“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus
25/10/2024

“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus

“Amou-nos”, a Encíclica do Papa sobre o Sagrado Coração de Jesus
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“'Amou-nos', diz São Paulo referindo-se a Cristo (Rm 8,37), para nos ajudar descobrir que nada ‘será capaz de separar-nos' desse amor (Rm 8,39)”. Assim começa a quarta Encíclica do Papa Francisco, intitulada a partir do incipit “Dilexit nos” e dedicada ao amor humano e divino do Coração de Jesus: “O seu coração aberto precede-nos e espera-nos incondicionalmente, sem exigir qualquer pré-requisito para nos amar e oferecer a sua amizade: Ele amou-nos primeiro (cf. 1 Jo 4, 10). Graças a Jesus, ‘conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele’ (1 Jo 4, 16)” (1).

Conheça o texto da Encíclica na íntegra e em língua portuguesa clicando aqui.

O AMOR DE CRISTO REPRESENTADO EM SEU SANTO CORAÇÃO
Em uma sociedade - escreve o Papa - que vê a multiplicação de “várias formas de religiosidade sem referência a uma relação pessoal com um Deus de amor” (87), enquanto o cristianismo muitas vezes esquece “a ternura da fé, a alegria do serviço, o fervor da missão pessoa-a-pessoa” (88), o Papa Francisco propõe um novo aprofundamento sobre o amor de Cristo representado em seu santo Coração e nos convida a renovar nossa autêntica devoção, lembrando que no Coração de Cristo “encontramos todo o Evangelho” (89): É em seu Coração que “finalmente nos reconhecemos e aprendemos a amar” (30).

O MUNDO PARECE TER PERDIDO SEU CORAÇÃO
Francisco explica que, ao encontrar o amor de Cristo, “tornamo-nos capazes de tecer laços fraternos, de reconhecer a dignidade de cada ser humano e de cuidar juntos da nossa casa comum”, como ele nos convida a fazer em suas encíclicas sociais Laudato Si' e Fratelli tutti (217). E diante do Coração de Cristo, pede mais uma vez ao Senhor “que tenha compaixão desta terra ferida” e derrame sobre ela “os tesouros da sua luz e do seu amor”, para que o mundo, “que sobrevive entre guerras, desequilíbrios socioeconômicos, consumismo e o uso anti-humano da tecnologia, recupere o que é mais importante e necessário: o coração” (31). Ao anunciar a preparação do documento, no final da audiência geral de 5 de junho, o Pontífice deixou claro que este ajudaria a meditar sobre os aspectos “do amor do Senhor que podem iluminar o caminho da renovação eclesial; mas também que podem dizer algo significativo a um mundo que parece ter perdido seu coração”. E isso enquanto as celebrações estão em andamento pelos 350 anos da primeira manifestação do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque, em 1673, que se encerrarão em 27 de junho de 2025.

A IMPORTÂNCIA DE VOLTAR AO CORAÇÃO
Aberta por uma breve introdução e dividida em cinco capítulos, a Encíclica sobre o culto ao Sagrado Coração de Jesus reúne, como anunciado em junho, “as preciosas reflexões de textos magisteriais precedentes e de uma longa história que remonta às Sagradas Escrituras, para repropor hoje, a toda a Igreja, esse culto carregado de beleza espiritual”.

O primeiro capítulo, “A importância do coração”, explica por que é necessário “voltar ao coração” em um mundo no qual somos tentados a “nos tornarmos consumistas insaciáveis e escravos na engrenagem de um mercado” (2). E faz isso analisando o que queremos dizer com “coração”: a Bíblia fala dele como um núcleo “que se esconde por detrás de todas as aparências” (4), um lugar onde “não conta o que mostramos exteriormente ou o que ocultamos, ali conta o que somos” (6). Ao coração conduzem as perguntas decisivas: que sentido quero dar à vida, às minhas escolhas e ações, quem sou diante de Deus (8). O Papa ressalta que a atual desvalorização do coração nasce do “racionalismo grego e pré-cristão, do idealismo pós-cristão e do materialismo”, de modo que, no grande pensamento filosófico, foram preferidos conceitos como “razão, vontade ou liberdade”. E não encontrando lugar para o coração, também “não se desenvolveu suficientemente a ideia de um centro pessoal” que pode unificar tudo, ou seja, o amor, (10). Ao invés, para o Pontífice, é preciso reconhecer que “eu sou o meu coração, porque é ele que me distingue, que me molda na minha identidade espiritual e que me põe em comunhão com as outras pessoas” (14).

