Rede Salesiana Brasil e o domingo de Ramos
16/03/2023

Rede Salesiana Brasil e o domingo de Ramos

Rede Salesiana Brasil e o domingo de Ramos

Jesus participava do sonho de todo o povo de Israel que via em Jerusalém a cidade da promessa de paz e plenitude futura, lugar da acolhida, ambiente fecundo onde ninguém passaria fome, pois todos teriam o direito de participar da “grande mesa do pão”. A tradição profética havia anunciado uma “subida” dos povos, que viriam a Jerusalém para iniciar um caminho de comunhão e justiça e adorar a Deus no Templo, que estaria aberto para todos. Toda a cidade se converteria num grande Templo, lugar da inclusão e da partilha, onde se cumpririam as esperanças dos povos. Com sua entrada em Jerusalém, Jesus quis recuperar a cidade como lugar do encontro e da comunhão, como espaço da paz e da solidariedade..., desalojando aqueles que se fechavam a qualquer tentativa de mudança. Por isso, seu gesto provocativo e escandaloso de entrar na cidade montado num jumentinho, símbolo da simplicidade e do despojamento de qualquer pretensão de poder e força, causou violenta reação naqueles que se beneficiavam da estrutura política e religiosa da cidade. Jesus entrou em Jerusalém rodeado pelo povo simples. Este povo, escravo e oprimido, o aclamou porque viu n’Ele uma luz de esperança, de vida, de libertação; escutou seus ensinamentos e viu seus feitos durante alguns anos; sentiu-se tocado pelas palavras de vida, de justiça, de amor, de misericórdia, de paz... Também viu seus gestos de cura dos enfermos, de defesa dos fracos, de oferta de alimento aos famintos, de reabilitação dos desprezados, de acolhimento dos marginalizados, de denúncia dos opressores... Jesus quis continuar anunciando e realizando na cidade de Jerusalém aquilo que fizera na região excluída da Galiléia; quis também humanizar esta cidade para que ela fosse sol de justiça e paz para todos os povos. Esta é a cidade que Deus deseja: uma praça da alimentação, uma mesa celebrativa para todos. A praça é de todos e todos podem ter acesso a ela, todos podem circular livremente, criar relações e convivência, fazendo a experiência de serem aceitos e reconhecidos como humanos. A mesa, no centro da praça, é lugar de hospitalidade, de festa e de memória, lugar da partilha do pão e dos frutos da terra. Ali ninguém passa fome. Compartilhar a mesa é o grande símbolo da convivialidade, da reconciliação e da inclusão. O ritual da mesa rompe as distâncias e garante a proximidade, estabelece o estreitamento dos vínculos com o diferente. Junto à mesa, cada um se coloca diante do outro, não importando as diferenças de vida, de opções. A comunhão acontece por meio de um gesto que não é de poder, mas de esvaziamento, não é de apropriação, mas de partilha, não é de fechamento, mas de abertura das mãos que acolhem, que distribuem... A mesa da refeição se torna lugar de humanização do ser humano. Espaço de verdadeira reserva de humanidade. Muitos são aqueles que sabem abrir as mãos, partir o pão, saciar a fome do irmão. Com o gesto do “repartir” se estabelece uma rede de relações entre as pessoas que aceitam conspirar, coinspirar, o mesmo ar, o mesmo sonho, a mesma causa. E nada fica como estava... encantamento que faz ressuscitar a vida que já estava morta; refeição que transforma os desertos em mananciais de água. Fazer memória da entrada de Jesus em Jerusalém pode ser uma ocasião privilegiada para transitarmos por nossa Jerusalém interior, um bom espaço onde encontrar a nós mesmos, identificar-nos com os diferentes personagens e sentir-nos parte daquela história. O relato da Paixão de Jesus revela ser também a história de cada um de nós. Porque, afinal de contas, é uma história que aconteceu no passado e continua acontecendo também hoje em nossa interioridade. E é a partir do hoje que nós temos de vive-la, numa atitude contemplativa. E é a partir de nós, e não a partir daqueles personagens de então, que teremos de assumi-la. Vamos, então, com Jesus montado num jumentinho, transitar pelas ruas de nossa Jerusalém interna, reconhecendo