Representante FMA na ONU fala sobre Direitos Humanos e Missão Salesiana
26/09/2024

Representante FMA na ONU fala sobre Direitos Humanos e Missão Salesiana

Representante FMA na ONU fala sobre Direitos Humanos e Missão Salesiana
Foto: Rede Salesiana Brasil 

A Filha de Maria Auxiliadora (FMA), Irmã Sarah Bawagan Garcia, é a atual Diretora e principal representante do Escritório de Direitos Humanos do Instituto Internacional Maria Auxiliadora (IIMA) e VIDES nas Nações Unidas (ONU), em Genebra, desde janeiro de 2019. Este ano, durante sua visita ao Brasil para participar do Encontro Continental de Obras e Serviços Sociais Salesianos da América, promovido pela Rede América Social Salesiana (RASS) e Rede Salesiana Brasil (RSB), Ir. Sarah concedeu uma entrevista à Coordenadora Nacional de Comunicação da RSB, Ir. Maike Loes, sobre sua atuação na ONU, os desafio, as alegrias e sua visão dos movimentos da missão salesiana em prol das juventudes no continente americano.

Confira a entrevista na íntegra:

Ir. Maike: Quais são os seus maiores desafios como representante do Instituto Internacional das Filhas de Maria Auxiliadora e do VIDES à frente do Escritório de Direitos Humanos na ONU? E as maiores alegrias?

Ir. Sarah: O Instituto Internacional Maria Auxiliadora (IIMA), como uma associação religiosa com status consultivo especial no Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (ECOSOC), continua comprometido em enfrentar os desafios de defender o direito à educação para todos, promover o empoderamento de crianças, jovens, mulheres e outros setores vulneráveis da sociedade, e preparar defensores locais dos direitos humanos e promotores do bem comum. Embora o processo nem sempre seja simples e fácil, as respostas das Províncias [Inspetorias] FMA são sempre enriquecedoras e inspiradoras, pois realizam essa missão com muita paixão e compaixão, grande solidariedade e trabalho em rede. Estar em contato com as realidades e obras de nossas Irmãs e Comunidades Educativas presentes em 97 países é uma oportunidade de aprender e divulgar as "Boas Novas" de como a vida está sendo gerada de forma carismática e evangélica, como resposta ao clamor das periferias existenciais e geográficas. Só posso ser grata e regozijar-me por tamanha graça e bênção.

Ir. Maike: Como o carisma salesiano orienta as ações do Escritório de Direitos Humanos? É possível conjugar o carisma salesiano e a defesa dos direitos humanos com o ambiente das Nações Unidas?

Ir. Sarah: Os princípios orientadores do Escritório de Direitos Humanos do IIMA baseiam-se no Método Educativo Salesiano, que coloca a dignidade de cada ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, no centro da ação educacional. Esse é o sonho de Dom Bosco e Madre Mazzarello. De fato, o bem dos jovens e dos grupos vulneráveis está no coração de nossa missão educativa e de nossos esforços. Um dos objetivos do IIMA é traduzir o Sistema Preventivo na linguagem dos direitos humanos. O Escritório implementa o Método Salesiano baseando suas ações na Educação em Direitos Humanos, incorporando-o aos Ensinamentos Sociais da Igreja e ao humanismo cristão. Formar "bons cristãos e honestos cidadãos" de hoje e de amanhã exige que eduquemos todos, especialmente os grupos mais vulneráveis – crianças, jovens, mulheres, incluindo educadores e famílias – para que se tornem conscientes de seus direitos e responsabilidades fundamentais e que sejam capacitados a usar os instrumentos e mecanismos das Nações Unidas para respeitar, defender, promover e realizar seus direitos humanos e os dos outros em níveis local, nacional, regional e internacional. O objetivo do Escritório de Direitos Humanos é educar, formar e capacitar cidadãos com forte compromisso social e político para construir um mundo de paz, justiça, inclusão, solidariedade e fraternidade. O sonho e o plano de Deus para a humanidade são nossa preocupação.

Ir. Maike: Como você avalia a iniciativa do encontro continental da RASS e RSB considerando os desafios atuais enfrentados no mundo para a garantia dos direitos das juventudes?