O MUNDO PODE MUDAR A PARTIR DO CORAÇÃO
É o coração “que une os fragmentos” e torna possível “qualquer vínculo autêntico, porque uma relação que não é construída com o coração não pode ultrapassar a fragmentação do individualismo” (17). A espiritualidade de santos como Inácio de Loyola (aceitar a amizade do Senhor é uma questão de coração) e São John Henry Newman (o Senhor nos salva falando ao nosso coração a partir do seu sagrado Coração) nos ensina, escreve o Papa Francisco, que “perante o Coração de Jesus vivo e atual, o nosso intelecto, iluminado pelo Espírito, compreende as palavras de Jesus” (27). E isso tem consequências sociais, porque o mundo pode mudar “a partir do coração” (28).

“GESTOS E PALAVRAS DE AMOR”
O segundo capítulo é dedicado aos gestos e palavras de amor de Cristo. Os gestos com os quais nos trata como amigos e mostra que Deus “é proximidade, compaixão e ternura” são vistos em seus encontros com a Samaritana, com Nicodemos, com a prostituta, com a mulher adúltera e com o cego no caminho (35). Seu olhar, que “perscruta as profundezas do seu ser” (39), mostra que Jesus “está atento às pessoas, às suas preocupações, ao seu sofrimento” (40). De tal forma “que admira as coisas boas que encontra em nós”, como no centurião, mesmo que os outros as ignorem (41). Sua palavra de amor mais eloquente é ser “pregado numa cruz” (46), depois de chorar por seu amigo Lázaro e sofrer no Jardim das Oliveiras, ciente de sua própria morte violenta “nas mãos daqueles que tanto amava” (45).

O MISTÉRIO DE UM CORAÇÃO QUE AMOU TANTO
No terceiro capítulo, “Este é o coração que tanto amou”, o Pontífice recorda como a Igreja reflete e refletiu no passado “sobre o santo mistério do Coração do Senhor”. Ele faz isso fazendo referência à Encíclica Haurietis aquas, de Pio XII, sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus (1956). Ele deixa claro que “a devoção ao Coração de Cristo não é o culto a um órgão separado da Pessoa de Jesus”, porque adoramos a “Jesus Cristo por inteiro, o Filho de Deus feito homem, representado numa imagem sua em que se destaca o seu coração” (48). A imagem do coração de carne, ressalta o Papa, nos ajuda a contemplar, na devoção, que “o amor do coração de Jesus não compreende somente a caridade divina, mas se estende aos sentimentos do afeto humano” (61). Seu Coração, prossegue Francisco citando Bento XVI, contém um “tríplice amor”: o amor sensível do seu coração físico “e o seu duplo amor espiritual, o humano e o divino” (66), no qual encontramos “o infinito no finito” (64).

O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS É UM COMPÊNDIO DO EVANGELHO
As visões de alguns santos, particularmente devotos do Coração de Cristo, ressalta Francisco, “são belos estímulos que podem motivar e fazer muito bem”, mas “não são algo em que os crentes sejam obrigados a acreditar como se fossem a Palavra de Deus”. Em seguida, o Papa lembra com Pio XII que não se pode dizer que este culto “deve a sua origem a revelações privadas”. Aliás, “a devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã, na medida em que significa a nossa abertura, cheia de fé e de adoração, ao mistério do amor divino e humano do Senhor, até ao ponto de podermos voltar a afirmar que o Sagrado Coração é um compêndio do Evangelho” (83). O Pontífice nos convida, então, a renovar a devoção ao Coração de Cristo também para combater as “novas manifestações de uma ‘espiritualidade sem carne’” que estão se multiplicando na sociedade (87). É necessário retornar à “síntese encarnada do Evangelho” (90) diante de “comunidades e pastores concentrados apenas em atividades exteriores, em reformas estruturais desprovidas de Evangelho, em organizações obsessivas, em projetos mundanos, em reflexões secularizadas, em várias propostas apresentadas como requisitos que, por vezes, se pretendem impor a todos” (88).

