(Laura Vicuña com a mãe, Mercedes Pino - Foto cedida pela Inspetoria São Gabriel Arcanjo, com sede em Santiago, Chile)
Na data em que se celebram os 120 anos da morte da Bem-Aventurada Laura Vicuña, queremos recordar alguns traços biográficos desta adolescente que continua sendo inspiração e modelo para muitas outras.
UMA BREVE HISTÓRIA DE LAURA VICUÑA
No dia 5 de abril de 1891 nasceu, em Santiago, Chile, Laura del Carmen Vicuña Pino, primogênita de José Domingo Vicuña e Mercedes Pino. Laura foi batizada no dia 24 de maio do mesmo ano, na Paróquia Santa Ana, localizada hoje em Santiago Centro. No dia de seu batismo também se celebra a Solenidade de Maria Auxiliadora, de quem aprenderá a sentir-se filha predileta.
Cerca de um ano e meio depois, Laura ficou gravemente doente e, segundo a mãe – como escreve o seu biógrafo – “... tão grandes eram as dores que sofria que inspirava compaixão a todos os que a viam. Só ela, calma e serena, suportava tudo sem se queixar. A paciência e a fortaleza de uma criança tão tenra eram dignas de admiração...”.
Crestanello A., Vida de Laura, Presbítero Salesiano, 3ª Edição 2008
Tudo isto aconteceu durante a Guerra Civil (1891), um momento histórico em que a família de Laura esteve particularmente envolvida devido à profissão do pai. Nos anos que se seguiram a 1894, Mercedes Pino decidiu emigrar com as suas duas filhas para a Argentina, Laura e a pequena Julia Amanda. No país fronteiriço, Mercedes Pino conheceu Manuel Mora, um latifundiário local, que a contratou para fazer trabalhos domésticos. Foi lá que Mercedes sofreu abusos e maus-tratos, testemunhados por Laura e sua irmã.
Em Junín de los Andes, Laura Vicuña conheceu as Filhas de Maria Auxiliadora e ingressou no colégio, junto com sua irmã. Com as religiosas, foi educada na fé cristã, nos conhecimentos acadêmicos e nas habilidades práticas, e também com elas desenvolveu a sua vida espiritual e sacramental, fazendo a primeira comunhão no mesmo estabelecimento.
Durante as férias escolares, Laura e Julia Amanda visitavam a estância de Manuel Mora para estar com a mãe e, durante essas visitas, muito provavelmente, sofreram algum tipo de ameaça por parte de Manuel. As brigas entre Manuel Mora e Mercedes Pino, que queria proteger as suas filhas, fizeram com que terminasse o sustento financeiro para as mensalidades escolares de Laura e Julia Amanda. Perante esta situação, a Escola não só permitiu que continuassem a estudar, como também as acolheu, apoiou e fortaleceu na sua fé.
À medida que a sua vida espiritual amadurecia, Laura ia percebendo cada vez mais a dor que a mãe sentia e os riscos que corria, tanto física como espiritualmente, para garantir o seu bem-estar e o da irmã. Ainda criança, Laura decidiu oferecer a sua vida a Deus pela salvação de Mercedes. Pouco tempo depois, Laura adoeceu gravemente. Mercedes e as Irmãs Salesianas da sua escola tentaram encontrar formas de ajudá-la a recuperar a saúde, mas a sua saúde continuava decaindo. Nos dias que antecederam a sua morte, Laura confessou à sua mãe a oferta que tinha feito a Deus e Mercedes prometeu mudar de vida. No dia 22 de janeiro de 1904, com 12 anos de idade, Laura Vicuña morreu. A Igreja reconheceu a sua santidade pelas mãos do Papa João Paulo II, beatificando-a no dia 3 de setembro de 1988.
FRASES DE LAURA VICUÑA
“Para mim é a mesma coisa rezar ou trabalhar, rezar ou brincar, rezar ou dormir. Fazendo o que me é pedido, faço o que Deus quer que eu faça, e é isso o que quero fazer: esta é a minha melhor oração.”
“Parece-me que seja Deus mesmo a manter viva em mim a memória da sua Divina Presença.”
“Não quero passar com indiferença perto de ninguém.”
“O que mais me consola neste momento é que sempre fui devota de Maria. Oh sim, é minha mãe, é minha mãe, e nada me deixa tão feliz quanto pensar que sou filha de Maria.”
“Mamãe, vou morrer! Fui eu mesma que o pedi a Jesus. Há dois anos que Lhe ofereci a vida para obter a graça de que voltes para Ele. Mamãe, se eu antes de morrer pudesse ter a alegria de saber que estás em paz com Deus!”
Obrigada, Jesus! Obrigada, Maria! Adeus, mãe! Agora eu morro feliz!”
Fonte: Fundación Beata Laura Vicuña (Inspetoria São Gabriel Arcanjo)