Papa Francisco: por favor, não nos esqueçamos dos pobres
17/11/2024

Papa Francisco: por favor, não nos esqueçamos dos pobres

Foto: Vatican News

“Por favor, não nos esqueçamos dos pobres!”. A invocação com a qual o Papa Francisco encerra sua homilia na missa do VIII Dia Mundial dos Pobres neste domingo (17/11), na Basílica de São Pedro, é dirigida à Igreja, aos governos dos Estados e às organizações internacionais, mas também “a todos e a cada um”. E aos fiéis em Cristo, o Papa nos lembra que “é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte”. Porque a esperança cristã precisa de “cristãos que não se viram para o outro lado” e que sintam “a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres”. Francisco sublinhou isso lembrando uma advertência do cardeal Martini: somente servindo os pobres “a Igreja ‘torna-se’ ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem”.

Jesus se tornou pobre por nós

Em uma Basílica lotada, com a presença dos pobres que mais tarde almoçam com ele na Sala Paulo VI, o Pontífice abre a celebração com a exortação do ato penitencial: “Com o olhar fixo em Jesus Cristo, que se fez pobre por nós e rico de amor para com todos, reconheçamos que precisamos da misericórdia do Pai”. O celebrante no altar é o arcebispo Rino Fisichella, pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização.

Na escuridão deste tempo, brilha uma esperança inabalável

Na homilia, o Papa Francisco relê a passagem do Evangelho de Marcos, na liturgia deste XXXIII Domingo do Tempo Comum, com as palavras de Jesus aos discípulos antes de sua paixão, descrevendo “o estado de espírito daqueles que viram a destruição de Jerusalém”, mas também a chegada extraordinária do Filho do Homem. “Quando tudo parece desmoronar-se, que Deus vem, que Deus se aproxima, que Deus nos reúne para nos salvar”.

Jesus convida-nos a ter um olhar mais aguçado, a ter olhos capazes de “ler por dentro” os acontecimentos da história, para descobrir que, mesmo na angústia dos nossos corações e dos nossos tempos, há uma esperança inabalável que resplandece.

Angústia e impotência diante da injustiça do mundo

Neste Dia Mundial dos Pobres, portanto, o Papa nos convida a nos determos nas duas realidades, “angústia e esperança, que sempre duelam entre si na arena do nosso coração”. Ele começa com a angústia, tão difundida em nosso tempo, “onde a comunicação social amplifica os problemas e as feridas, tornando o mundo mais inseguro e o futuro mais incerto”. Se o nosso olhar, enfatiza, “se detém apenas na crônica dos acontecimentos, dentro de nós a angústia ganha terreno”, porque ainda hoje, como na passagem do Evangelho, “vemos o sol escurecer e a lua se apagar, vemos a fome e a carestia que oprimem tantos irmãos e irmãs, vemos os horrores da guerra e a morte de inocentes”. E corremos o risco de “afundarmos no desânimo e de não nos apercebermos da presença de Deus no drama da história. Assim, condenamo-nos à impotência".

Vemos crescer à nossa volta a injustiça que causa a dor dos pobres, mas juntamo-nos à corrente resignada daqueles que, por comodismo ou por preguiça, pensam que “o mundo é assim mesmo” e que “não há nada que eu possa fazer”. Desse modo, até a própria fé cristã é reduzida a uma devoção inócua, que não incomoda os poderes deste mundo e não gera um compromisso concreto de caridade.

A ressurreição de Jesus acende a esperança

Francisco cita a sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium para nos lembrar que, “enquanto crescem as desigualdades e a economia penaliza os mais fracos, enquanto a sociedade se consagra à idolatria do dinheiro e do consumo”, acontece que “os pobres e os excluídos não podem fazer outra coisa senão continuar a esperar”. Mas no quadro apocalíptico que acaba de ser descrito no Evangelho, Jesus “acende a esperança”, descrevendo a chegada do Filho do Homem “com grande poder e glória”, para reunir “os seus eleitos dos quatro ventos”. Assim, ele “alarga o nosso olhar para que aprendamos a perceber, mesmo na precariedade e na dor do mundo, a presença do amor de Deus que se faz próximo, que não nos abandona, que atua para a nossa salvação”. Jesus, lembra o Pontífice, está apontando “inicialmente para a sua morte que terá lugar pouco depois”, mas também para “o poder da sua ressurreição” que destruirá as cadeias da morte, “e um mundo novo nascerá das ruínas de uma história ferida pelo mal”. Jesus nos dá essa esperança por meio da bela imagem da figueira: “quando seus ramos ficam verdes e as folhas começam a brotar, sabeis que o verão está perto”.

