“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus
25/10/2024

“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus

“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus
Foto: ShutterStock ID 2152059665

“'Amou-nos', diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8,37), para nos ajudar descobrir que nada ‘será capaz de separar-nos' desse amor (Rm 8,39)”. Assim começa a quarta Encíclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit “Dilexit nos” e dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus: “O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, ‘conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele’ (1 Jo 4, 16)” (1).

Conheça o texto da Encíclica na íntegra e em língua portuguesa clicando aqui.

O AMOR DE CRISTO REPRESENTADO EM SEU SANTO CORAÇÃO
Em uma sociedade - escreve o Papa - que vê a multiplicação de “várias formas de religiosidade sem referência a uma relação pessoal com um Deus de amor” (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece “a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa” (88), o Papa Francisco propõe um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Coração e nos convida a renovar nossa autêntica devoção, lembrando que no Coração de Cristo “encontramos todo o Evangelho” (89): É em seu Coração que “finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar” (30).

O MUNDO PARECE TER PERDIDO SEU CORAÇÃO
Francisco explica que, ao encontrar o amor de Cristo, “tornamo-nos capazes de tecer laços fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum”, como ele nos convida a fazer em suas encíclicas sociais Laudato Si' e Fratelli tutti (217). E diante do Coração de Cristo, pede mais uma vez ao Senhor “que tenha compaixão desta terra ferida” e derrame sobre ela “os tesouros da sua luz e do seu amor”, para que o mundo, “que sobrevive entre guerras, desequilíbrios socioeconômicos, consumismo e o uso anti-humano da tecnologia, recupere o que é mais importante e necessário: o coração” (31). Ao anunciar a preparação do documento, no final da audiência geral de 5 de junho, o Pontífice deixou claro que este ajudaria a meditar sobre os aspectos “do amor do Senhor que podem iluminar o caminho da renovação eclesial; mas também que podem dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido seu coração”. E isso enquanto as celebrações estão em andamento pelos 350 anos da primeira manifestação do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673, que se encerrarão em 27 de junho de 2025.

A IMPORTÂNCIA DE VOLTAR AO CORAÇÃO
Aberta por uma breve introdução e dividida em cinco capítulos, a Encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus reúne, como anunciado em junho, “as preciosas reflexões de textos magisteriais precedentes e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual”.

O primeiro capítulo, “A importância do coração”, explica por que é necessário “voltar ao coração” em um mundo no qual somos tentados a “nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado” (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com “coração”: a Bíblia fala dele como um núcleo “que se esconde por detrás de todas as aparências” (4), um lugar onde “não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos” (6). Ao coração conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvalorização do coração nasce do “racionalismo grego e pré-cristão, do idealismo pós-cristão e do materialismo”, de modo que, no grande pensamento filosófico, foram preferidos conceitos como “razão, vontade ou liberdade”. E não encontrando lugar para o coração, também “não se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal” que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao invés, para o Pontífice, é preciso reconhecer que “eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas” (14).

O MUNDO PODE MUDAR A PARTIR DO CORAÇÃO
É o coração “que une os fragmentos” e torna possível “qualquer vínculo autêntico, porque uma relação que não é construída com o coração não pode ultrapassar a fragmentação do individualismo” (17). A espiritualidade de santos como Inácio de Loyola (aceitar a amizade do Senhor é uma questão de coração) e São John Henry Newman (o Senhor nos salva falando ao nosso coração a partir do seu sagrado Coração) nos ensina, escreve o Papa Francisco, que “perante o Coração de Jesus vivo e atual, o nosso intelecto, iluminado pelo Espírito, compreende as palavras de Jesus” (27). E isso tem consequências sociais, porque o mundo pode mudar “a partir do coração” (28).

“GESTOS E PALAVRAS DE AMOR”
O segundo capítulo é dedicado aos gestos e palavras de amor de Cristo. Os gestos com os quais nos trata como amigos e mostra que Deus “é proximidade, compaixão e ternura” são vistos em seus encontros com a Samaritana, com Nicodemos, com a prostituta, com a mulher adúltera e com o cego no caminho (35). Seu olhar, que “perscruta as profundezas do seu ser” (39), mostra que Jesus “está atento às pessoas, às suas preocupações, ao seu sofrimento” (40). De tal forma “que admira as coisas boas que encontra em nós”, como no centurião, mesmo que os outros as ignorem (41). Sua palavra de amor mais eloquente é ser “pregado numa cruz” (46), depois de chorar por seu amigo Lázaro e sofrer no Jardim das Oliveiras, ciente de sua própria morte violenta “nas mãos daqueles que tanto amava” (45).

