Mulheres que impactaram o mundo
08/03/2023

Mulheres que impactaram o mundo

Mulheres que impactaram o mundo

Anualmente, em 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher. Data esta que faz lembrança não apenas de um fato isolado, como a tragédia de Nova York, mas das décadas de luta das mulheres por igualdade de direitos. Nesse contexto, confira a trajetória de algumas mulheres que mudaram a história do mundo em suas localidades, se tornando exemplo para as próximas gerações:

A TERESA DE CALCUTÁ SALESIANA - NANCY PEREIRA

Imagine um banco que financiasse oportunidades de vida para pessoas em situação de vulnerabilidade social. Foi exatamente isso que a Ir. Nancy Pereira fez em Bangalore, na Índia. Nos anos 70, Ir. Nancy criou um programa de recuperação social e de emancipação cultural que, a partir de 1993, se chamará FIDES (Family Integral Development Education Scheme). Trata-se de uma organização sem fins lucrativos, destinada ao desenvolvimento de famílias nas aldeias e subúrbios de Bangalore, contando com a abertura do programa “Fundo para os pobres”, modelado no esquema de microcrédito. Os clientes deste banco singular deveriam ser os pobres dos subúrbios e vilarejos, os despossuídos que assim teriam a oportunidade de construir uma nova vida para si mesmos. Aqueles que queriam um empréstimo tinham que provar que haviam economizado uma pequena quantia durante um ano e depois deveriam participar de reuniões do grupo de gestão de crédito. A taxa de juros anual era apenas o suficiente para cobrir os custos operacionais.

O projeto “Banco dos Pobres” envolve toda a família e reconhece as necessidades de cada membro. Com o tempo, o FIDES tem facilitado a promoção integral de muitas pessoas, numerosas famílias e até mesmo vilarejos inteiros.

Com sua solidariedade criativa, Ir. Nancy fundou numerosos grupos para a promoção das mulheres SHG (Grupos de Autoajuda) e elaborou vários programas de desenvolvimento: IGP (Incombe Generating Programme) para que os pobres pudessem viver uma existência digna, alcançando a autonomia econômica.

Um dia uma jovem mulher, uma viúva com três filhos, veio à comunidade das Irmãs para pedir alguma comida. Depois que a mulher, junto com seus filhos, comeu, Ir. Nancy lhe disse: “Eu lhe dei o que você precisa, mas lhe ensinarei como ganhá-lo”. Primeiro, ela a acompanha ao jardim da casa, colhendo flores e dividindo-as em vários maços; depois foram à estação onde ela lhe ensina a melhor maneira de vender as flores para os viajantes. “A Indira aprendeu a lição rapidamente. No dia seguinte ela ganhou quatro rúpias [moeda local], no dia seguinte duas vezes mais. Em poucos anos ela conseguiu abrir uma floricultura, que em tempos recentes assumiu as dimensões de um negócio”.

Por suas ações em vida, Ir. Nancy recebeu 5 prêmios internacionais e vário títulos como, por exemplo, o dado pelo Papa Wojtyła de “Empresária dos Pobres”, mas também era conhecido como “Empresária Incansável”, “Heroína dos Intocáveis da Índia”, “Irmã do Banco dos Pobres” ou “Irmã Banqueira”, “Arquiteta de Desenvolvimento da Mulher” e “Madre Teresa do Sul da Índia”. Sua influência na vida das pessoas foi tão forte que mesmo após sua morte, grupos voluntários e jovens formados por ela e pelos Grupos Alcoólicos Anônimos ajudaram a continuar seu trabalho de forma eficiente e frutífera.

ELA FUNDOU A PASTORAL DA CRIANÇA - ZILDA ARNS

Em 1983, a pedido da CNBB, a Dra. Zilda Arns criou a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela Agnello, na época, Arcebispo de Londrina. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6, 1-15). A educação das mães por líderes comunitários capacitados revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças facilmente preveníveis e a marginalidade das crianças. 

Após 30 anos, a Pastoral acompanha mais de 1 milhão de crianças menores de seis anos, 60 mil gestantes e 860 mil famílias pobres, em 3.665 municípios brasileiros. Seus mais de 175 mil voluntários levam fé e vida, em forma de solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.

Em 2004, a Dra. Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão semelhante: fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Mais de 163 mil idosos são acompanhados todos os meses por aproximadamente 19 mil voluntários.

Dra. Zilda Arns Neumann recebeu o título de Cidadã Honorária de 11 estados e 37 municípios brasileiros, 19 prêmios (nacionais e internacionais) e dezenas de homenagens de governos, empresas, universidades e outras instituições, pelo trabalho realizado na Pastoral da Criança.

Pelo seu trabalho na área social, Dra. Zilda Arns recebeu condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation (EUA), em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); Prêmio Internacional em Administração Sanitária (OPAS/ 1994); títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Federal do Paraná, Universidade do Extremo-Sul Catarinense de Criciúma, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Sul de Santa Catarina.

A REPÓRTER PIONEIRA - GLÓRIA MARIA

Glória Maria foi a primeira mulher a entrar ao vivo na TV em cores pelo Jornal Nacional, em 1977. Antes disso, já havia sido a primeira repórter a aparecer na TV, uma vez que, antes, os repórteres não apareciam. Em 2007, a jornalista realizou a primeira transmissão em HD da televisão brasileira e seu pioneirismo é reconhecido como inspiração para uma geração de mulheres negras.