Do mesmo modo, também nós somos chamados a ler as situações da nossa história terrena: onde parece haver apenas injustiça, dor e pobreza, precisamente naquele momento dramático, o Senhor aproxima-se para nos libertar da escravidão e fazer brilhar a vida.

Você olha nos olhos a pessoa que ajuda?

E isso é feito, ele explica, “com nossa proximidade cristã, com a nossa fraternidade cristã”.

Não se trata de jogar uma moeda nas mãos de quem precisa. Àquele que dá a esmola, eu pergunto duas coisas: “Você toca as mãos das pessoas ou joga a moeda sem tocá-las? Você olha nos olhos a pessoa que ajuda ou desvia o olhar?”.

Perto do sofrimento dos pobres

Cabe a nós, seus discípulos, continua o Papa Francisco, que graças ao Espírito Santo podemos semear essa esperança no mundo. “Somos nós" - e aqui ele cita sua Encíclica Fratelli tutti - "que podemos e devemos acender luzes de justiça e de solidariedade, enquanto se adensam as sombras de um mundo fechado".

Somos nós que a sua Graça faz brilhar, é a nossa vida impregnada de compaixão e de caridade que se torna sinal da presença do Senhor, sempre próximo do sofrimento dos pobres, para aliviar as suas feridas e mudar a sua sorte.

Desvio o olhar diante da dor dos outros?

Não esqueçamos, é a invocação do Papa, que a esperança cristã, “que se realizou em Jesus e se concretiza no seu Reino, precisa de nós e do nosso empenho, de uma fé operosa na caridade, de cristãos que não passam para o outro lado do caminho". E aqui ele lembra a imagem de um fotógrafo romano de um casal de adultos saindo de um restaurante, que olhava para o outro lado para não cruzar dom o olhar de “uma pobre senhora, deitada no chão, pedindo esmolas”.

Isso acontece todos os dias. Perguntemos a nós mesmos: eu olho para o outro lado quando vejo a pobreza, as necessidades, a dor dos outros?

Francisco cita então um teólogo do século XX, Metz, quando dizia que a fé cristã deve gerar em nós uma “mística de olhos abertos”: “não uma espiritualidade que foge do mundo, mas, pelo contrário, uma fé que abre os olhos aos sofrimentos do mundo e às aflições dos pobres, para exercer a mesma compaixão de Cristo”.

“Eu sinto a mesma compaixão do Senhor diante dos pobres, diante daqueles que não têm trabalho, que não têm o que comer, que são marginalizados pela sociedade?”

Mesmo com o nosso pouco, podemos melhorar a realidade

E, continua o Papa Francisco, “não devemos olhar apenas para os grandes problemas da pobreza mundial, mas para o pouco que todos nós podemos fazer todos os dias".

Com o nosso estilo de vida, com o cuidado e a atenção pelo ambiente em que vivemos, com a busca tenaz da justiça, com a partilha dos nossos bens com os mais pobres, com o engajamento social e político para melhorar a realidade que nos rodeia..

Por favor, não nos esqueçamos dos pobres

Assim, “o nosso pouco será como as primeiras folhas que brotam na figueira: uma antecipação do verão que está próximo”. Concluindo, o Papa recorda uma advertência do cardeal Carlo Maria Martini, quando disse “que devemos ter cuidado ao pensar que existe primeiro a Igreja, já sólida em si mesma, e depois os pobres dos quais escolhemos cuidar. Na realidade, tornamo-nos a Igreja de Jesus na medida em que servimos os pobres, pois somente assim «a Igreja “torna-se” ela mesma, isto é, uma casa aberta a todos, um lugar da compaixão de Deus pela vida de cada homem»”.

Digo-o à Igreja, digo-o aos governos dos Estados e às organizações internacionais, digo-o a todos e a cada um: por favor, não nos esqueçamos dos pobres.

Projeto de caridade pela Síria e almoço com os pobres

Antes da missa, o Papa Francisco abençoou simbolicamente 13 chaves, representando os 13 países nos quais a Famvin Homeless Alliance (FHA), da Família Vicentina, construirá novas casas para pessoas necessitadas com o Projeto “13 Casas” para o Jubileu. Entre esses países está também a Síria, cujas 13 casas serão financiadas diretamente pela Santa Sé como um gesto de caridade para o Ano Santo. Um ato de solidariedade que se tornou possível graças a uma generosa doação da UnipolSai, que desejou entusiasticamente contribuir, no período que antecedeu o Ano Santo, com esse sinal de esperança para uma terra ainda devastada pela guerra.