O MISTÉRIO DE UM CORAÇÃO QUE AMOU TANTO
No terceiro capítulo, “Este é o coração que tanto amou”, o Pontífice recorda como a Igreja reflete e refletiu no passado “sobre o santo mistério do Coração do Senhor”. Ele faz isso fazendo referência à Encíclica Haurietis aquas, de Pio XII, sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus (1956). Ele deixa claro que “a devoção ao Coração de Cristo não é o culto a um órgão separado da Pessoa de Jesus”, porque adoramos a “Jesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem sua em que se destaca o seu coração” (48). A imagem do coração de carne, ressalta o Papa, nos ajuda a contemplar, na devoção, que “o amor do coração de Jesus não compreende somente a caridade divina, mas se estende aos sentimentos do afeto humano” (61). Seu Coração, prossegue Francisco citando Bento XVI, contém um “tríplice amor”: o amor sensível do seu coração físico “e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino” (66), no qual encontramos “o infinito no finito” (64).

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS É UM COMPÊNDIO DO EVANGELHO
As visões de alguns santos, particularmente devotos do Coração de Cristo, ressalta Francisco, “são belos estímulos que podem motivar e fazer muito bem”, mas “não são algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus”. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que não se pode dizer que este culto “deve a sua origem a revelações privadas”. Aliás, “a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho” (83). O Pontífice nos convida, então, a renovar a devoção ao Coração de Cristo também para combater as “novas manifestações de uma ‘espiritualidade sem carne’” que estão se multiplicando na sociedade (87). É necessário retornar à “síntese encarnada do Evangelho” (90) diante de “comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organizações obsessivas, em projetos mundanos, em reflexões secularizadas, em várias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos” (88).

A EXPERIÊNCIA DE UM AMOR “QUE DÁ DE BEBER”
Nos dois últimos capítulos, o Papa Francisco destaca os dois aspectos que “a devoção ao Sagrado Coração deve reunir hoje para continuar a alimentar-nos e a aproximar-nos do Evangelho: a experiência espiritual pessoal e o compromisso comunitário e missionário” (91). No quarto, “O amor que dá de beber”, relê as Sagradas Escrituras e, com os primeiros cristãos, reconhece Cristo e seu lado aberto em “aquele a quem trespassaram”, a quem Deus se refere na profecia do livro de Zacarias. Uma fonte aberta para o povo, para saciar a sede do amor de Deus, “para a purificação do pecado e da impureza” (95). Vários Padres da Igreja mencionaram “a chaga no lado de Jesus como a origem da água do Espírito”, sobretudo Santo Agostinho, que “abriu o caminho para a devoção ao Sagrado Coração como lugar de encontro pessoal com o Senhor” (103).  Esse lado trespassado, recorda o Papa, “assumiu gradualmente a forma do coração” (109), e enumera várias santas mulheres que “relataram experiências de encontro com Cristo, caracterizado pelo repouso no Coração do Senhor” (110). Entre os devotos dos tempos modernos, a Encíclica fala, em primeiro lugar, de São Francisco de Sales, que representa a sua proposta de vida espiritual com um “coração trespassado por duas flechas, encerrado numa coroa de espinhos” (118)

AS APARIÇÕES A SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE
Sob a influência dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as aparições de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O núcleo da mensagem que nos é transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor” (121).

TERESA DE LISIEUX, INÁCIO DE LOYOLA E FAUSTINA KOWALSKA
De Santa Teresa de Lisieux, o documento recorda o fato de chamar Jesus de “Aquele cujo coração batia em uníssono com o meu” (134) e suas cartas à Irmã Maria, que ajudam a não concentrar a devoção ao Sagrado Coração “no âmbito da dor”, como o daqueles que entendiam a reparação como uma espécie de “primado dos sacrifícios”, mas na confiança “como a melhor oferta, agradável ao Coração de Cristo” (138). O Pontífice jesuíta também dedica algumas passagens da Encíclica ao lugar do Sagrado Coração na história da Companhia de Jesus, enfatizando que, em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio de Loyola propõe ao exercitante “entrar no Coração de Cristo” em um diálogo de coração para coração. Em dezembro de 1871, o Padre Beckx consagrou a Companhia ao Sagrado Coração de Jesus e o Padre Arrupe voltou a fazê-lo em 1972 (146). As experiências de Santa Faustina Kowalska, recorda-se, repropõem a devoção “colocando uma forte ênfase na vida gloriosa do Ressuscitado e na misericórdia divina” e, motivado por elas, São João Paulo II também “relacionou intimamente a sua reflexão sobre a misericórdia com a devoção ao Coração de Cristo” (149). Falando da “devoção da consolação”, a Encíclica explica que, diante dos sinais da Paixão conservados pelo coração do Ressuscitado, é inevitável “que o fiel queira responder” também “à dor que Cristo aceitou suportar por causa de tanto amor” (151). E pede “que ninguém ridicularize as expressões de fervor devoto do santo povo fiel de Deus, que na sua piedade popular procura consolar Cristo” (160). Pois que, então, “desejando consolá-lo, saímos consolados” e assim “também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação” (162).