os diferentes personagens que ali atuam e que significam diferentes atitudes vividas por cada um de nós. Cada personagem do evangelho é um espelho onde nos vemos. Jerusalém não é só uma cidade geográfica, situada na Palestina. Domingo de Ramos nos motiva a fazer o percurso em direção à nossa Jerusalém interior. Mas, para descer em direção a esta cidade é preciso despojar-nos da vaidade, do prestígio e do poder, montado no jumentinho da simplicidade. Nossa Jerusalém interior é também lugar das contradições e ambiguidades; ali dentro experimentamos a trama de relações conflitivas, ali nos deparamos com as angústias, carências e dúvidas... É preciso cuidar o coração da nossa “Jerusalém interior”, esvaziá-lo, limpá-lo, aquecê-lo, transformá-lo em humilde e acolhedor espaço, para que o Espírito do Senhor possa aí descer e habitar, transmitindo-lhe vida, luz, calor, paz, ternura... É preciso voltar a pôr o “coração de Deus no coração de nossa Jerusalém”. Faz-se necessária uma opção corajosa, como Jesus, para entrar e estar no interior de nossa Jerusalém, para aí descobrir o verdadeiro coração de Deus, que pulsa no ritmo dos excluídos, dos sofredores, dos sedentos. A Campanha da Fraternidade deste ano quer despertar em nós uma sensibilidade solidária com aqueles que são vítimas de uma estrutura social e política que concentra os bens nas mãos de poucos, de maneira especial os alimentos. “Fraternidade e fome” denuncia a vergonhosa chaga social dos famintos em um país que é grande produtor de alimentos. A fome clama aos céus e ressoa em nosso coração; ela é expressão de uma profunda incoerência dos cristãos que se dizem seguidores d’Aquele que veio multiplicar os alimentos. Estamos muito distantes das primitivas comunidades cristãs que “tinham tudo em comum, partiam o pão pelas casas com alegria e simplicidade de coração” (At 2,46). Nosso coração deve se revelar como “praça da alimentação”. O lema da Campanha da Fraternidade deste ano – “dai-lhes vós mesmos de comer” – nos revela que nosso interior é uma reserva de “alimentos humanizadores”: compaixão, desejos nobres, dons originais, criatividade, espírito de busca... São alimentos que plenificam e dão sabor à nossa vida. É preciso extraí-los e multiplicá-los para que a fome de sentido e de esperança das pessoas seja saciada. Ninguém tem o direito de armazenar nos seus celeiros o “trigo” doado por Aquele que é fonte de todo “alimento salutar”. Afinal, alimento guardado é alimento que apodrece. Vida partilhada é vida abundante. “Dai-lhes vós mesmos de comer”: este apelo nos inquieta, ativa nossa sensibilidade e nos faz ampliar a visão em direção à grande multidão de famintos, presentes em nossas cidades: famintos de alimento, de proximidade, de justiça, de comunhão, de afeto... Para Jesus, uma humanidade constituída por nações, cidades, instituições ou pessoas comprometidas em alimentar os famintos, vestir os desnudos, acolher os imigrantes, atender os enfermos e visitar os presos, é o melhor reflexo do coração de Deus e a melhor concretização de seu Reino. Esta é a utopia do Reino; tudo está reconciliado: o cosmos, com a natureza verde e em paz; os produtos do trabalho humano, da generosidade do mar e da terra; e as pessoas, numa relação harmoniosa entre elas mesmas e com Deus, sem exclusões, competições nem privilégios. Isto é possível porque todos se deixam afetar pelo dom do mesmo Reino que cresce já no coração de todos. Texto bíblico: Mt 21,1-11 Na oração: procure descobrir os sinais do Reino de Deus no meio da aparente confusão de sua Jerusalém interior: lugar da partilha? Espaço aberto e acolhedor?... – Como recriar, no coração da cidade interior, o ícone da Nova Jerusalém, a cidade cheia de humanidade e comunhão, o lugar da justiça e fraternidade? - Você já parou para pensar na abundância de recursos e nutrientes em seu coração e que poderia compartilhar com os outros? Em seus celeiros interiores há abundância de alimentos que humanizam. - “Diga-me como você habita sua cidade interior e eu lhe direi como é sua presença no seu espaço urbano”.