No final da missa e após a recitação do Angelus, o Papa almoça na Sala Paulo VI junto com 1.300 pessoas pobres. O almoço, organizado pelo Dicastério para o Serviço da Caridade, é oferecido este ano pela Cruz Vermelha Italiana e animado por sua Fanfarra Nacional. No final do almoço, cada pessoa recebe uma mochila oferecida pelos Padres Vicentinos (Congregação da Missão), contendo alimentos e produtos de higiene pessoal.

Alessandro Di Bussolo - Vatican News

Leia na integra a mensagem do Papa Francisco

 

 

Mais Recentes

Jornada Formativa da Rede Salesiana Brasil aproxima colaboradores do carisma e das diferentes expressões da missão salesiana.

Durante quatro dias, colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil percorreram escolas, obras sociais, espaços de memória, universidade, oratórios e santuários para vivenciar, na prática, as diferentes dimensões do carisma de Dom Bosco e Madre Mazzarello Brasília (DF) — 16 de agosto de 2026. Mais do que uma viagem, uma experiência formativa. Entre os dias 13 e 16 de agosto, os colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil (RSB) participaram, em Aparecida e cidades do Vale do Paraíba, de uma jornada construída para aproximar as pessoas que atuam na gestão e articulação nacional da Rede daquilo que está na essência de sua missão: educar, evangelizar, acolher e transformar vidas. A Jornada de Formação e Integração da Equipe do Escritório da RSB 2026 foi concebida como uma experiência de imersão no carisma salesiano. Ao longo de quatro dias, a equipe percorreu diferentes presenças salesianas e espaços de espiritualidade, conhecendo histórias, práticas educativas, experiências pastorais e iniciativas sociais que ajudam a traduzir, no cotidiano, a missão que orienta o trabalho da Rede. O percurso começou ainda em fevereiro, quando a Gestora de Projetos da Rede Salesiana Brasil, Ana Paula Costa e Silva, apresentou aos colaboradores a proposta da imersão. Desde então, a preparação passou também pelos encontros do Giro Rede, espaço permanente de integração, formação e alinhamento estratégico do escritório. Em junho, a Diretora Executiva da RSB, Ir. Sílvia Aparecida, conduziu um momento dedicado à vida e ao carisma de Madre Mazzarello. No mês seguinte, o Diretor Executivo, Pe. Sérgio Baldin, conduziu uma reflexão sobre São João Bosco. Assim, antes mesmo de chegar a Aparecida, a equipe já iniciava o caminho de preparação para uma experiência que buscava ultrapassar a dimensão conceitual e permitir uma aproximação concreta com as raízes da missão salesiana. A programação oficial foi organizada em quatro dias e contemplou experiências em Guaratinguetá, Lorena, Aparecida e Pindamonhangaba, conectando diferentes expressões da presença salesiana. O primeiro passo: sair da rotina para entrar na experiência A chegada a Aparecida, no dia 13 de agosto, marcou o início efetivo da jornada. Depois do deslocamento de Brasília até Congonhas e da viagem até Aparecida, os colaboradores tiveram um período de integração antes da abertura oficial da experiência. À noite, no Hotel Rainha do Brasil, na Sala Cardeal Mota, a Ir. Sílvia Aparecida e o Pe. Sérgio Baldin conduziram o primeiro “Boa Noite” da jornada, apresentando o significado da experiência, as orientações da programação e a dinâmica de integração. O momento estabeleceu o tom dos dias seguintes: não se tratava apenas de conhecer lugares salesianos, mas de olhar para cada experiência a partir da missão da Rede. Era o primeiro aprendizado da jornada: para compreender melhor o trabalho realizado no escritório, seria necessário sair temporariamente de seus espaços habituais e aproximar-se das realidades que dão sentido a esse trabalho. Na escola, compreender que o carisma se transforma em prática educativa Na manhã seguinte, a equipe seguiu para Guaratinguetá, onde visitou o Colégio Nossa Senhora do Carmo. A experiência colocou os colaboradores diante de uma das expressões centrais da missão salesiana: a educação. A