Rememorando o Carnaval de Dom Bosco em Turim
03/03/2025

Rememorando o Carnaval de Dom Bosco em Turim

Rememorando o Carnaval de Dom Bosco em Turim
Foto: Divulgação

Memórias Biográficas de São João Bosco - Volume IX, p. 563-567

 

Durante esses dias, o Município de Turim dera permissão aos Institutos de beneficência para montar estandes de venda, nos últimos dias de Carnaval, de tudo o que pensavam ser vantajoso a seus internados.

O inspirador dessa ideia fora Dom Bosco. Naqueles tempos, o Carnaval de Turim era o mais decoroso, tranquilo e divertido de toda a Itália. Uma comissão ad hoc, com plenos poderes, e a polícia sob seu comando, cuidava da ordem, da moralidade e do respeito a toda categoria de pessoas.

Antes de partir para Roma, Dom Bosco, vendo as necessidades específicas do Oratório, dissera aos de casa que estudava uma forma de participar da feira de Carnaval. Todos soltaram um oh!, maravilhados e quase escandalizados.

-Ir ao Carnaval? Os filhos do Oratório?

-Sim, sim, vamos, mas não para assumir suas loucuras. Iremos lá em igualdade de condições, para obrigá-lo a vir onde estamos nós.

Muitos objetos da última loteria tinham sobrado. O Venerável pensara em fazer alguma coisa com eles, ao mesmo tempo que os bons turinenses, convidados, porfiavam em lhe enviar outros. Deu essa atividade ao Cavaleiro Oreglia enquanto ele viajava a Roma.

O Cavaleiro preparou seu estande com várias mesas bem decoradas num amplo palco, atrás das torres da praça Castello, em frente ao rio Pó. Ao mesmo tempo mandou uma linda poesia em piemontês a seus conhecidos e amigos para que viessem admirar sua banca e comprar.

Despachou para Roma vários desses convites.

 

Roma, 1º de fevereiro de 1869.

Caríssimo de Santo Estêvão,

Mais do que eu descrever, pode imaginar, a forte vontade que seu convite despertou em mim. O que não pagaria para ver o senhor no estande vendendo e promovendo alegria. Mas é preciso oferecer isso a Nossa Senhora. Dom Bosco nos explicou na família Isabella seu belíssimo convite, uma vez que, sendo em piemontês, nada compreendíamos. Ele, porém, ao lê-lo, ria... Dom Bosco foi celebrar a missa na capela de Mamá. Eu tive uma conversa com ele na casa de Isabella. Esperamos que Maria Santíssima use de misericórdia e, especialmente, abençoe meus irmãos...

 

O estande do Cavaleiro foi um dos mais bonitos e melhor abastecidos, especialmente com livros. A banda do Oratório para a qual o maestro De-Vecchi compusera uma fantástica polka especial, com o título de A feira Gianduia, atraía numerosas pessoas. Os jovens músicos estavam de uniforme em dominó amarelo. Entre eles se destacava o Cav. Oreglia, que vestido de Gianduia, interpretava magnificamente, e com versos em piemontês, convidava o povo à sua bancada. A nobreza inteira de Turim acorria para ouvi-lo, e ele vendia a preço alto suas mercadorias.

Também o Príncipe Amadeus foi. Depois de ter apertado amigavelmente a mão de Gianduia, deixou-lhe a quantia de 100 liras.

- E o que o senhor fará com isso, Gianduia? Perguntou-lhe o Príncipe.

- Alteza, vou reparti-la com meus amigos, que são os jovens, e depois, todos juntos, rezamos pelo bem-estar de Vossa Alteza.

- Bravo, Gianduia!

Quando o Cavaleiro, após ter contado as coisas mais alegres deste mundo, descansava seus pulmões, os músicos assopravam seus instrumentos, executando composições de grandes maestros. De quando em quando, do meio da multidão, se levantava o grito: - A polka de Dom Bosco! A polka de Dom Bosco! - E a banda devia satisfazer o desejo geral. Assim foi chamada a fantasia musical de De-Vecchi, executada com instrumentos em grande parte improvisados e em maneira insólita para essa circunstância, produzindo efeito agradável. Esta composição apareceu então em todos os repertórios musicais.