Fonte: Padre Adroaldo

Mais Recentes

“A caridade é paciente, a caridade é benigna”: o Reitor-Mor revela o tema da Estreia de 2027

(ANS – Roma) – O Reitor-Mor, padre Fabio Attard, revelou oficialmente o tema da Estreia de 2027, que oferece à Família Salesiana uma reflexão aprofundada sobre o caminho percorrido nos últimos anos e as perspectivas abertas para o futuro. O novo tema, “A caridade é paciente, a caridade é benigna – ‘Consagrados’ ao bem integral dos jovens”, afunda suas raízes no hino à caridade de São Paulo e na herança pedagógica do Sistema Preventivo de Dom Bosco, convidando cada membro da Família Salesiana a um empenho renovado, tanto educativo quanto pastoral, em favor dos jovens, especialmente os mais necessitados. Três ocorrências significativas Apresentada num momento de grande significado para o mundo salesiano, a Estreia 2027 insere-se no caminho marcado pelos anos de 1875 a 1877, um triênio repleto de eventos fundantes para Dom Bosco, a Congregação e a Família Salesiana, cujo 150º aniversário é comemorado este ano. Padre Attard relembra o caminho iniciado com a Estreia de 2025, “Ancorados na esperança, peregrinos com os jovens”, dedicada à primeira expedição missionária salesiana de 1875 e vivida sob o signo do Jubileu, e com a Estreia de 2026, “Fazei o que ele vos disser – Crentes, livres para servir”, centrada na fundação dos Cooperadores Salesianos e nas palavras de Maria nas bodas de Caná (Jo 2,5). A esses dois aniversários soma-se agora o do 150º aniversário da Primeira Expedição Missionária das Filhas de Maria Auxiliadora, além do 150º aniversário da redação, em 1877, de um dos escritos mais importantes de Dom Bosco: “O Sistema Preventivo na educação dos jovens”. A escolha do tema O título da Estreia de 2027 retoma diretamente as palavras com que o próprio Dom Bosco descreveu o fundamento do seu método educativo, citando São Paulo: «A prática desse sistema baseia-se toda nas palavras de São Paulo: “A caridade é benigna e paciente; tudo sofre; mas espera tudo e suporta qualquer incômodo”». A segunda parte do título, o convite a ser "consagrado" ao bem integral dos jovens, retoma uma expressão que o próprio Dom Bosco utilizou duas vezes em seus escritos, ressaltando como o diretor e o educador devem estar "totalmente consagrados" aos seus educandos, prontos a enfrentar qualquer esforço em prol de sua educação cívica, moral e científica. A estrutura da Estreia de 2027 À luz dessas referências, padre Attard estruturou a Estreia de 2027 em duas partes. A primeira parte propõe uma leitura aprofundada do contexto do hino à caridade de São Paulo, contido no capítulo 13 da Primeira Carta aos Coríntios, apresentado como “o caminho mais sublime” que conduz à conformidade com Cristo. Nascido como resposta às divisões e rivalidades que atravessavam a comunidade de Corinto, o elogio paulino à caridade torna-se, para a Família Salesiana, o critério para verificar a autenticidade da vida cristã e da caridade pastoral para com os jovens. “ “Podemos falar todas as línguas, conhecer os mistérios de Deus, possuir uma fé extraordinária e realizar atos heroicos – lê-se na Apresentação –, mas, sem amor, somos apenas ruído, e tudo o que fazemos perde seu valor mais profundo”. A segunda parte da Estreia, por sua vez, reinterpreta os três pilares do Sistema Preventivo – razão, religião e amorevolezza/bondade – à luz dos atuais desafios educativos. No plano da razão, padre Attard propõe redescobrir o Sistema Preventivo como uma “pedagogia do encontro”, que coloca no centro não os programas ou as estruturas, mas cada jovem concreto, com sua história pessoal e suas potencialidades, evocando a experiência de Valdocco e a importância das redes educativas construídas com os jovens, e não apenas para eles. No plano da religião, o Reitor-Mor convida a reconhecer a “sede espiritual” que habita no coração dos jovens, num tempo marcado pela hiperconectividade, pela solidão e pela falta de espaços de silêncio, ressaltando a importância de acompanhá-los no reconhecimento da voz de Deus em suas próprias vidas. No plano da amorevolezza/bondade, enfim, padre Attard propõe como modelo Jesus, o Bom Pastor e peregrino de Emaús, capaz de caminhar ao lado dos discípulos, ouvi-los e iluminar a experiência deles, um estilo marcado pela proximidade, doçura e benevolência, já vivido em Valdocco e voltado com especial predileção para os jovens mais pobres. O Sistema Preventivo: o nosso tesouro “Carisma e competência caminham juntos pelo bem integral dos jovens”, escreve padre Attard, lembrando que o Sistema Preventivo não é apenas um método, mas o dom de um carisma confiado a toda a Família Salesiana no mundo, que deve ser amado, conhecido e conservado com humildade e inteligência, evitando toda superficialidade. Com a apresentação da Estreia de 2027, padre Attard convida todos os membros da Família Salesiana a viverem com alegria o 150º aniversário de “O Sistema Preventivo na educação dos jovens”, transformando-o em ocasião preciosa e providencial para um conhecimento mais profundo do carisma salesiano e um empenho educativo e pastoral renovado em favor dos jovens. O pôster oficial da Estreia de 2027 será apresentado proximamente a toda a Família Salesiana, enquanto o texto integral estará disponível a partir do final de dezembro de 2026. A apresentação do padre Attard já está disponível no final da página nos seguintes idiomas: italiano, inglês, espanhol, francês, português e polonês. Fonte: ANS

Jornada Formativa da Rede Salesiana Brasil aproxima colaboradores do carisma e das diferentes expressões da missão salesiana.