visita guiada, conduzida pela Ir. Cláudia Ribeiro, coordenadora da Pastoral do Colégio, e pela diretora pedagógica, Adriana Scaldaferri, permitiu conhecer mais de perto a realidade de uma presença educativa da Rede. A escolha da escola dentro da jornada não foi casual. Para quem atua no escritório da RSB, conhecer a primeira unidade educacional das Filhas de Maria Auxiliadora significa aproximar o planejamento, as políticas, os projetos e as estratégias institucionais da realidade de quem está diariamente junto aos estudantes, às famílias, aos educadores e à comunidade. O que a escola ensinou à equipe? Que a missão salesiana ganha vida quando princípios, projetos e estratégias chegam ao cotidiano educativo e se transformam em relações, experiências de aprendizagem e acompanhamento dos jovens. No Memorial das FMA, a memória como instrumento de identidade Ainda em Guaratinguetá, o grupo seguiu para o Memorial das Filhas de Maria Auxiliadora, localizado na Casa do Puríssimo Coração de Maria. A visita teve como eixo a experiência educativa de Madre Mazzarello e foi conduzida por Ir. Teresa Cristina Pisani, referente da Pastoral Juvenil da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP) e pela Isadora Prudente, responsável pelo Memorial das Filhas de Maria Auxiliadora no Brasil, O espaço preserva a história da chegada das Filhas de Maria Auxiliadora ao Brasil, em 1892, e possibilitou aos colaboradores uma aproximação com a trajetória das primeiras Salesianas no país. Para Ir. Teca, a experiência da jornada também permitiu perceber a força adquirida pela Rede Salesiana Brasil em seu processo de construção e expansão. “Essa última experiência sintetizou, de maneira especial, o propósito da jornada: não apenas conhecer o carisma salesiano, mas deixar-se tocar por ele para retornar ao trabalho com ainda mais consciência sobre a missão que cada colaborador ajuda a construir.” Ressaltou. Mais do que revisitar objetos e acontecimentos históricos, a experiência trouxe uma pergunta fundamental para quem trabalha na Rede: o que dá experiência de Mazzarello precisa continuar vivo hoje? A resposta passa pela capacidade de transformar memória em identidade e identidade em ação. O Memorial ensinou que uma instituição que não conhece suas raízes corre o risco de perder o sentido de sua missão. Para a RSB, preservar e conhecer essa história significa também compreender de onde vêm os valores que orientam suas escolhas no presente. No Oratório São Luís, reencontrar o coração da missão de Dom Bosco Depois do almoço em Guaratinguetá, a jornada seguiu para Lorena, onde os colaboradores visitaram o Oratório São Luís. O espaço representa uma das expressões mais emblemáticas da pedagogia salesiana: o pátio como lugar de encontro, convivência, alegria, educação e evangelização. A visita guiada foi conduzida por Rogério Lima, coordenador geral da obra social. Para uma equipe que atua estrategicamente na Rede, estar em um oratório significa reencontrar um princípio fundamental do próprio carisma: a missão começa na proximidade com os jovens. Ali, o Sistema Preventivo e os cadernos de identidade organizacional do social da Rede Salesiana Brasil deixam de ser apenas um conceito estudado em documentos e passa a ser percebido como uma maneira de estar com as juventudes. O Oratório ensinou que o carisma salesiano acontece na relação. É no pátio, na escuta, na convivência e na presença educativa que a proposta de Dom Bosco e Madre Mazzarello encontram uma de suas expressões mais concretas. Na Casa de Formação e no UNISAL, diferentes caminhos para uma mesma missão Ainda em Lorena, a equipe foi recebida para um café da tarde na Casa de Formação dos Salesianos de São Paulo, em um momento conduzido pelo Pe. Leandro. Em seguida, conheceu o UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo, campus Lorena, em visita guiada pelo professor Mateus Afonso Gomes, coordenador de Extensão Universitária, e pelo professor Diego Amaro de