Durante três dias o estande entusiasmou também sacerdotes e religiosos que numerosos a ele acorriam. Foram dias de honesta, boa e cristã diversão. Desta forma aconteceu o que com frequência Dom Bosco dizia:

- Sempre fiz de tudo para mostrar que se pode divertir respeitando a lei de Deus.

Enquanto a cidade se agitava em grande tumulto de Carnaval, os jovens de Valdocco se divertiam com lazeres não menos alegres e variados. No último dia, com a Comunhão geral, foram sufragadas as almas do Purgatório, e se rezou pelos companheiros que Deus haveria de chamar para a eternidade.

[...] O fato de ter participado com seus jovens, no Carnaval, deu motivo para a seguinte carta dirigida ao Cavaleiro. Pode-se dizer que é a expressão da opinião pública dos turinenses.

 

Fossano, 12 de fevereiro de 1869 

Sr. Cavaleiro,

...Uma senhora, vinda de Turim, contou-me novo prodígio de caridade, uma daquelas invenções que somente os Servos de Deus como os Belzunce de Marselha e os Bosco de Turim sabem ser os autores. Já me entendeu. Dizer de minha maravilha, por essa descoberta de Gianduia e seu séquito, seria coisa difícil. Parece que uma sacada deste gênero fale mais do que muitas páginas de moral, a fim de tornar conhecida e amada uma religião que é bem conforme ao homem, se apresenta humilde e amável aos grandes e aos pequenos, que aceita tudo o que pode ajudar o pobre e satisfazer suas necessidades.

Condessa Alessio di Camburzano.

 

Em Roma se desejava notícias, e a Presidente de Tor de’ Specchi as pedia.

 

Senhor Cavaleiro,

Dom Bosco veio ontem aqui me visitar pela segunda vez; vi que está muito bem e alegre. Amanhã, quarta-feira, celebrará a Missa da Comunidade. Haverá de nos dirigir umas palavras de exortação e nos distribuirá a Comunhão. Imagine minha satisfação e de todas.

Soube que Dom Bosco esteve com Sua Santidade durante duas horas na semana passada, e que o Papa lhe deu grandes demonstrações de carinho e de apreço.

Quando o senhor escreverá em relação à feira? Dom Bosco disse ontem: até agora nada se sabe a respeito da feira; contudo o Carnaval terminou já há vários dias! - Eu defendi o senhor dizendo que, além de um pouco de descanso, precisava recolher as mesas, colocar tudo em ordem. Escreva, portanto, já. Minha loja vai bem.

M. Madalena Galleffi.

No dia 18 de fevereiro, P. Francesia dava notícias da feira à Madre Galleffi.

...O Cavaleiro foi descansar de sua feira, com a qual teve maravilhosos resultados. Foram conseguidos dois mil francos sem as despesas, que são pouquíssimas, mas comparando com outros foram altas. Nossas coisas eram muito bonitas e valiosas, não específicas de Carnaval e vendia-se pouco. Contudo, nossa presença foi bonita. A feira, pode-se dizer, girava toda ao redor de nosso estande; a banda e Gianduia foram motivo de agradável passatempo. Mais, se acreditou, e se acredita ainda mais agora, que o Cavaleiro fosse um padre, tão moderadas, justas e boas eram suas piadas. Muitos tiveram a paciência de ficar escutando das onze horas até a meia-noite. Em Turim se falava somente do estande de Dom Bosco. Alguns, que somente conhecem Dom Bosco por ouvir dizer, pensavam que era ele que representava Gianduia. Seja dito que os Santo Antônios não morreram ainda todos. Porém, é verdade que o Gianduia de Dom Bosco fez história; pregou moral em dias de impiedade e mostrou que se pode estar alegre sem ofender o Senhor. Ao nosso estande veio também o Príncipe Amadeus, ouviu a banda e deu 100 francos para a casa...