A EXPERIÊNCIA DE UM AMOR “QUE DÁ DE BEBER”
Nos dois últimos capítulos, o Papa Francisco destaca os dois aspectos que “a devoção ao Sagrado Coração deve reunir hoje para continuar a alimentar-nos e a aproximar-nos do Evangelho: a experiência espiritual pessoal e o compromisso comunitário e missionário” (91). No quarto, “O amor que dá de beber”, relê as Sagradas Escrituras e, com os primeiros cristãos, reconhece Cristo e seu lado aberto em “aquele a quem trespassaram”, a quem Deus se refere na profecia do livro de Zacarias. Uma fonte aberta para o povo, para saciar a sede do amor de Deus, “para a purificação do pecado e da impureza” (95). Vários Padres da Igreja mencionaram “a chaga no lado de Jesus como a origem da água do Espírito”, sobretudo Santo Agostinho, que “abriu o caminho para a devoção ao Sagrado Coração como lugar de encontro pessoal com o Senhor” (103).  Esse lado trespassado, recorda o Papa, “assumiu gradualmente a forma do coração” (109), e enumera várias santas mulheres que “relataram experiências de encontro com Cristo, caracterizado pelo repouso no Coração do Senhor” (110). Entre os devotos dos tempos modernos, a Encíclica fala, em primeiro lugar, de São Francisco de Sales, que representa a sua proposta de vida espiritual com um “coração trespassado por duas flechas, encerrado numa coroa de espinhos” (118)

AS APARIÇÕES A SANTA MARGARIDA MARIA ALACOQUE
Sob a influência dessa espiritualidade, Santa Margarida Maria Alacoque relata as aparições de Jesus em Paray-le-Monial, entre o fim de dezembro de 1673 e junho de 1675. O núcleo da mensagem que nos é transmitida pode ser resumido nas palavras que Santa Margarida ouviu: “Eis aqui este Coração que tanto tem amado os homens, que a nada se tem poupado até se esgotar e consumir para lhes testemunhar o seu amor” (121).

TERESA DE LISIEUX, INÁCIO DE LOYOLA E FAUSTINA KOWALSKA
De Santa Teresa de Lisieux, o documento recorda o fato de chamar Jesus de “Aquele cujo coração batia em uníssono com o meu” (134) e suas cartas à Irmã Maria, que ajudam a não concentrar a devoção ao Sagrado Coração “no âmbito da dor”, como o daqueles que entendiam a reparação como uma espécie de “primado dos sacrifícios”, mas na confiança “como a melhor oferta, agradável ao Coração de Cristo” (138). O Pontífice jesuíta também dedica algumas passagens da Encíclica ao lugar do Sagrado Coração na história da Companhia de Jesus, enfatizando que, em seus Exercícios Espirituais, Santo Inácio de Loyola propõe ao exercitante “entrar no Coração de Cristo” em um diálogo de coração para coração. Em dezembro de 1871, o Padre Beckx consagrou a Companhia ao Sagrado Coração de Jesus e o Padre Arrupe voltou a fazê-lo em 1972 (146). As experiências de Santa Faustina Kowalska, recorda-se, repropõem a devoção “colocando uma forte ênfase na vida gloriosa do Ressuscitado e na misericórdia divina” e, motivado por elas, São João Paulo II também “relacionou intimamente a sua reflexão sobre a misericórdia com a devoção ao Coração de Cristo” (149). Falando da “devoção da consolação”, a Encíclica explica que, diante dos sinais da Paixão conservados pelo coração do Ressuscitado, é inevitável “que o fiel queira responder” também “à dor que Cristo aceitou suportar por causa de tanto amor” (151). E pede “que ninguém ridicularize as expressões de fervor devoto do santo povo fiel de Deus, que na sua piedade popular procura consolar Cristo” (160). Pois que, então, “desejando consolá-lo, saímos consolados” e assim “também nós possamos consolar aqueles que estão em qualquer tribulação” (162).