Almeida, coordenador do curso de História. A presença da universidade ampliou a compreensão sobre a diversidade de frentes que compõem a missão salesiana. Se na escola a educação é vivenciada desde os primeiros anos da formação, na universidade ela se projeta para a formação acadêmica e profissional. O UNISAL mostrou à equipe que a educação salesiana não se limita a uma etapa da vida: ela acompanha diferentes momentos da formação humana e profissional. A espiritualidade como fundamento, não como elemento complementar O dia terminou no Santuário São Benedito, também em Lorena, com a celebração da Missa presidida pelo Pe. Daniel Neri, reitor do Santuário. Depois de um dia marcado por escola, memória, oratório, formação e universidade, a celebração eucarística deu outro sentido ao percurso. A experiência ajudou a reforçar uma dimensão essencial da identidade salesiana: a ação educativa e social não está dissociada da espiritualidade. A formação, portanto, não buscava apenas apresentar estruturas e projetos. Pretendia ajudar cada colaborador a compreender que, por trás de cada iniciativa, existe uma missão sustentada por valores, fé e compromisso com a transformação das pessoas. Caminhar com Maria para caminhar em Rede O terceiro dia da jornada foi marcado por um dos momentos mais significativos da experiência: a participação dos colaboradores na Romaria da Família Salesiana, em Aparecida. A equipe saiu do Hotel Rainha do Brasil em direção ao Porto de Itaguaçu, percorrendo o Caminho do Rosário até o início da caminhada da Romaria. A peregrinação terminou no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde foi celebrada a Missa Solene. Nesse momento, a formação ganhou uma dimensão coletiva. Os colaboradores deixaram de ser apenas observadores da missão salesiana para se reconhecerem como parte de uma grande família presente em diferentes territórios, obras e realidades. Mesmo com uma forte chuva que caiu durante a procissão, milhares de peregrinos permaneceram no caminho. A água não interrompeu a caminhada nem diminuiu a disposição daqueles que seguiam rumo à Casa da Mãe Aparecida. Para a equipe da RSB, a cena tornou-se também uma experiência simbólica: a missão exige perseverança, presença e disposição para continuar caminhando mesmo quando o percurso apresenta dificuldades. Após a celebração, a programação prosseguiu com uma visita guiada ao Santuário Nacional de Aparecida. À noite, depois do jantar, a equipe participou de uma roda de conversa, criando um espaço para compartilhar percepções e aprendizados acumulados durante os dias anteriores. Foi o momento de transformar experiência em reflexão. E cada um pode responder o que levaria daquela jornada para seu trabalho no escritório? Na casa de Dom Bosco, a jornada reencontra suas raízes No dia 16 de agosto, data em que toda a Família Salesiana celebra o nascimento de São João Bosco, a Jornada Formativa e de Integração da Equipe do Escritório da Rede Salesiana Brasil chegou à sua última experiência: uma visita à Obra Social Salesiana de Pindamonhangaba. A escolha da data e do local conferiu um significado especial ao encerramento da jornada. Mais do que conhecer uma obra social salesiana, os colaboradores tiveram a oportunidade de visitar uma réplica fiel da casa onde Dom Bosco nasceu e viveu parte de sua infância, um espaço que preserva a memória e ajuda a aproximar, de maneira concreta, as novas gerações da história do fundador da Família Salesiana. Em meio à programação que, ao longo dos dias, levou a equipe por escolas, espaços de memória, oratórios, universidade, casas de formação, santuários e experiências de espiritualidade, a visita à réplica da casa de Dom Bosco representou um retorno às origens do carisma. Ali, no dia em que se celebra o nascimento daquele que dedicou sua vida à educação e à evangelização da juventude, a formação ganhou uma dimensão ainda mais simbólica: conhecer as raízes para compreender melhor a missão que continua sendo construída