Durante quatro dias, colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil percorreram escolas, obras sociais, espaços de memória, universidade, oratórios e santuários para vivenciar, na prática, as diferentes dimensões do carisma de Dom Bosco e Madre Mazzarello Brasília (DF) — 16 de agosto de 2026. Mais do que uma viagem, uma experiência formativa. Entre os dias 13 e 16 de agosto, os colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil (RSB) participaram, em Aparecida e cidades do Vale do Paraíba, de uma jornada construída para aproximar as pessoas que atuam na gestão e articulação nacional da Rede daquilo que está na essência de sua missão: educar, evangelizar, acolher e transformar vidas. A Jornada de Formação e Integração da Equipe do Escritório da RSB 2026 foi concebida como uma experiência de imersão no carisma salesiano. Ao longo de quatro dias, a equipe percorreu diferentes presenças salesianas e espaços de espiritualidade, conhecendo histórias, práticas educativas, experiências pastorais e iniciativas sociais que ajudam a traduzir, no cotidiano, a missão que orienta o trabalho da Rede. O percurso começou ainda em fevereiro, quando a Gestora de Projetos da Rede Salesiana Brasil, Ana Paula Costa e Silva, apresentou aos colaboradores a proposta da imersão. Desde então, a preparação passou também pelos encontros do Giro Rede, espaço permanente de integração, formação e alinhamento estratégico do escritório. Em junho, a Diretora Executiva da RSB, Ir. Sílvia Aparecida, conduziu um momento dedicado à vida e ao carisma de Madre Mazzarello. No mês seguinte, o Diretor Executivo, Pe. Sérgio Baldin, conduziu uma reflexão sobre São João Bosco. Assim, antes mesmo de chegar a Aparecida, a equipe já iniciava o caminho de preparação para uma experiência que buscava ultrapassar a dimensão conceitual e permitir uma aproximação concreta com as raízes da missão salesiana. A programação oficial foi organizada em quatro dias e contemplou experiências em Guaratinguetá, Lorena, Aparecida e Pindamonhangaba, conectando diferentes expressões da presença salesiana. O primeiro passo: sair da rotina para entrar na experiência A chegada a Aparecida, no dia 13 de agosto, marcou o início efetivo da jornada. Depois do deslocamento de Brasília até Congonhas e da viagem até Aparecida, os colaboradores tiveram um período de integração antes da abertura oficial da experiência. À noite, no Hotel Rainha do Brasil, na Sala Cardeal Mota, a Ir. Sílvia Aparecida e o Pe. Sérgio Baldin conduziram o primeiro “Boa Noite” da jornada, apresentando o significado da experiência, as orientações da programação e a dinâmica de integração. O momento estabeleceu o tom dos dias seguintes: não se tratava apenas de conhecer lugares salesianos, mas de olhar para cada experiência a partir da missão da Rede. Era o primeiro aprendizado da jornada: para compreender melhor o trabalho realizado no escritório, seria necessário sair temporariamente de seus espaços habituais e aproximar-se das realidades que dão sentido a esse trabalho. Na escola, compreender que o carisma se transforma em prática educativa Na manhã seguinte, a equipe seguiu para Guaratinguetá, onde visitou o Colégio Nossa Senhora do Carmo. A experiência colocou os colaboradores diante de uma das expressões centrais da missão salesiana: a educação. A visita guiada, conduzida pela Ir. Cláudia Ribeiro, coordenadora da Pastoral do Colégio, e pela diretora pedagógica, Adriana Scaldaferri, permitiu conhecer mais de perto a realidade de uma presença educativa da Rede. A escolha da escola dentro da jornada não foi casual. Para quem atua no escritório da RSB, conhecer a primeira unidade educacional das Filhas de Maria Auxiliadora significa aproximar o planejamento, as políticas, os projetos e as estratégias institucionais da realidade