Ir. Sarah: O Congresso Continental de Obras e Serviços Sociais Salesianos na América é, para nós, Filhas de Maria Auxiliadora Salesianas e Membros da Família Salesiana, uma expressão concreta de sinodalidade e de uma busca aprofundada por uma resposta mais evangélica e carismática ao clamor dos pobres, dos jovens e das comunidades vulneráveis. Seu tema "Sonhando em Rede" destaca de maneira eloquente a capacidade da RASS e da RSB de enfrentar os desafios dos tempos que emergem no coração das obras e serviços sociais salesianos no Continente. A insistência em proteger a dignidade dos seres humanos, garantir seus direitos, especialmente os dos setores mais vulneráveis da sociedade, empoderar os jovens como agentes de transformação social e promover a inclusão de famílias e comunidades vulneráveis e excluídas são um renovado apelo carismático à fidelidade criativa e à vitalidade da novidade evangélica em nossas obras e serviços sociais. A transformação humana e social é, de fato, inseparável dos direitos humanos e da responsabilidade social.
Obrigada, querida Rede Salesiana Brasil, pelo excelente trabalho que vocês estão fazendo para que "todos tenham vida em plenitude e vida em abundância". A todos vocês e àqueles que trabalharam nos bastidores, minha mais sincera gratidão. Deus abençoe e multiplique seus dons. Vocês fazem a diferença!

SOBRE IR. SARAH BAWAGAN GARCIA

Sarah Bawagan Garcia, FMA, é a atual Diretora e principal representante do Escritório de Direitos Humanos do Instituto Internacional Maria Auxiliadora (IIMA) e VIDES nas Nações Unidas (ONU), em Genebra, desde janeiro de 2019. 

Ela recebeu seu Bacharelado em Ciências em Educação Elementar em 1981, pelo Philippine Normal College, e continuou seus estudos na Pontificia Facoltà di Scienze dell'Educazione “Auxilium”, em Roma, por meio de um Bacharelado em Ciências da Educação, em 1986, e um Mestrado em Ciências da Educação com especialização em Catequese, em 1988. 

Originalmente das Filipinas, Sarah também trabalhou como missionária em Mianmar e Camboja. Por mais de 40 anos, Ir. Sarah tem se dedicado à melhoria da juventude por meio de seu trabalho em diferentes funções. Ela foi professora, diretora de noviças, líder comunitária, Vigária Provincial da Pré-província do Sudeste Asiático, Superiora da Pré-província do Camboja-Mianmar e Provincial das Filipinas e Papua Nova Guiné. Sarah se juntou ao Escritório de Direitos Humanos do IIMA em 2016 e, desde então, tem auxiliado em cursos de treinamento, organizando eventos paralelos e desenvolvendo relatórios relevantes sobre as diferentes questões de interesse do Escritório.

Escrito por Janaína Lima, Analista de Comunicação da Rede Salesiana Brasil, com informações de IIMA Human Rights Office

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Ela acrescenta que a admiração do povo Boe Bororo por Padre Rodolfo e Simão Bororo foi um dos aspectos que mais a impressionaram durante a visita. Luana também recorda a convivência com a comunidade. “Notei que as crianças estavam sempre muito gratas e felizes com tudo. Sempre havia alguma criança nos acompanhando durante a caminhada pela aldeia”. Celebrações aproximaram os jovens da história dos mártires Ainda na primeira noite em Meruri, os peregrinos participaram da Via Sacra dos mártires realizada pelas ruas da aldeia. Em cada estação foram apresentados testemunhos sobre a vida e o martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo. Um dos versículos proclamados durante a celebração permaneceu na memória de Luana: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos”. No dia seguinte, os jovens participaram da procissão que começou no cemitério da comunidade indo até a celebração eucarística em memória dos dois Servos de Deus. 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Brenda descreveu a atividade como “uma experiência única, daquelas que ficam guardadas para sempre na memória”, enquanto Khalil Siqueira Gonçalves, de 16 anos, recordou o clima de descontração vivido durante todo o percurso. “Passamos pelo rio, enfrentamos subidas e até algumas quedas, mas tudo valeu a pena ao contemplarmos a vista lá de cima”. Além da caminhada, Khalil destaca outro aspecto da peregrinação. “Poder rezar e ouvir os testemunhos sobre Simão e o padre Rodolfo fez com que eu refletisse sobre o motivo de estar ali. Aprendi o verdadeiro valor da amizade e da alegria de estar ao lado dos nossos amigos.” Viagem deixa marcas para além do percurso Após as celebrações em Meruri, o grupo seguiu para Campo Grande, onde participou de um momento de convivência antes do retorno a Corumbá. Embora o dia de lazer apareça nas lembranças dos jovens como um encerramento alegre da peregrinação, os depoimentos convergem para um legado mais profundo. 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Jovens da AJS e Família Salesiana de Campo Grande vivem o Cinquentenário dos Mártires em Meruri