no presente. A visita foi conduzida pelo Pe. Agnaldo, diretor da Obra Social Salesiana de Pindamonhangaba, que apresentou aos colaboradores a presença salesiana e o espaço dedicado à memória de Dom Bosco. Para o Pe. Agnaldo, a experiência também representa a possibilidade de testemunhar o caminho de crescimento e amadurecimento da Rede Salesiana Brasil ao longo dos últimos anos. “Depois de ter vivido, em 2013, 2014, a concretização da RSB, expandindo os seus braços de Rede Salesiana Brasil também para a dimensão do social, para a dimensão da comunicação, e agora ver o quanto esta árvore, vamos chamar assim, ela conseguiu se tornar abrangente, envolvente, renovada e fortalecida, com a equipe que eu vi aqui ontem, que trouxe antigos membros desta organização salesiana e, ao mesmo tempo, novos em outras funções estratégicas, mostrando que não ficamos parados, mas sim procuramos buscar novos formatos de gestão, de organização, para que, de fato, a RSB seja este grande órgão de animação, de articulação, de fortalecimento da ação salesiana, em todas as suas dimensões, com uma resposta renovada, atualizada e capaz de dar passos para enfrentarmos, sempre com maior profissionalismo, os desafios da realidade de hoje”, afirmou. No dia em que a Família Salesiana celebrou o nascimento de Dom Bosco, os colaboradores da Rede Salesiana Brasil encerraram sua jornada diante de uma casa que simboliza o início de uma missão. Uma forma concreta de recordar que, por trás de projetos, estratégias, processos e ações em rede, existe uma história, uma espiritualidade e um compromisso com a juventude que continuam dando sentido ao trabalho realizado diariamente. Essa última experiência sintetizou, de maneira especial, o propósito da jornada: não apenas conhecer o carisma salesiano, mas deixar-se tocar por ele para retornar ao trabalho com ainda mais consciência sobre a missão que cada colaborador ajuda a construir. Uma jornada para quem trabalha nos bastidores da missão A Jornada Formativa e de Integração da Equipe do Escritório da RSB foi construída sobre uma compreensão simples, mas estratégica: quem trabalha na articulação da Rede também precisa experimentar a Rede. Durante quatro dias, os colaboradores puderam percorrer diferentes expressões do carisma e perceber que educação, ação social, pastoral, espiritualidade, formação profissional, universidade, memória e comunicação não são áreas isoladas. São dimensões de uma mesma missão. A experiência também reforçou uma convicção que orienta o trabalho da Rede Salesiana Brasil: o trabalho em rede começa pelas pessoas. Por isso, a jornada iniciada em fevereiro, preparada nos encontros do Giro Rede e concretizada em Aparecida não teve como objetivo apenas formar profissionais mais alinhados institucionalmente. Buscou fortalecer pessoas mais conscientes da missão que representam. Ao revisitar a trajetória de Dom Bosco e Madre Mazzarello, conhecer as presenças salesianas e compartilhar experiências com quem vive diariamente essa missão, os colaboradores foram convidados a olhar para o próprio trabalho com uma nova perspectiva. Não apenas como uma atividade técnica ou administrativa, mas como parte de uma grande rede que existe para educar, evangelizar, promover direitos, acolher e gerar oportunidades para as novas gerações. A viagem terminou com o retorno a Brasília. A jornada, porém, continua no cotidiano do escritório. Porque o principal resultado de uma formação como essa não está apenas nos lugares visitados, nas histórias conhecidas ou nos momentos compartilhados. Está naquilo que cada pessoa leva consigo e transforma em ação quando volta ao trabalho. E, nesse sentido, a experiência em Aparecida cumpriu seu propósito: aproximar quem atua nos bastidores da Rede daqueles que estão na ponta da missão, fortalecendo identidade, pertencimento e compromisso para que, em cada projeto, decisão e estratégia, o carisma salesiano continue encontrando novas formas de chegar às juventudes.