de quem está diariamente junto aos estudantes, às famílias, aos educadores e à comunidade. O que a escola ensinou à equipe? Que a missão salesiana ganha vida quando princípios, projetos e estratégias chegam ao cotidiano educativo e se transformam em relações, experiências de aprendizagem e acompanhamento dos jovens. No Memorial das FMA, a memória como instrumento de identidade Ainda em Guaratinguetá, o grupo seguiu para o Memorial das Filhas de Maria Auxiliadora, localizado na Casa do Puríssimo Coração de Maria. A visita teve como eixo a experiência educativa de Madre Mazzarello e foi conduzida por Ir. Teresa Cristina Pisani, referente da Pastoral Juvenil da Inspetoria Nossa Senhora Aparecida (BAP) e pela Isadora Prudente, responsável pelo Memorial das Filhas de Maria Auxiliadora no Brasil, O espaço preserva a história da chegada das Filhas de Maria Auxiliadora ao Brasil, em 1892, e possibilitou aos colaboradores uma aproximação com a trajetória das primeiras Salesianas no país. Para Ir. Teca, a experiência da jornada também permitiu perceber a força adquirida pela Rede Salesiana Brasil em seu processo de construção e expansão. “Essa última experiência sintetizou, de maneira especial, o propósito da jornada: não apenas conhecer o carisma salesiano, mas deixar-se tocar por ele para retornar ao trabalho com ainda mais consciência sobre a missão que cada colaborador ajuda a construir.” Ressaltou. Mais do que revisitar objetos e acontecimentos históricos, a experiência trouxe uma pergunta fundamental para quem trabalha na Rede: o que dá experiência de Mazzarello precisa continuar vivo hoje? A resposta passa pela capacidade de transformar memória em identidade e identidade em ação. O Memorial ensinou que uma instituição que não conhece suas raízes corre o risco de perder o sentido de sua missão. Para a RSB, preservar e conhecer essa história significa também compreender de onde vêm os valores que orientam suas escolhas no presente. No Oratório São Luís, reencontrar o coração da missão de Dom Bosco Depois do almoço em Guaratinguetá, a jornada seguiu para Lorena, onde os colaboradores visitaram o Oratório São Luís. O espaço representa uma das expressões mais emblemáticas da pedagogia salesiana: o pátio como lugar de encontro, convivência, alegria, educação e evangelização. A visita guiada foi conduzida por Rogério Lima, coordenador geral da obra social. Para uma equipe que atua estrategicamente na Rede, estar em um oratório significa reencontrar um princípio fundamental do próprio carisma: a missão começa na proximidade com os jovens. Ali, o Sistema Preventivo e os cadernos de identidade organizacional do social da Rede Salesiana Brasil deixam de ser apenas um conceito estudado em documentos e passa a ser percebido como uma maneira de estar com as juventudes. O Oratório ensinou que o carisma salesiano acontece na relação. É no pátio, na escuta, na convivência e na presença educativa que a proposta de Dom Bosco e Madre Mazzarello encontram uma de suas expressões mais concretas. Na Casa de Formação e no UNISAL, diferentes caminhos para uma mesma missão Ainda em Lorena, a equipe foi recebida para um café da tarde na Casa de Formação dos Salesianos de São Paulo, em um momento conduzido pelo Pe. Leandro. Em seguida, conheceu o UNISAL – Centro Universitário Salesiano de São Paulo, campus Lorena, em visita guiada pelo professor Mateus Afonso Gomes, coordenador de Extensão Universitária, e pelo professor Diego Amaro de Almeida, coordenador do curso de História. A presença da universidade ampliou a compreensão sobre a diversidade de frentes que compõem a missão salesiana. Se na escola a educação é vivenciada desde os primeiros anos da formação, na universidade ela se projeta para a formação acadêmica e profissional. O UNISAL mostrou à equipe que a