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Comunicação da RSB

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Ela acrescenta que a admiração do povo Boe Bororo por Padre Rodolfo e Simão Bororo foi um dos aspectos que mais a impressionaram durante a visita. Luana também recorda a convivência com a comunidade. “Notei que as crianças estavam sempre muito gratas e felizes com tudo. Sempre havia alguma criança nos acompanhando durante a caminhada pela aldeia”. Celebrações aproximaram os jovens da história dos mártires Ainda na primeira noite em Meruri, os peregrinos participaram da Via Sacra dos mártires realizada pelas ruas da aldeia. Em cada estação foram apresentados testemunhos sobre a vida e o martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo. Um dos versículos proclamados durante a celebração permaneceu na memória de Luana: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. No dia seguinte, os jovens participaram da procissão que começou no cemitério da comunidade indo até a celebração eucarística em memória dos dois Servos de Deus. 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Jovens da AJS e Família Salesiana de Campo Grande vivem o Cinquentenário dos Mártires em Meruri

Uma caravana formada por 42 pessoas da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, de Campo Grande (MS), participou das celebrações pelos 50 anos do martírio do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, realizadas entre os dias 14 e 15 de julho, na Terra Indígena de Meruri (MT). O grupo foi composto por jovens da Articulação da Juventude Salesiana (AJS), integrantes da Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), Salesianos Cooperadores,  e Irmãs do Instituto Jesus Adolescente e outros membros da Família Salesiana. A peregrinação teve início na noite de 13 de julho, com saída da matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, e chegada à aldeia de Meruri na manhã do dia seguinte. A peregrinação foi organizada pela assessora adulta da AJS, Eliamara Jacquet, que contou com o apoio e a acolhida do pároco, Padre Orozimbo de Paula Jr., que incentivou a vivência desse momento de fé e memória junto à comunidade salesiana de Meruri. A celebração recordou os 50 anos do martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, mortos em 15 de julho de 1976 durante a defesa do povo Bororo e de seus direitos. Uma caravana formada por 42 pessoas da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, de Campo Grande (MS), participou das celebrações pelos 50 anos do martírio do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, realizadas entre os dias 14 e 15 de julho, na Terra Indígena de Meruri (MT). O grupo foi composto por jovens da Articulação da Juventude Salesiana (AJS), integrantes da Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), Salesianos Cooperadores,  e Irmãs do Instituto Jesus Adolescente e outros membros da Família Salesiana. A peregrinação teve início na noite de 13 de julho, com saída da matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, e chegada à aldeia de Meruri na manhã do dia seguinte. A peregrinação foi organizada pela assessora adulta da AJS, Eliamara Jacquet, que contou com o apoio e a acolhida do pároco, Padre Orozimbo de Paula Jr., que incentivou a vivência desse momento de fé e memória junto à comunidade salesiana de Meruri. A celebração recordou os 50 anos do martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, mortos em 15 de julho de 1976 durante a defesa do povo Bororo e de seus direitos. Fé, memória e encontro com a missão Durante os dias de peregrinação, os participantes acompanharam a programação preparada para o jubileu, que reuniu missionários, povos indígenas, religiosos, leigos e jovens de diferentes regiões do Brasil. Entre as atividades estiveram o Oratório, visitas à comunidade indígena, momentos de convivência, a Via Sacra dos Mártires, a Santa Missa Jubilar e a subida ao morro, experiência marcada pela oração e contemplação. Para o jovem Gabriel Tavares, da AJS da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, um dos momentos mais marcantes foi a caminhada até o alto do morro. “A subida do morro no início da manhã parecia cansativa, mas logo o cansaço deu lugar à alegria. Rindo e caminhando juntos, o sono e a preguiça ficaram para trás. Atravessar o riacho foi muito divertido e a trilha tornou-se leve. Tudo, porém, foi recompensado no topo: contemplar o sol nascendo sobre as terras ao redor foi um momento de oração. Ali percebemos o quanto Deus é maravilhoso em suas obras”. A aspirante dos Salesianos Cooperadores Vera Desmarest, do Centro Local São Paulo VI, destacou que a celebração a fez compreender de forma ainda mais profunda o significado da entrega vivida pelos mártires.