Uma caravana formada por 42 pessoas da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, de Campo Grande (MS), participou das celebrações pelos 50 anos do martírio do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, realizadas entre os dias 14 e 15 de julho, na Terra Indígena de Meruri (MT). O grupo foi composto por jovens da Articulação da Juventude Salesiana (AJS), integrantes da Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), Salesianos Cooperadores,  e Irmãs do Instituto Jesus Adolescente e outros membros da Família Salesiana. A peregrinação teve início na noite de 13 de julho, com saída da matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, e chegada à aldeia de Meruri na manhã do dia seguinte. A peregrinação foi organizada pela assessora adulta da AJS, Eliamara Jacquet, que contou com o apoio e a acolhida do pároco, Padre Orozimbo de Paula Jr., que incentivou a vivência desse momento de fé e memória junto à comunidade salesiana de Meruri. A celebração recordou os 50 anos do martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, mortos em 15 de julho de 1976 durante a defesa do povo Bororo e de seus direitos. Uma caravana formada por 42 pessoas da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, de Campo Grande (MS), participou das celebrações pelos 50 anos do martírio do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, realizadas entre os dias 14 e 15 de julho, na Terra Indígena de Meruri (MT). O grupo foi composto por jovens da Articulação da Juventude Salesiana (AJS), integrantes da Associação de Maria Auxiliadora (ADMA), Salesianos Cooperadores,  e Irmãs do Instituto Jesus Adolescente e outros membros da Família Salesiana. A peregrinação teve início na noite de 13 de julho, com saída da matriz da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, em Campo Grande, e chegada à aldeia de Meruri na manhã do dia seguinte. A peregrinação foi organizada pela assessora adulta da AJS, Eliamara Jacquet, que contou com o apoio e a acolhida do pároco, Padre Orozimbo de Paula Jr., que incentivou a vivência desse momento de fé e memória junto à comunidade salesiana de Meruri. A celebração recordou os 50 anos do martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo, mortos em 15 de julho de 1976 durante a defesa do povo Bororo e de seus direitos. Fé, memória e encontro com a missão Durante os dias de peregrinação, os participantes acompanharam a programação preparada para o jubileu, que reuniu missionários, povos indígenas, religiosos, leigos e jovens de diferentes regiões do Brasil. Entre as atividades estiveram o Oratório, visitas à comunidade indígena, momentos de convivência, a Via Sacra dos Mártires, a Santa Missa Jubilar e a subida ao morro, experiência marcada pela oração e contemplação. Para o jovem Gabriel Tavares, da AJS da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, um dos momentos mais marcantes foi a caminhada até o alto do morro. “A subida do morro no início da manhã parecia cansativa, mas logo o cansaço deu lugar à alegria. Rindo e caminhando juntos, o sono e a preguiça ficaram para trás. Atravessar o riacho foi muito divertido e a trilha tornou-se leve. Tudo, porém, foi recompensado no topo: contemplar o sol nascendo sobre as terras ao redor foi um momento de oração. Ali percebemos o quanto Deus é maravilhoso em suas obras”. A aspirante dos Salesianos Cooperadores Vera Desmarest, do Centro Local São Paulo VI, destacou que a celebração a fez compreender de forma ainda mais profunda o significado da entrega vivida pelos mártires.“A celebração foi muito bonita e emocionante. Ao recordar a história desses dois mártires, fui levado a refletir sobre o significado da entrega da própria vida. Compreendi que doar-se não significa apenas chegar ao derramamento do sangue, mas viver diariamente uma existência colocada a serviço dos irmãos e irmãs, especialmente dos mais pobres, dos vulneráveis e daqueles que têm seus direitos ameaçados. Saio dessa experiência profundamente tocada pelo testemunho do padre Rodolfo e de Simão Bororo. O exemplo de ambos fortalece em mim o desejo de viver uma fé comprometida com a defesa da vida, da dignidade humana e da justiça”. O aspirante José Antônio ressaltou a acolhida da comunidade salesiana e a organização das celebrações.