educação salesiana não se limita a uma etapa da vida: ela acompanha diferentes momentos da formação humana e profissional. A espiritualidade como fundamento, não como elemento complementar O dia terminou no Santuário São Benedito, também em Lorena, com a celebração da Missa presidida pelo Pe. Daniel Neri, reitor do Santuário. Depois de um dia marcado por escola, memória, oratório, formação e universidade, a celebração eucarística deu outro sentido ao percurso. A experiência ajudou a reforçar uma dimensão essencial da identidade salesiana: a ação educativa e social não está dissociada da espiritualidade. A formação, portanto, não buscava apenas apresentar estruturas e projetos. Pretendia ajudar cada colaborador a compreender que, por trás de cada iniciativa, existe uma missão sustentada por valores, fé e compromisso com a transformação das pessoas. Caminhar com Maria para caminhar em Rede O terceiro dia da jornada foi marcado por um dos momentos mais significativos da experiência: a participação dos colaboradores na Romaria da Família Salesiana, em Aparecida. A equipe saiu do Hotel Rainha do Brasil em direção ao Porto de Itaguaçu, percorrendo o Caminho do Rosário até o início da caminhada da Romaria. A peregrinação terminou no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde foi celebrada a Missa Solene. Nesse momento, a formação ganhou uma dimensão coletiva. Os colaboradores deixaram de ser apenas observadores da missão salesiana para se reconhecerem como parte de uma grande família presente em diferentes territórios, obras e realidades. Mesmo com uma forte chuva que caiu durante a procissão, milhares de peregrinos permaneceram no caminho. A água não interrompeu a caminhada nem diminuiu a disposição daqueles que seguiam rumo à Casa da Mãe Aparecida. Para a equipe da RSB, a cena tornou-se também uma experiência simbólica: a missão exige perseverança, presença e disposição para continuar caminhando mesmo quando o percurso apresenta dificuldades. Após a celebração, a programação prosseguiu com uma visita guiada ao Santuário Nacional de Aparecida. À noite, depois do jantar, a equipe participou de uma roda de conversa, criando um espaço para compartilhar percepções e aprendizados acumulados durante os dias anteriores. Foi o momento de transformar experiência em reflexão. E cada um pode responder o que levaria daquela jornada para seu trabalho no escritório? Na casa de Dom Bosco, a jornada reencontra suas raízes No dia 16 de agosto, data em que toda a Família Salesiana celebra o nascimento de São João Bosco, a Jornada Formativa e de Integração da Equipe do Escritório da Rede Salesiana Brasil chegou à sua última experiência: uma visita à Obra Social Salesiana de Pindamonhangaba. A escolha da data e do local conferiu um significado especial ao encerramento da jornada. Mais do que conhecer uma obra social salesiana, os colaboradores tiveram a oportunidade de visitar uma réplica fiel da casa onde Dom Bosco nasceu e viveu parte de sua infância, um espaço que preserva a memória e ajuda a aproximar, de maneira concreta, as novas gerações da história do fundador da Família Salesiana. Em meio à programação que, ao longo dos dias, levou a equipe por escolas, espaços de memória, oratórios, universidade, casas de formação, santuários e experiências de espiritualidade, a visita à réplica da casa de Dom Bosco representou um retorno às origens do carisma. Ali, no dia em que se celebra o nascimento daquele que dedicou sua vida à educação e à evangelização da juventude, a formação ganhou uma dimensão ainda mais simbólica: conhecer as raízes para compreender melhor a missão que continua sendo construída no presente. A visita foi conduzida pelo Pe. Agnaldo, diretor da Obra Social Salesiana de Pindamonhangaba, que apresentou aos colaboradores a presença salesiana e