Sob chuva, Família Salesiana se reúne em Aparecida para 26ª Romaria e reafirma compromisso com a missão de Dom Bosco e Madre Mazzarello

Colaboradores da Rede Salesiana Brasil participam da peregrinação e vivem jornada de fé, integração e comunhão no Santuário Nacional de Aparecida A chuva forte que caiu durante parte da caminhada até o Santuário Nacional de Aparecida não interrompeu a peregrinação. Sob a água, milhares de pessoas seguiram juntas, levando consigo a fé, a devoção e o sentimento de pertença à Família Salesiana. Neste sábado, 15 de agosto, a cidade de Aparecida (SP) recebeu a 26ª Romaria da Família Salesiana, em um dos principais momentos de comunhão da presença salesiana no Brasil. Com o tema “Caminhando com Maria, façamos tudo o que Ele nos disser”, a romaria reúne Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianos Cooperadores, Ex-Alunos e Ex-Alunas, jovens, educadores, colaboradores, famílias e integrantes dos diferentes grupos da Família Salesiana. Entre os participantes estão colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil (RSB), que vivenciam a romaria como parte de uma Jornada Formativa. A experiência busca aproximar a equipe da realidade concreta da missão salesiana e fortalecer vínculos, espiritualidade, integração e sentido de pertença à Rede. Uma jornada que une formação, espiritualidade e missão A participação dos colaboradores da RSB na romaria integra uma proposta formativa construída para ir além dos momentos institucionais e oferecer uma experiência de contato direto com o carisma salesiano. Ao longo da jornada, os profissionais são convidados a vivenciar a espiritualidade, conhecer experiências concretas desenvolvidas nas obras e escolas salesianas, fortalecer relações fraternas e refletir sobre como o trabalho realizado no escritório contribui para a missão educativa e evangelizadora da Rede. A proposta parte de uma compreensão de que a missão salesiana se fortalece quando aqueles que atuam em diferentes áreas da Rede conseguem reconhecer, na prática, o impacto do trabalho desenvolvido junto às crianças, aos adolescentes, aos jovens e às famílias. Nesse contexto, a peregrinação a Aparecida assume também um significado institucional. Para os colaboradores que atuam no escritório da RSB, estar junto das diferentes expressões da Família Salesiana permite aproximar planejamento, gestão e estratégias da realidade vivida nas comunidades e presenças salesianas. Caminhar com Maria A concentração teve início às 9h, na Capela São Geraldo, no Porto Itaguaçu. Às 10h, os peregrinos iniciaram a caminhada em direção ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. No percurso, a chuva forte que atingiu a região marcou a caminhada. Mesmo com a mudança das condições climáticas, os milhares de peregrinos permaneceram no trajeto, transformando a chuva em mais um elemento de uma experiência coletiva de fé. A cena reforçou o próprio sentido da peregrinação: caminhar juntos, superar desafios e chegar à Casa da Mãe Aparecida movidos por uma esperança compartilhada. Ao meio-dia, os participantes se reúnem para a Missa Solene no Santuário Nacional, celebrando a fé e renovando o compromisso com a missão salesiana. Uma tradição que chega à 26ª edição A Romaria da Família Salesiana de São Paulo tornou-se, ao longo de 26 anos, uma importante expressão de devoção mariana e de unidade entre os diferentes grupos que compõem a Família Salesiana. A peregrinação também mantém viva a memória de São João Bosco e de Santa Maria Domingas Mazzarello, fundadores e referências de uma missão que continua presente em diferentes contextos sociais e culturais. A celebração deste ano ganhou ainda um significado especial pela continuidade da peregrinação da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida, tradição que percorreu os Centros Locais da Associação dos Salesianos Cooperadores da Província Nossa Senhora Auxiliadora. Iniciada após a Romaria de 2025, a peregrinação passou por diferentes comunidades salesianas ao longo do último ano. Depois de visitar 20 Centros Locais, a imagem chega à etapa final de seu percurso e, neste sábado, será entregue aos Ex-Alunos e Ex-Alunas de Dom Bosco, dando continuidade à tradição de devoção mariana e evangelização entre os grupos da Família Salesiana. Uma experiência que fortalece a Rede Para a Rede Salesiana Brasil, a presença de seus colaboradores na Romaria representa também uma oportunidade de fortalecer a compreensão sobre o papel de cada área na construção de uma atuação integrada em todo o país. A experiência formativa busca conectar espiritualidade, conhecimento, relações humanas e prática profissional, favorecendo uma compreensão mais ampla da missão que sustenta o trabalho cotidiano do escritório. Ao caminhar ao lado de educadores, religiosos, jovens, famílias e representantes das diferentes presenças salesianas, os colaboradores são convidados a reconhecer que cada planejamento, projeto, comunicação, processo de gestão ou ação desenvolvida em rede tem como horizonte uma missão maior: contribuir para uma educação que transforma vidas e para uma evangelização capaz de gerar esperança. Em Aparecida, sob o olhar de Nossa Senhora, essa missão ganha uma dimensão ainda mais concreta. A peregrinação não é apenas um deslocamento até o Santuário. É um caminho de encontro, escuta, comunhão e renovação do compromisso com o carisma de Dom Bosco e de Madre Mazzarello. E, mesmo quando a chuva apertou, ninguém parou de caminhar. Porque, para a Família Salesiana, caminhar juntos também é uma forma de renovar a esperança e reafirmar que a missão continua.