A DEVOÇÃO AO CORAÇÃO DE CRISTO NOS ENVIA AOS IRMÃOS
O quinto e último capítulo, “Amor por amor”, aprofunda a dimensão comunitária, social e missionária de toda autêntica devoção ao Coração de Cristo, que, ao mesmo tempo que “nos conduz ao Pai, envia-nos aos irmãos” (163). De fato, o amor aos irmãos é o “maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor” (167). Olhando para a história da espiritualidade, o Pontífice recorda que o empenho missionário de São Charles de Foucauld fez dele um “irmão universal”: “deixando-se plasmar pelo Coração de Cristo, quis abraçar no seu coração fraterno toda a humanidade sofredora” (179). Francisco fala então de “reparação”, como explicava São João Paulo II: “entregando-nos em conjunto ao Coração de Cristo, ‘sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e pela violência, poderá ser construída a civilização do amor tão desejada, o Reino do Coração de Cristo’” (182).

A MISSÃO DE FAZER O MUNDO SE APAIXONAR
A Encíclica recorda novamente com São João Paulo II que “a consagração ao Coração de Cristo ‘deve ser aproximada à ação missionária da própria Igreja, porque responde ao desejo do Coração de Jesus de propagar no mundo, através dos membros do seu Corpo, a sua total dedicação ao Reino’. Por conseguinte, através dos cristãos, ‘o amor difundir-se-á no coração dos homens, para que se construa o Corpo de Cristo que é a Igreja e se edifique uma sociedade de justiça, de paz e de fraternidade’” (206). Para evitar o grande risco, sublinhado por São Paulo VI, de que na missão “se digam e façam muitas coisas, mas não se consiga promover o encontro feliz com o amor de Cristo” (208), precisamos de “missionários apaixonados, que se deixem cativar por Cristo” (209).

A ORAÇÃO DE FRANCISCO
O texto se conclui com a seguinte oração de Francisco: “Peço ao Senhor Jesus Cristo que, para todos nós, do seu Coração santo brotem rios de água viva para curar as feridas que nos infligimos, para reforçar a nossa capacidade de amar e servir, para nos impulsionar a fim de aprendermos a caminhar juntos em direção a um mundo justo, solidário e fraterno. Isto até que, com alegria, celebremos unidos o banquete do Reino celeste. Aí estará Cristo ressuscitado, harmonizando todas as nossas diferenças com a luz que brota incessantemente do seu Coração aberto. Bendito seja!” (220).

Fonte: Vatican News / Escrito por Alessandro Di Bussolo

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Senado Federal reconhece trajetória de salesiana que dedicou 71 anos à educação, à saúde e à promoção humana

Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel, Filha de Maria Auxiliadora, recebeu a Comenda Santa Dulce dos Pobres em cerimônia realizada no Plenário do Senado Federal Uma vida dedicada a transformar realidades por meio da educação, da fé e do compromisso com os mais vulneráveis. Foi esse legado que levou a salesiana Irmã Maria Nilda Cavalcante Rangel, Filha de Maria Auxiliadora, a receber, nesta terça-feira (16), a Comenda Santa Dulce dos Pobres, uma das mais importantes homenagens concedidas pelo Senado Federal a personalidades e instituições que prestam relevantes serviços na área social da saúde. A cerimônia foi realizada no Plenário do Senado Federal, em Brasília, e reuniu autoridades, parlamentares e convidados para reconhecer iniciativas inspiradas pelo exemplo de Santa Dulce dos Pobres, uma das referências brasileira de solidariedade e cuidado com aqueles que mais necessitam. 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Dessa inquietação nasceu, na cidade de Lins (SP), o Centro de Estudos do Menor e Integração na Comunidade (CEMIC), obra social que se tornou referência nacional no atendimento a crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade e que chegou a ser o primeiro projeto da Unicef implantado no Brasil. "A gente foi para as ruas, para as praças, para debaixo das árvores. Fomos atrás das autoridades. Era um grupo que realmente queria transformar aquela realidade", recordou a religiosa. Ao longo dos anos, a obra cresceu, ampliou parcerias e passou a oferecer formação profissional, projetos educacionais, culturais e de inclusão digital, impactando milhares de vidas. Educação, saúde e compromisso social Além de sua contribuição para a área social, Irmã Maria Nilda construiu uma sólida trajetória na educação brasileira. Professora universitária por mais de 40 anos, participou da implantação de políticas educacionais em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, atuando em funções estratégicas na gestão pública educacional. Sua missão também alcançou a área da saúde. Como gestora do Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, em Três Lagoas (MS), liderou importantes processos de modernização administrativa, ampliação da infraestrutura hospitalar e fortalecimento da qualidade assistencial. Mesmo durante a pandemia de Covid-19, já aos 86 anos, retornou à instituição para contribuir com os desafios enfrentados pelo hospital em um dos períodos mais críticos da saúde pública brasileira. "São 71 anos de vida religiosa dedicados à educação, à saúde, às obras sociais e ao serviço social", afirmou emocionada. Reconhecimento à missão salesiana Ao entregar a homenagem, o senador Nelsinho Trad destacou a contribuição da religiosa para a formação de gerações de estudantes e para o fortalecimento de iniciativas sociais e de saúde no Mato Grosso do Sul. Em seu pronunciamento, o parlamentar também recordou a relação construída ao longo de décadas com a religiosa e ressaltou o testemunho de vida que ela representa para a sociedade. "Estou muito emocionado por proporcionar este reconhecimento à Irmã Nilda. Sua trajetória é um exemplo de dedicação ao próximo, de amor ao serviço e de compromisso com as pessoas que mais precisam", afirmou. Uma homenagem que celebra milhares de vidas transformadas Para as Filhas de Maria Auxiliadora, a Comenda Santa Dulce dos Pobres representa mais do que uma homenagem individual. O reconhecimento prestado pelo Senado Federal evidencia a força de uma missão educativa e evangelizadora que, há mais de 150 anos, transforma vidas em diferentes partes do mundo. Na figura de Irmã Maria Nilda, o Senado reconheceu também a presença das Salesianas que diariamente atuam em escolas, obras sociais, hospitais, comunidades e projetos de promoção humana, levando adiante o legado de Dom Bosco e Madre Mazzarello. Ao final de sua fala, a religiosa resumiu o sentido de sua caminhada com uma mensagem de gratidão e fé: "Deus se serve de instrumentos, e todos nós somos instrumentos de Deus. Quando nos colocamos a serviço, Ele nos prepara para fazer o bem." Uma vida inteira dedicada ao cuidado com o próximo que, agora, passa a integrar a história das homenagens concedidas pela mais alta Casa Legislativa do país. Clique e assista no youtube ou abaixo a sessão de premiações e condecorações para a entrega da Comenda Santa Dulce dos Pobres Crédito das imagens: Geraldo Magela/Agência Senado e Assessoria de comunicação da Rede Salesiana Brasil

«Preservar vozes e rostos humanos»: Comunicadores refletem sobre “uma possível aliança” na era da Inteligência Artificial