o espaço dedicado à memória de Dom Bosco. Para o Pe. Agnaldo, a experiência também representa a possibilidade de testemunhar o caminho de crescimento e amadurecimento da Rede Salesiana Brasil ao longo dos últimos anos. “Depois de ter vivido, em 2013, 2014, a concretização da RSB, expandindo os seus braços de Rede Salesiana Brasil também para a dimensão do social, para a dimensão da comunicação, e agora ver o quanto esta árvore, vamos chamar assim, ela conseguiu se tornar abrangente, envolvente, renovada e fortalecida, com a equipe que eu vi aqui ontem, que trouxe antigos membros desta organização salesiana e, ao mesmo tempo, novos em outras funções estratégicas, mostrando que não ficamos parados, mas sim procuramos buscar novos formatos de gestão, de organização, para que, de fato, a RSB seja este grande órgão de animação, de articulação, de fortalecimento da ação salesiana, em todas as suas dimensões, com uma resposta renovada, atualizada e capaz de dar passos para enfrentarmos, sempre com maior profissionalismo, os desafios da realidade de hoje”, afirmou. No dia em que a Família Salesiana celebrou o nascimento de Dom Bosco, os colaboradores da Rede Salesiana Brasil encerraram sua jornada diante de uma casa que simboliza o início de uma missão. Uma forma concreta de recordar que, por trás de projetos, estratégias, processos e ações em rede, existe uma história, uma espiritualidade e um compromisso com a juventude que continuam dando sentido ao trabalho realizado diariamente. Essa última experiência sintetizou, de maneira especial, o propósito da jornada: não apenas conhecer o carisma salesiano, mas deixar-se tocar por ele para retornar ao trabalho com ainda mais consciência sobre a missão que cada colaborador ajuda a construir. Uma jornada para quem trabalha nos bastidores da missão A Jornada Formativa e de Integração da Equipe do Escritório da RSB foi construída sobre uma compreensão simples, mas estratégica: quem trabalha na articulação da Rede também precisa experimentar a Rede. Durante quatro dias, os colaboradores puderam percorrer diferentes expressões do carisma e perceber que educação, ação social, pastoral, espiritualidade, formação profissional, universidade, memória e comunicação não são áreas isoladas. São dimensões de uma mesma missão. A experiência também reforçou uma convicção que orienta o trabalho da Rede Salesiana Brasil: o trabalho em rede começa pelas pessoas. Por isso, a jornada iniciada em fevereiro, preparada nos encontros do Giro Rede e concretizada em Aparecida não teve como objetivo apenas formar profissionais mais alinhados institucionalmente. Buscou fortalecer pessoas mais conscientes da missão que representam. Ao revisitar a trajetória de Dom Bosco e Madre Mazzarello, conhecer as presenças salesianas e compartilhar experiências com quem vive diariamente essa missão, os colaboradores foram convidados a olhar para o próprio trabalho com uma nova perspectiva. Não apenas como uma atividade técnica ou administrativa, mas como parte de uma grande rede que existe para educar, evangelizar, promover direitos, acolher e gerar oportunidades para as novas gerações. A viagem terminou com o retorno a Brasília. A jornada, porém, continua no cotidiano do escritório. Porque o principal resultado de uma formação como essa não está apenas nos lugares visitados, nas histórias conhecidas ou nos momentos compartilhados. Está naquilo que cada pessoa leva consigo e transforma em ação quando volta ao trabalho. E, nesse sentido, a experiência em Aparecida cumpriu seu propósito: aproximar quem atua nos bastidores da Rede daqueles que estão na ponta da missão, fortalecendo identidade, pertencimento e compromisso para que, em cada projeto, decisão e estratégia, o carisma salesiano continue encontrando novas formas de chegar às juventudes.