“Fui recebido como em toda casa salesiana, com alegria, educação e o costumeiro sorriso que acolhe quem chega. Ficamos bem alojados, com boa estrutura. A Carla e o Leandro sempre estiveram disponíveis para dúvidas e informações. O passeio pela aldeia foi muito esclarecedor e enriqueceu nossa experiência. Tudo foi muito bem pensado e organizado. A subida ao morro uniu momentos de descontração e fé. A celebração mostrou que, mesmo recordando a morte dos Servos de Deus, celebramos o reconhecimento da coragem deles como mártires”. A jovem Júlia de Lima Ribeiro destacou que a peregrinação fortaleceu sua vivência de fé e missão.“Para mim foi uma experiência muito especial. Sair da zona de conforto me fez entender que podemos servir a Deus em qualquer lugar. Na subida ao morro aprendi o valor do silêncio e da oração. Mesmo sendo breve, nossa passagem mostrou mais uma obra que os Salesianos realizam com fidelidade ao sonho de Dom Bosco. Volto para casa agradecida e com o desejo de continuar vivendo essa missão que transforma vidas”. Também integrante da AJS, Gabi Sandim ressaltou o contato com a história da missão salesiana.“Meruri foi uma experiência única. Aprendemos muito sobre nossa história e sobre o testemunho dos mártires. Saí de lá com o coração renovado e voltaria para outra missão com certeza”. A Coordenadora dos Salesianos Cooperadores Sandra Aparecida destacou que a peregrinação fortaleceu a compreensão da missão cristã e do diálogo com o povo Boe-Bororo. “Conhecer essa história foi um convite a refletir sobre o verdadeiro sentido da missão cristã: doar a própria vida em favor dos irmãos, especialmente daqueles que mais necessitam de proteção, justiça e esperança. A peregrinação também proporcionou um encontro enriquecedor com a cultura do povo Boe-Bororo, permitindo conhecer aspectos de sua história, suas tradições e seus valores. Essa convivência reforçou a importância do diálogo intercultural e do respeito às diferentes expressões culturais”. Fortalecimento da espiritualidade salesiana A presidente da ADMA do Centro Local Paulo VI, Elisângela Jacquet, afirmou que a participação nas celebrações reforçou o compromisso da Família Salesiana com o carisma de Dom Bosco. “Conhecer Meruri foi testemunhar a beleza da missão salesiana: educar com o coração, evangelizar com alegria e servir com amor. Estar presente aqui, no Jubileu do Martírio do Beato Simão Bororo e do Padre Rodolfo Lunkenbein, torna esta experiência ainda mais profunda. É caminhar sobre uma terra regada pelo sangue de testemunhas que deram a vida pelo Evangelho e pelos povos indígenas. Esta passagem certamente fortalecerá ainda mais o nosso compromisso com a espiritualidade de Dom Bosco e de Maria Auxiliadora e nos inspirará a continuar anunciando Cristo com a mesma coragem e doação”. A Salesiana Cooperadora Cristina Stoppa afirmou que conhecer Meruri permitiu vivenciar de perto a missão iniciada pelos primeiros salesianos entre o povo Bororo.“Há viagens que nos levam a um lugar. Outras nos conduzem a uma experiência capaz de transformar o nosso olhar, fortalecer a nossa fé e renovar o sentido da nossa vocação. Assim foi a minha primeira visita à Aldeia Meruri. Como Salesiana Cooperadora, tive a graça de participar das celebrações do Jubileu dos 50 anos do martírio do Padre Rodolfo Lunkenbein e do indígena Simão Bororo. Estar presente nesse momento histórico foi muito mais do que acompanhar uma comemoração. Foi mergulhar em uma história de amor, coragem, fidelidade ao Evangelho e compromisso com a dignidade humana. Conhecer a presença salesiana de Meruri foi contemplar, de perto, a concretização do sonho missionário de Dom Bosco”. Ao término da peregrinação, o grupo agradeceu ao diretor da presença salesiana de Meruri, Padre Ângelo César Cenerino, pela acolhida durante os dias de celebração, bem como aos salesianos, voluntários e comunidades que colaboraram na organização do jubileu. Para os participantes, a experiência permitiu conhecer de perto a história da missão salesiana entre o povo Boe-Bororo, renovar o compromisso com os valores do Evangelho e fortalecer o carisma salesiano inspirado no testemunho do Servo de Deus Padre Rodolfo Lunkenbein e de Simão Bororo.

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