A DEVOÇÃO AO CORAÇÃO DE CRISTO NOS ENVIA AOS IRMÃOS
O quinto e último capítulo, “Amor por amor”, aprofunda a dimensão comunitária, social e missionária de toda autêntica devoção ao Coração de Cristo, que, ao mesmo tempo que “nos conduz ao Pai, envia-nos aos irmãos” (163). De fato, o amor aos irmãos é o “maior gesto que possamos oferecer-lhe para retribuir amor por amor” (167). Olhando para a história da espiritualidade, o Pontífice recorda que o empenho missionário de São Charles de Foucauld fez dele um “irmão universal”: “deixando-se plasmar pelo Coração de Cristo, quis abraçar no seu coração fraterno toda a humanidade sofredora” (179). Francisco fala então de “reparação”, como explicava São João Paulo II: “entregando-nos em conjunto ao Coração de Cristo, ‘sobre as ruínas acumuladas pelo ódio e pela violência, poderá ser construída a civilização do amor tão desejada, o Reino do Coração de Cristo’” (182).

A MISSÃO DE FAZER O MUNDO SE APAIXONAR
A Encíclica recorda novamente com São João Paulo II que “a consagração ao Coração de Cristo ‘deve ser aproximada à ação missionária da própria Igreja, porque responde ao desejo do Coração de Jesus de propagar no mundo, através dos membros do seu Corpo, a sua total dedicação ao Reino’. Por conseguinte, através dos cristãos, ‘o amor difundir-se-á no coração dos homens, para que se construa o Corpo de Cristo que é a Igreja e se edifique uma sociedade de justiça, de paz e de fraternidade’” (206). Para evitar o grande risco, sublinhado por São Paulo VI, de que na missão “se digam e façam muitas coisas, mas não se consiga promover o encontro feliz com o amor de Cristo” (208), precisamos de “missionários apaixonados, que se deixem cativar por Cristo” (209).

A ORAÇÃO DE FRANCISCO
O texto se conclui com a seguinte oração de Francisco: “Peço ao Senhor Jesus Cristo que, para todos nós, do seu Coração santo brotem rios de água viva para curar as feridas que nos infligimos, para reforçar a nossa capacidade de amar e servir, para nos impulsionar a fim de aprendermos a caminhar juntos em direção a um mundo justo, solidário e fraterno. Isto até que, com alegria, celebremos unidos o banquete do Reino celeste. Aí estará Cristo ressuscitado, harmonizando todas as nossas diferenças com a luz que brota incessantemente do seu Coração aberto. Bendito seja!” (220).

Fonte: Vatican News / Escrito por Alessandro Di Bussolo

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Em homenagem às Irmãs Salesianas, música marca o 5 de agosto das FMA