Sob chuva, Família Salesiana se reúne em Aparecida para 26ª Romaria e reafirma compromisso com a missão de Dom Bosco e Madre Mazzarello

Colaboradores da Rede Salesiana Brasil participam da peregrinação e vivem jornada de fé, integração e comunhão no Santuário Nacional de Aparecida A chuva forte que caiu durante parte da caminhada até o Santuário Nacional de Aparecida não interrompeu a peregrinação. Sob a água, milhares de pessoas seguiram juntas, levando consigo a fé, a devoção e o sentimento de pertença à Família Salesiana. Neste sábado, 15 de agosto, a cidade de Aparecida (SP) recebeu a 26ª Romaria da Família Salesiana, em um dos principais momentos de comunhão da presença salesiana no Brasil. Com o tema “Caminhando com Maria, façamos tudo o que Ele nos disser”, a romaria reúne Salesianos de Dom Bosco, Filhas de Maria Auxiliadora, Salesianos Cooperadores, Ex-Alunos e Ex-Alunas, jovens, educadores, colaboradores, famílias e integrantes dos diferentes grupos da Família Salesiana. Entre os participantes estão colaboradores do escritório da Rede Salesiana Brasil (RSB), que vivenciam a romaria como parte de uma Jornada Formativa. A experiência busca aproximar a equipe da realidade concreta da missão salesiana e fortalecer vínculos, espiritualidade, integração e sentido de pertença à Rede. Uma jornada que une formação, espiritualidade e missão A participação dos colaboradores da RSB na romaria integra uma proposta formativa construída para ir além dos momentos institucionais e oferecer uma experiência de contato direto com o carisma salesiano. Ao longo da jornada, os profissionais são convidados a vivenciar a espiritualidade, conhecer experiências concretas desenvolvidas nas obras e escolas salesianas, fortalecer relações fraternas e refletir sobre como o trabalho realizado no escritório contribui para a missão educativa e evangelizadora da Rede. A proposta parte de uma compreensão de que a missão salesiana se fortalece quando aqueles que atuam em diferentes áreas da Rede conseguem reconhecer, na prática, o impacto do trabalho desenvolvido junto às crianças, aos adolescentes, aos jovens e às famílias. Nesse contexto, a peregrinação a Aparecida assume também um significado institucional. Para os colaboradores que atuam no escritório da RSB, estar junto das diferentes expressões da Família Salesiana permite aproximar planejamento, gestão e estratégias da realidade vivida nas comunidades e presenças salesianas. Caminhar com Maria A concentração teve início às 9h, na Capela São Geraldo, no Porto Itaguaçu. Às 10h, os peregrinos iniciaram a caminhada em direção ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. No percurso, a chuva forte que atingiu a região marcou a caminhada. Mesmo com a mudança das condições climáticas, os milhares de peregrinos permaneceram no trajeto, transformando a chuva em mais um elemento de uma experiência coletiva de fé. A cena reforçou o próprio sentido da peregrinação: caminhar juntos, superar desafios e chegar à Casa da Mãe Aparecida movidos por uma esperança compartilhada. Ao meio-dia, os participantes se reúnem para a Missa Solene no Santuário Nacional, celebrando a fé e renovando o compromisso com a missão salesiana. Uma tradição que chega à 26ª edição A Romaria da Família Salesiana de São Paulo tornou-se, ao longo de 26 anos, uma importante expressão de devoção mariana e de unidade entre os diferentes grupos que compõem a Família Salesiana. A peregrinação também mantém viva a memória de São João Bosco e de Santa Maria Domingas Mazzarello, fundadores e referências de uma missão que continua presente em diferentes contextos sociais e culturais. A celebração deste ano ganhou ainda um significado especial pela continuidade da peregrinação da Imagem Peregrina de Nossa Senhora Aparecida, tradição que percorreu os Centros Locais da Associação dos Salesianos Cooperadores da Província Nossa Senhora Auxiliadora. Iniciada após a Romaria de 2025, a peregrinação passou por diferentes comunidades salesianas ao longo do último ano. Depois de visitar 20 Centros Locais, a imagem chega à etapa final de seu percurso e, neste sábado, será entregue aos Ex-Alunos e Ex-Alunas de Dom Bosco, dando continuidade à tradição de devoção mariana e evangelização entre os grupos da Família Salesiana. Uma experiência que fortalece a Rede Para a Rede Salesiana Brasil, a presença de seus colaboradores na Romaria representa também uma oportunidade de fortalecer a compreensão sobre o papel de cada área na construção de uma atuação integrada em todo o país. A experiência formativa busca conectar espiritualidade, conhecimento, relações humanas e prática profissional, favorecendo uma compreensão mais ampla da missão que sustenta o trabalho cotidiano do escritório. Ao caminhar ao lado de educadores, religiosos, jovens, famílias e representantes das diferentes presenças salesianas, os colaboradores são convidados a reconhecer que cada planejamento, projeto, comunicação, processo de gestão ou ação desenvolvida em rede tem como horizonte uma missão maior: contribuir para uma educação que transforma vidas e para uma evangelização capaz de gerar esperança. Em Aparecida, sob o olhar de Nossa Senhora, essa missão ganha uma dimensão ainda mais concreta. A peregrinação não é apenas um deslocamento até o Santuário. É um caminho de encontro, escuta, comunhão e renovação do compromisso com o carisma de Dom Bosco e de Madre Mazzarello. E, mesmo quando a chuva apertou, ninguém parou de caminhar. Porque, para a Família Salesiana, caminhar juntos também é uma forma de renovar a esperança e reafirmar que a missão continua.
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