“A celebração foi muito bonita e emocionante. Ao recordar a história desses dois mártires, fui levado a refletir sobre o significado da entrega da própria vida. Compreendi que doar-se não significa apenas chegar ao derramamento do sangue, mas viver diariamente uma existência colocada a serviço dos irmãos e irmãs, especialmente dos mais pobres, dos vulneráveis e daqueles que têm seus direitos ameaçados. Saio dessa experiência profundamente tocada pelo testemunho do padre Rodolfo e de Simão Bororo. O exemplo de ambos fortalece em mim o desejo de viver uma fé comprometida com a defesa da vida, da dignidade humana e da justiça”. O aspirante José Antônio ressaltou a acolhida da comunidade salesiana e a organização das celebrações.“Fui recebido como em toda casa salesiana, com alegria, educação e o costumeiro sorriso que acolhe quem chega. Ficamos bem alojados, com boa estrutura. A Carla e o Leandro sempre estiveram disponíveis para dúvidas e informações. O passeio pela aldeia foi muito esclarecedor e enriqueceu nossa experiência. Tudo foi muito bem pensado e organizado. A subida ao morro uniu momentos de descontração e fé. A celebração mostrou que, mesmo recordando a morte dos Servos de Deus, celebramos o reconhecimento da coragem deles como mártires”. A jovem Júlia de Lima Ribeiro destacou que a peregrinação fortaleceu sua vivência de fé e missão.“Para mim foi uma experiência muito especial. Sair da zona de conforto me fez entender que podemos servir a Deus em qualquer lugar. Na subida ao morro aprendi o valor do silêncio e da oração. Mesmo sendo breve, nossa passagem mostrou mais uma obra que os Salesianos realizam com fidelidade ao sonho de Dom Bosco. Volto para casa agradecida e com o desejo de continuar vivendo essa missão que transforma vidas”. Também integrante da AJS, Gabi Sandim ressaltou o contato com a história da missão salesiana.“Meruri foi uma experiência única. Aprendemos muito sobre nossa história e sobre o testemunho dos mártires. Saí de lá com o coração renovado e voltaria para outra missão com certeza”. A Coordenadora dos Salesianos Cooperadores Sandra Aparecida destacou que a peregrinação fortaleceu a compreensão da missão cristã e do diálogo com o povo Boe-Bororo. “Conhecer essa história foi um convite a refletir sobre o verdadeiro sentido da missão cristã: doar a própria vida em favor dos irmãos, especialmente daqueles que mais necessitam de proteção, justiça e esperança. A peregrinação também proporcionou um encontro enriquecedor com a cultura do povo Boe-Bororo, permitindo conhecer aspectos de sua história, suas tradições e seus valores. Essa convivência reforçou a importância do diálogo intercultural e do respeito às diferentes expressões culturais”. Fortalecimento da espiritualidade salesiana A presidente da ADMA do Centro Local Paulo VI, Elisângela Jacquet, afirmou que a participação nas celebrações reforçou o compromisso da Família Salesiana com o carisma de Dom Bosco. “Conhecer Meruri foi testemunhar a beleza da missão salesiana: educar com o coração, evangelizar com alegria e servir com amor. Estar presente aqui, no Jubileu do Martírio do Beato Simão Bororo e do Padre Rodolfo Lunkenbein, torna esta experiência ainda mais profunda. É caminhar sobre uma terra regada pelo sangue de testemunhas que deram a vida pelo Evangelho e pelos povos indígenas. Esta passagem certamente fortalecerá ainda mais o nosso compromisso com a espiritualidade de Dom Bosco e de Maria Auxiliadora e nos inspirará a continuar anunciando Cristo com a mesma coragem e doação”. A Salesiana Cooperadora Cristina Stoppa afirmou que conhecer Meruri permitiu vivenciar de perto a missão iniciada pelos primeiros salesianos entre o povo Bororo.“Há viagens que nos levam a um lugar. Outras nos conduzem a uma experiência capaz de transformar o nosso olhar, fortalecer a nossa fé e renovar o sentido da nossa vocação. Assim foi a minha primeira visita à Aldeia Meruri. Como Salesiana Cooperadora, tive a graça de participar das celebrações do Jubileu dos 50 anos do martírio do Padre Rodolfo Lunkenbein e do indígena Simão Bororo. Estar presente nesse momento histórico foi muito mais do que acompanhar uma comemoração. Foi mergulhar em uma história de amor, coragem, fidelidade ao Evangelho e compromisso com a dignidade humana. Conhecer a presença salesiana de Meruri foi contemplar, de perto, a concretização do sonho missionário de Dom Bosco”. Ao término da peregrinação, o grupo agradeceu ao diretor da presença salesiana de Meruri, Padre Ângelo César Cenerino, pela acolhida durante os dias de celebração, bem como aos salesianos, voluntários e comunidades que colaboraram na organização do jubileu. Para os participantes, a experiência permitiu conhecer de perto a história da missão salesiana entre o povo Boe-Bororo, renovar o compromisso com os valores do Evangelho e fortalecer o carisma salesiano inspirado no testemunho do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo.

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