O Âmbito da Comunicação da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP), de São Paulo, encontrou-se com Lucas Nistler, um jovem em período de discernimento que está fazendo uma experiência formativa com os Salesianos de Dom Bosco. Lucas Nistler é natural do estado de Santa Catarina, especificamente da cidade de Lontras, e atualmente, na condição de noviço, mora e estuda em Jaboatão dos Guararapes (PE), na comunidade Salesiana São Sebastião. Neste encontro com Lucas, um bate-papo “musical” interessante! Âmbito da Comunicação: Quem é Lucas Nistler? Lucas Nistler: Sou filho de Marcelo e Roseli Aparecida, tenho um irmão chamado Miguel. Nasci em 19/12/2000 e sempre fui muito criativo em minhas brincadeiras e expressões, o que depois se estendeu para o ramo musical e hoje é minha maior ferramenta na evangelização.Minha caminhada com a música vem do berço onde, desde muito novo, cantava e dançava com meus familiares; aos 12 anos comecei a aprender a tocar acordeom e isso mudou completamente a minha vida. Aos 15 já ministrava algumas aulas e animava algumas festas como músico. Com o passar do tempo, a música se tornou a minha profissão e companheira inseparável de vida.Foi através da música que cheguei a uma escola salesiana como educador, depois me encantando com a Pastoral Juvenil e, em seguida, com o desabrochar da minha vocação salesiana.  Âmbito da Comunicação: Você toca diversos instrumentos, estudou música, toca e canta, é compositor. O que a música representa para você? Qual espaço ela ocupa em sua vida e em sua rotina? 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154 Anos do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora: Um legado vivo de fé, educação e gratidão

Fundado em 5 de agosto de 1872, o Instituto das FMA celebra mais de um século e meio de dedicação e transformação na vida de crianças, adolescentes e jovens em todo o mundo. Neste dia 5 de agosto, a Família Salesiana de todo o mundo celebra os 154 anos de fundação do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), também conhecidas como Irmãs Salesianas. A data marca uma história centenária de doação, evangelização e promoção humana, nascida do sonho compartilhado entre São João Bosco e Santa Maria Domingas Mazzarello. A criação do Instituto é fruto de uma profunda sintonia espiritual e profética. Dom Bosco, movido pelo desejo de expandir sua obra educativa e de formação cristã para alcançar também as meninas e jovens mulheres em situação de vulnerabilidade, encontrou em Mornese, na Itália, a colaboradora ideal. Maria Domingas Mazzarello, jovem de fé sólida e olhar atento às necessidades locais, já dedicava sua vida ao acolhimento e ensino das meninas de sua comunidade. A união entre a visão apostólica de Dom Bosco e a sensibilidade maternal e comunitária de Madre Mazzarello deu origem a uma congregação que rapidamente cruzou fronteiras e hoje está presente nos cinco continentes. Educação Integral e Presença Transformadora Desde a sua origem, o Instituto das FMA tem como pilar fundamental a educação integral da juventude. Guiadas pelo Sistema Preventivo e inspiradas pelo carisma salesiano, as Irmãs Salesianas atuam em escolas, obras sociais, centros de formação profissional, universidades e missões, construindo ambientes seguros onde a fé, a razão e a amorevolezza se traduzem em oportunidades reais de desenvolvimento para as novas gerações. No Brasil, a presença das FMA é historicamente marcante, sendo parte essencial da consolidação e expansão da Rede Salesiana Brasil (RSB) e do fortalecimento da ação social e pedagógica em todas as regiões do país. O "Monumento Vivo de Gratidão" a Nossa Senhora Um dos traços mais marcantes da identidade do Instituto é o desejo expresso por seu fundador. Dom Bosco quis que as FMA fossem um verdadeiro "monumento vivo" de sua gratidão a Nossa Senhora Auxiliadora. Esse título não representa apenas uma homenagem simbólica, mas uma missão diária. A espiritualidade mariana é o coração que pulsa em cada comunidade das FMA. Ao reconhecerem Maria como mãe, guia e mestra, as Irmãs Salesianas renovam cotidianamente o compromisso de ser a presença materna de Nossa Senhora na vida de cada criança e jovem confiados aos seus cuidados. Aos 154 anos de história, o Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora reafirma sua vitalidade e atualidade, provando que o legado de Dom Bosco e Madre Mazzarello continua a gerar frutos de esperança, cidadania e santidade no mundo contemporâneo. Por Janaina Lima, com apoio da equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil  

Dia do Padre: A paternidade sacerdotal que transforma vidas nas diversas frentes da RSB