Rede Salesiana Brasil celebra nascimento de Dom Bosco com lançamento da música “16 de Agosto”

Canção de Jean Lopes chega às plataformas digitais nesta segunda-feira (16), data que marca o aniversário de nascimento do fundador da obra salesiana O dia 16 de agosto ganha um significado especial para toda a Família Salesiana. Nesta data, celebra-se o nascimento de São João Bosco, fundador dos Salesianos de Dom Bosco e inspiração de uma missão dedicada à educação, à evangelização e à promoção integral de crianças, adolescentes e jovens em diferentes partes do mundo. Para celebrar a data, a Rede Salesiana Brasil (RSB) lança, nesta segunda-feira (16), a música “16 de Agosto”, composição de Jean Lopes que revisita, em versos e melodia, momentos marcantes da trajetória de Dom Bosco e sua dedicação à juventude. O lançamento da canção acontece simultaneamente à publicação desta matéria, como parte de uma iniciativa da RSB que busca utilizar a música como instrumento de comunicação, educação e evangelização, aproximando a história e a espiritualidade salesiana das novas gerações. Uma celebração em forma de música Com uma proposta alegre e celebrativa, “16 de Agosto” convida a Família Salesiana a recordar e festejar a vida de Dom Bosco. “Vamos cantar, comemorar16 de agosto, dia de Dom BoscoVamos festejar” Ao longo da composição, a história do fundador é apresentada a partir de diferentes momentos de sua vida. A letra recorda sua infância, o sonho que teve aos nove anos, sua confiança em Maria Auxiliadora e a missão que assumiu de dedicar a própria vida aos jovens. A música também recupera uma característica marcante da experiência educativa de Dom Bosco: a presença da alegria, dos jogos, das brincadeiras e das canções como parte da convivência com os jovens. Em uma das passagens, a composição apresenta o jovem João Bosco como alguém que, desde cedo, aprendeu a utilizar seus talentos para aproximar os meninos da fé: “Com jogos, brincadeiras e canções foi catequisar” A escolha da música como forma de celebrar Dom Bosco dialoga, portanto, com a própria tradição salesiana. O canto e as expressões culturais estiveram presentes na experiência dos oratórios e integram uma proposta educativa que busca criar ambientes de convivência, alegria, proximidade e formação. Uma história que continua inspirando Nascido em 16 de agosto de 1815, em Castelnuovo d’Asti, na Itália, João Bosco dedicou sua vida à educação e ao acompanhamento dos jovens, especialmente daqueles que viviam em situações de vulnerabilidade. Sua experiência educativa deu origem a uma proposta que uniu educação, evangelização, convivência e formação para a vida. A partir do Oratório de Valdocco, em Turim, a missão iniciada por Dom Bosco se expandiu e deu origem à Família Salesiana, hoje presente em diferentes países e contextos culturais. Um dos episódios mais conhecidos de sua infância é o sonho que teve aos nove anos, posteriormente reconhecido como um marco de sua vocação. A experiência acompanhou sua trajetória e se relacionou diretamente com a missão que assumiria junto à juventude. A nova música recupera esse episódio e outros elementos da vida de Dom Bosco para transformá-los em uma narrativa acessível, especialmente às crianças, adolescentes e jovens que hoje vivem a experiência educativa e evangelizadora salesiana. Música como instrumento de educação e evangelização O lançamento de “16 de Agosto” também integra uma ação prevista no Plano Anual de Trabalho da Rede Salesiana Brasil, que contempla a produção e divulgação de conteúdos de relevância eclesial e social, inclusive por meio da música. A proposta da RSB é ampliar, organizar e disponibilizar um repertório musical próprio que possa ser utilizado em diferentes contextos da missão salesiana, como escolas, obras sociais, comunidades, encontros, celebrações e atividades pastorais. Nesse sentido, a música assume uma função que vai além do entretenimento. Ela se torna um recurso capaz de preservar a memória, transmitir valores, favorecer a experiência de fé e aproximar diferentes gerações da identidade salesiana. A iniciativa também contempla a presença do repertório da Rede nas plataformas digitais, ampliando as possibilidades de acesso às produções musicais por educadores, agentes de pastoral, jovens, famílias e demais integrantes da Família Salesiana. Uma nova canção para uma história que permanece viva Ao lançar “16 de Agosto” justamente na data em que a Família Salesiana celebra o nascimento de seu fundador, a Rede Salesiana Brasil transforma a comemoração em uma experiência compartilhada por meio da música. A canção convida a recordar Dom Bosco não apenas como uma figura histórica, mas como alguém cuja missão continua inspirando o trabalho realizado diariamente nas escolas, obras sociais, paróquias e demais presenças salesianas. No encerramento da composição, a mensagem assume o tom de uma homenagem afetiva: “Parabéns, parabéns!Nós te amamos querido Dom BoscoTe queremos bem, muito bem!” É com esse espírito que a Rede Salesiana Brasil celebra o 16 de agosto: recordando a história, valorizando o legado e, sobretudo, mantendo viva uma missão que continua encontrando na juventude sua razão de ser. Clique e Ouça “16 de Agosto” Letra e música: Jean LopesLançamento: 16 de agostoPrimeira plataforma: YouTubeDisponibilização posterior: demais plataformas de streaming de música Hoje é dia de cantar, celebrar e agradecer pela vida de Dom Bosco.
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