sabor diverso! Era preciso ouvi-la: dava-lhe uma expressão que comovia. (…) Vivia a sua devoção à Virgem Auxiliadora, transmitia-a a nós, aos jovens de quem se aproximava; mas a melhor parte era, sem dúvida, para as Shuar internas e para suas coirmãs.”

De fato, a “Informatio super virtutibus” atesta: “São João Bosco foi, em seu tempo, o arauto da devoção a Maria ‘Auxílio dos cristãos’. A Serva de Deus assimilou este espírito de filial devoção, que conheceu através do Boletim Salesiano ainda jovem, depois com mais convicção e plena consciência como religiosa, orgulhando-se do título de filha de Maria Auxiliadora. E quando entrou nas missões do Oriente equatoriano, pode-se dizer que todo o Morona-Santiago foi felizmente contagiado por isso.”

Conta uma senhora: “Irmã Maria amava muito Maria Auxiliadora: ‘Invoca Maria Auxiliadora e verás a paz em casa’, dizia. Rezava muito em seu quartinho e dizia: ‘Rezai muito em vosso quarto e Deus e Maria Auxiliadora vos salvarão’.” Dizia frequentemente: “Maria, Auxílio dos cristãos, roga por nós.” Tinha sempre nos lábios: “Deus e Maria Auxiliadora”; e dirigindo-se às mães, dizia: “Deveis sempre confiar em Maria Auxiliadora.”

E outra testemunha: “Lembro-me das palavras que nos dirigia ao falar de Maria Auxiliadora, das graças e favores que concede, dos milagres (…). E quando lhes dava [aos nativos ou aos shuar]  uma imagem de Maria Auxiliadora, dizia: ‘Eu os curarei com os remédios, mas as curas verdadeiras serão feitas por Maria Auxiliadora: aqui tendes a oração’.”

Diante de tamanha confiança, a Auxiliadora nunca deixou de manifestar, de uma forma ou de outra, o seu poderoso auxílio.

Fonte: Site do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA

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Na segunda-feira passada, 12 de janeiro de 2026, algumas das principais autoridades dos Salesianos de Dom Bosco (SDB) e das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), com representantes de suas instituições acadêmicas e do Dicastério da Santa Sé encarregado dos campos da cultura e educação, se reuniram no Vaticano para uma ocasião de escuta e ponderação conjunta sobre o significado e as perspectivas da missão educativa salesiana no cenário contemporâneo. O encontro foi presidido pelo Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação. Em nome da Família Salesiana, estiveram presentes o Vigário do Reitor-Mor, P. Stefano Martoglio SDB e a Vigária da Madre Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, Ir. María del Rosario García Ribas. Também participaram os responsáveis pelas duas principais instituições universitárias da Família Salesiana: representando a Universidade Pontifícia Salesiana (UPS), o Reitor Magnífico, P. Andrea Bozzolo, acompanhado pelo Decano da área educacional da UPS, P. Antonio Dellagiulia SDB e, como representante da área universitária das FMA, a Diretora da Faculdade Auxilium, Ir. Piera Ruffinatto e a Vice-Diretora, Ir. Martha Séïde. O evento contou ainda com a participação dos dois Conselheiros Gerais para a Pastoral Juvenil: para a FMA, Ir. Runita Borja e, para os Salesianos de Dom Bosco, o P. Rafael Bejarano. O assunto focou na missão educacional e carismática que os salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora realizam conjuntamente, com ênfase nas áreas do ensino superior, nas instituições de ensino e nos centros de formação profissional. Ficou evidente que essa missão tem origem no carisma herdado de São João Bosco e Santa Maria Domingas Mazzarello, e segue direcionada, de forma prioritária, ao atendimento dos jovens mais pobres e vulneráveis. Os participantes admitiram que um dos desafios preponderantes dos dias atuais consiste em manter, de maneira autêntica, o carisma salesiano, sem negligenciar sua força profética e, ao mesmo tempo, dedicar atenção à esfera institucional das iniciativas educativas e acadêmicas. Esse cuidado é fundamental para garantir a qualidade da proposta formativa e manter um diálogo credível e fecundo com as realidades culturais, sociais e eclesiais dos países e continentes onde a Família Salesiana está presente. O diálogo com o cardeal Tolentino de Mendonça esclareceu que as instituições educativas salesianas, em particular as de ensino superior, têm a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento holístico do ser humano e para a transformação cultural, favorecendo uma perspectiva fundamentada no Evangelho e direcionada à edificação do Reino de Deus. A educação vivida no estilo salesiano foi reconhecida como um espaço privilegiado de encontro entre fé e cultura, capaz de gerar esperança, responsabilidade social e compromisso com o bem comum. A reunião foi finalizada com o compromisso mútuo de perpetuar a trajetória de cooperação entre as distintas realidades salesianas, reforçando as sinergias já estabelecidas e valorizando o legado educativo e carismático comum, a fim de que as instituições universitárias, escolares e formativas consigam responder com inovadora criatividade aos desafios do mundo atual, mantendo-se fiéis à sua origem e à sua missão em prol dos jovens. Fonte: Agência Info Salesiana

Salesianos realizam retiro anual em Campo Grande e renovam votos religiosos

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