No dia 4 de agosto, a RSB celebra a vocação de seus sacerdotes que, a exemplo de Dom Bosco, dedicam suas vidas a amar, educar e evangelizar as juventudes. "Basta que sejais jovens para que eu vos ame de todo o coração." A icônica frase de São João Bosco sintetiza a essência do sacerdócio salesiano: uma vocação pautada pelo amor incondicional, pela presença marcante e pelo cuidado com as novas gerações. Neste dia 4 de agosto, Dia do Padre, a Rede Salesiana Brasil (RSB) rende homenagens aos seus sacerdotes, homens que transformam o pátio, as salas de aula, as rádios, as obras sociais, os meios impressos e os altares em verdadeiros espaços de acolhida e santidade. Para celebrar a data, confira os testemunhos de padres salesianos que atuam nas mais diversas frentes missionárias do Brasil. Eles compartilham a alegria do “sim”, o cotidiano do serviço e mensagens inspiradoras para a juventude. Direção Executiva da RSB Com a palavra: Pe. Sergio Augusto Baldin Júnior (Diretor Executivo da RSB) Exercer a paternidade sacerdotal no âmbito da gestão e da liderança nacional da Rede Salesiana Brasil traz o desafio de manter o coração focado em Cristo e nas juventudes, mesmo diante das exigências administrativas. Para o Pe. Sérgio Baldin, o ponto de partida de toda a ação pastoral e institucional deve ser o próprio Evangelho: "O seguimento de Cristo precisa sempre continuar a ser a fonte e a meta final da consagração religiosa. O amor e a dedicação à juventude, necessariamente, precisam estar ligados a Cristo", pondera o Diretor Executivo. Sobre a missão de conduzir a articulação estratégica da RSB no país, Pe. Sérgio destaca a responsabilidade e a confiança de que todo o esforço de gestão fortalece a ponta da missão salesiana: "É um desafio, pois a responsabilidade administrativa e de articulação não permitem um contato quotidiano com a missão salesiana a ser realizada. Permanece a confiança de que todo este empenho estratégico da realização da missão auxilie no desenvolvimento e na fidelidade salesiana nos diversos espaços de nossa missão no Brasil." Aos jovens que buscam compreender a sua vocação, o sacerdote deixa uma orientação valiosa para o processo de escolha de vida: "Realizar um profundo discernimento pessoal e comunitário, tendo como critério o seguimento de Jesus e o serviço à Igreja e ao povo de Deus, particularmente nas parcelas mais vulneráveis das juventudes. Aqui, nestes aspectos, reside uma grande parte do chamado e da resposta vocacional." Pe. Sérgio Baldin Escolas Salesianas: A Presença Educadora e o Sacerdócio de Pátio Com a palavra: Pe. Roque Luiz Sibioni (Diretor-Geral da Presença Salesiana em Americana) Para o Pe. Roque, o sacerdócio salesiano é indissociável da convivência diária com as juventudes. "A vocação salesiana é impossível de ser vivida, na sua essência e inteireza, senão no contato com os jovens", afirma. Ele destaca que estar presente no ambiente escolar exige escuta e estudo para acolher os estudantes em suas dores, incertezas e sonhos. Ao falar sobre o desafio de conciliar a gestão e a animação pastoral em uma escola de excelência, Pe. Roque reforça que o grande diferencial salesiano é a corresponsabilidade: "Quando entendemos e implantamos a proposta de uma escola de excelência em pastoral, todos os agentes educacionais (pedagógico e administrativo) tornam-se corresponsáveis com a educação e a evangelização no ambiente escolar [...], para que todos os alunos sintam-se acolhidos e acompanhados em seus desenvolvimentos humano, acadêmico, existencial e espiritual." Aos jovens que sentem o chamado para a vida religiosa, o salesiano deixa um convite à coragem: "Se você, jovem, sente no seu coração o chamado de Deus para a vida de consagração