Na manhã do dia 9 de junho, memória de São José de Anchieta, Apóstolo e Padroeiro do Brasil, aconteceu a reunião em formato online para os comunicadores e colaboradores de Comunicação da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP), de São Paulo (SP). O encontro, previsto no calendário inspetorial, reuniu 28 comunicadores responsáveis pela comunicação nas escolas, obras sociais, hospital e faculdade. Contou com a presença e apoio de Irmã Ivone Marcuzo, conselheira inspetorial da BAP e referente para a Comunicação, e foi coordenado por Irmã Maike Loes, coordenadora inspetorial de Comunicação, e Andréa Pereira, assessora de Comunicação. A novidade deste encontro geral de Comunicação, o único do primeiro semestre de 2026 neste formato, foi a palestra conduzida por Cícero Albuquerque, coordenador inspetorial de Comunicação da Inspetoria Madre Mazzarello (BMM), de Belo Horizonte, que tratou sobre a mensagem do Papa Leão XIV para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais (DMCS). Neste ano em que o DMCS celebra sua maturidade — afinal são 60 anos abordando temas comunicativos sem interrupção desde a sua criação, em 1966 —, na mensagem intitulada “Preservar vozes e rostos humanos”, o Papa Leão XIV deu amplo espaço para refletir sobre o progresso da civilização e o avanço das tecnologias, especialmente da inteligência artificial. Inicialmente, Irmã Maike apresentou uma contextualização sobre o DMCS, sua criação e seus desdobramentos e, em seguida, Cícero abordou, em linhas gerais, o tema da mensagem, detendo-se de modo especial na terceira parte: “Uma possível aliança”. Segundo Cícero, «“Uma possível aliança” é um trecho que eu particularmente me conectei bastante porque ele traz todo um cenário que a gente vivencia hoje». Para Cícero, quando o Papa Leão XIV propõe “uma possível aliança”, o foco está num «olhar de esperança, que precisamos exercitar o tempo todo. Mais uma vez, nós da comunicação, acabamos tendo que colocar esse olhar de esperança em basicamente tudo que fazemos, porque se olhamos só para o cenário, muitas vezes ele não parece tão positivo», e aí cada um «precisa trazer esse olhar de esperança para fazer com que essas propostas e essas vivências do nosso tempo atendam de uma forma positiva aos ambientes, aos lugares, aos nossos destinatários, enfim, à juventude de maneira geral». Cícero destacou com muita propriedade os três pilares indicados por Papa Leão XIV para que esta aliança seja possível, para que as pessoas sejam protagonistas no processo de interação com a inteligência artificial e não dominadas ou guiadas por ela. Ao mencionar e explanar sobre os três pilares — responsabilidade, colaboração e educação —, Cícero chamou em causa a Educomunicação, uma marca da Família Salesiana que educa comunicando e comunica educando! «Um tema que para nós é muito importante, que é a Educomunicação. Todos nós temos de alguma forma essa vivência com a Educomunicação enquanto área de conhecimento, talvez muito mais na nossa prática do que no entendimento racional do estudo da comunicação.» A Educomunicação «é uma área que é bastante cara para a congregação. A vida salesiana tem um olhar muito voltado para a Educomunicação e isso se conecta também diretamente com a mensagem do Papa Leão XIV». Cícero destacou a necessidade de «ter esse olhar crítico para aquilo que estamos fazendo». «Quando ele [o Papa] fala dessa literacia, é exatamente isso: inserir esse ensinamento, esse jeito de lidar, inclusive, nos nossos processos pedagógicos [...] isso precisa estar integrado aos nossos sistemas de ensino». Ao mencionar a Educomunicação, Cícero incentivou os comunicadores da BAP a buscarem caminhos novos que possibilitem criar projetos voltados para o desenvolvimento do pensamento crítico. Segundo Irmã Maike, «a partilha que o Cícero fez hoje com os nossos comunicadores foi muito prática. Ele conseguiu fazer conexões com o nosso cotidiano, falou sobre a Educomunicação, ligou o tema da mensagem do Papa com o material didático da Rede Salesiana, com os “Bons-dias” e “Boas-tardes”, com os conteúdos do ENARSE, e também com o pátio, lugar privilegiado para o educador salesiano». Para a coordenadora inspetorial de Comunicação, o que mais impactou durante a fala do Cícero foi a questão da formação do pensamento crítico: «é uma chamada muito grande para que nós vivamos um dos elementos do tripé do Sistema Preventivo, que é a razão. Às vezes, nós temos muito forte a questão da religião, da espiritualidade; temos também o aspecto do afetivo, da bondade, do carinho, da amorevolezza, mas às vezes nós estamos precisando dar uma injeção maior no uso da razão, porque nós somos seres inteligentes, nós somos seres pensantes», concluiu Irmã Maike. Ao final deste primeiro momento, o grupo interagiu pelo chat destacando pontos relevantes da mensagem do Papa Leão XIV: “Responsabilidade, transparência e formação crítica.” “A IA deve servir e não nos dominar.” “Transparência gera confiança.” “Sermos nós os protagonistas!” “A informação é um bem público.” “A educação é o caminho para formar a consciência crítica. Sem pensamento crítico, não há liberdade.” “A responsabilidade com a IA começa nas escolhas humanas.” “O financeiro não pode sobrepor o valor das pessoas.” “Formar pessoas livres é nossa missão.” “Gostei muito quando ele falou sobre a transparência, e a IA não deve nos dominar e sim ser uma forma de ferramenta facilitadora.” “A informação precisa ser apurada e validada com clareza, não podendo ser simplesmente criada por IA sem conferência e análise crítica.” Após os agradecimentos a Cícero pela disponibilidade e pela partilha, feita com extrema dedicação e muita competência, o grupo permaneceu em reunião e foram tratados assuntos específicos do Âmbito da Comunicação, sobre as rotinas, entregas diárias, processos e planejamento para os próximos meses. Fonte: Assessoria de comunicação da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida - BAP

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