religiosa, não tenha medo, confie em Deus, dê o seu ‘sim’ alegre e generoso." Pe. Roque Luiz Sibioni Rádios Salesianas: A Evangelização Sem Fronteiras Com a palavra: Pe. João Carlos Ribeiro Rodrigues (Coordenador Inspetorial de Comunicação da Inspetoria São Luiz Gonzaga) Inspirado pelo empenho de Dom Bosco em utilizar os meios de comunicação de sua época para alcançar as famílias e a sociedade, Pe. João Carlos enxerga no rádio um espaço privilegiado de escuta e evangelização. "O rádio continua a ser um bom companheiro, uma escola popular para a compreensão da realidade e um espaço de manifestação e crescimento dos seus ouvintes. O padre, em suas funções de evangelizador, de sacerdote e de animador da missão, encontra no rádio um espaço especial para o exercício salesiano de sua vocação", destaca. Ao enviar sua mensagem aos vocacionados, o sacerdote ressalta que a vocação nasce do amor de Deus e pede ousadia: "A primeira mensagem é que estejam atentos ao chamado de Deus. [...] A segunda é que sejam corajosos e generosos na resposta. O medo paralisa e nos faz perder as oportunidades. O chamado de Deus é um ato de amor e confiança em nós." Pe. João Carlos Ribeiro Rodrigues Boletim Salesiano: Comunicação a Serviço da Missão Com a palavra: Pe. Tarcizio Paulo Odelli (Diretor Nacional do Boletim Salesiano Brasil) Prestes a celebrar 150 anos de fundação, o Boletim Salesiano (BS) continua sendo a "presença viva" de Dom Bosco nas casas e corações pelo mundo. Pe. Tarcizio relata sua alegria de cumprir o seu lema sacerdotal: “Comunicar o evangelho aos simples”, por meio das páginas e plataformas da publicação. "Não se trata somente de uma revista a mais, mas de uma Obra, como queria Dom Bosco. Nessa Obra, podemos comunicar a espiritualidade salesiana a muito mais jovens e adolescentes, através dos adultos significativos, educadores e evangelizadores", explica Pe. Tarcizio. Sua mensagem para o Dia do Padre inspira simplicidade e santidade no cotidiano: "Para fazer a diferença no mundo creio que não precisamos nos preocupar em fazer coisas extraordinárias, mas fazer as coisas de cada dia de maneira extraordinária. Esse é o segredo da espiritualidade que aprendemos de São Francisco de Sales e de Dom Bosco."  Pe. Tarcizio Paulo Odelli Ação Social: O Olhar do Bom Pastor na Defesa de Direitos Com a palavra: Pe. Josemar Abel (Coordenador de Ação Social da Inspetoria São Luiz Gonzaga) Viver o ministério sacerdotal na Ação Social é, para o Pe. Josemar, uma experiência diária do mistério pascal junto aos jovens em situação de vulnerabilidade. Ele ressalta que sua inspiração vem do olhar do Bom Pastor, que acolhe e transforma. "Ser padre é ter no coração o Cristo que serve. [...] Ver o Cristo que sofre nos pequenos ilumina a minha caminhada de padre e aprendo todos os dias como devo partir o pão", conta o sacerdote, citando a passagem bíblica de Mateus 25, 40. Citando o saudoso Dom Helder Câmara, Pe. Josemar encoraja os jovens a abrirem mão do egoísmo e abraçarem a doação: "'Padre e egoísmo nunca podem andar juntos.' Ser padre é viver e dar testemunho do Cristo vivo, e ser salesiano padre é doar a vida para os jovens nos mais diversos cenários da sociedade." Pe. Josemar Abel A Gratidão da Família Salesiana Neste dia festivo, a Rede Salesiana Brasil expressa sua profunda gratidão a cada sacerdote que, com alegria, doação e realismo pastoral, dedica seus dias à construção do Reino de Deus. Que Nossa Senhora Auxiliadora e São João Bosco continuem abençoando e guiando seus passos na nobre missão de formar "bons cristãos e honestos cidadãos". Por Janaina Lima, com o apoio da equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil  
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