Ao longo de cinco décadas de carreira, Glória mostrou mais de 100 países em suas reportagens e protagonizou momentos históricos. Entrevistou chefes de Estado e celebridades como Michael Jackson e Madonna.

Também cobriu a Guerra das Malvinas, em 1982; a invasão da embaixada brasileira do Peru por um grupo terrorista, em 1996; os Jogos Olímpicos de Atlanta, também em 1996; e a Copa do Mundo de 1998, na França.

Na TV Globo deste 1970, passou ainda por Bom Dia Rio, RJTV, Jornal Hoje, Fantástico e Globo Repórter, último programa do qual fez parte.

Glória Maria Matta da Silva nasceu no Rio. Filha do alfaiate Cosme Braga da Silva e da dona de casa Edna Alves Matta, estudou em colégios públicos e sempre se destacou. "Aprendi inglês, francês, latim e vencia todos os concursos de redação da escola", lembrou em entrevista ao Memória Globo.

A jornalista deixa duas filhas: Maria, de 15 anos, e Laura, de 14, adotadas em 2009 e um legado de representatividade e protagonismo, especialmente relacionado às mulheres negras e à luta contra o racismo.

UMA MÃE PARA O INSTITUTO DAS FMA E UMA FUTURA NOVA SANTA PARA O MUNDO - MADRE ROSETTA MARCHESE

O dia 8 de março, no qual se celebra o Dia Internacional da Mulher, marca o aniversário do nascimento ao céu da Serva de Deus Madre Rosetta Marchese (1922 -1984), Superiora Geral do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora de 1981 a 1984, que, no decorrer da sua vida, suscitou e acompanhou processos de mudança no ambiente em que viveu e trabalhou com fé, sabedoria e paixão educativa.

Naquela época, Ir. Rosetta Marchese organizou uma peregrinação ao Vaticano, para que as jovens da escola e outras jovens pudessem participar da Missa presidida pelo Papa.  Conseguiu convocar 2.000 jovens das casas das FMA de Roma.  Conta-se que permitiu que as meninas posassem em fotos com os Padres Conciliares, ao saírem da Aula Conciliar e passarem pela Praça São Pedro, a fim de tornar as figuras daqueles Pastores mais familiares e próximas.

Criativamente, convidou as alunas da escola a se engajarem em atos de amor e pequenos sacrifícios e a colocarem um grão de trigo para cada um, como sinal do compromisso oferecido pelo Concílio. Os diversos grãos, transformados em farinha, eram então usados ​​para as Hóstias a serem entregues aos Bispos e Cardeais para a Celebração Eucarística.

Com verdadeira paixão apostólica e eclesial promoveu, junto com as irmãs da Comunidade, a escola para catequistas, para formar meninas de mais idade a serem evangelizadoras entre as crianças pobres das paróquias periféricas de Roma. Madre Rosetta favoreceu a colaboração dos leigos e confiou nas adolescentes, acreditando em seu potencial ao bem.  As FMA atingiram assim 30 paróquias e quase 4000 crianças.

Em 1981, acompanhou com coração de mãe o Instituto para celebrar o Centenário da morte de Santa Maria D. Mazzarello, estimulando caminhos de conversão e renovação, amadurecidos pelo conhecimento mais profundo da Cofundadora e também pela graça da entrega, a cada FMA, das Constituições renovadas.  A própria doença e morte se transformaram em fonte de nova fidelidade e empenho de santidade entre as filhas espalhadas pelo mundo.

São estes alguns dos brotos de vida nova que Madre Rosetta soube sustentar, acompanhar e fazer crescer.

Providencial é a coincidência do nascimento ao céu de Madre Rosetta Marchese com o Dia Internacional da Mulher e com o mês dedicado a São José, padroeiro do Instituto. No dia 1° de julho de 2019, o Postulador Geral das Causa dos Santos da Congregação Salesiana, Pe. Pierluigi Cameroni, e a Secretária Geral do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), Ir. Piera Cavaglià, entregaram ao Cardeal Angelo De Donatis, Vigário de Sua Santidade o Papa Francisco, através do Tribunal diocesano do Vicariato de Roma, o pedido oficial (Súpplex libéllus) para que seja aberto o Processo Diocesano sobre a vida, as virtudes heroicas, a fama de santidade e de sinais, da Madre Rosetta Marchese. É o primeiro importante passo para o reconhecimento eclesial da santidade da Madre Rosetta.

O OLHAR FEMININO DO CARISMA SALESIANO - MADRE MAZZARELLO

Madre Mazzarello era uma jovem forte, cheia de vitalidade que de repente se encontra fragilizada, perde as suas forças físicas, o que a deixa impossibilitada de dar continuidade aos trabalhos que realizava no campo.  Porém, o sofrimento, a crise, o amadurecimento espiritual, nesta fase da vida em que se encontrava, permitiu alargar os horizontes da sua existência e da sua missão. Após a superação da enfermidade inicia o caminho em direção a uma intuição educativa, que muda a sua vida de direção. Trilhando os caminhos de Mornese, Madre Mazzarello compartilha com a amiga Petronilla a sua visão em relação ao futuro e aos projetos que Deus inspira no seu coração. Sente-se inspirada a realizar uma missão educativa para as meninas mornesianas, dando a elas oportunidade de desenvolvimento integral e saudável. Essa inspiração nasce de uma voz interior que a interpela: “A ti as confio”. Essa voz interior representa a inspiração de viver uma vocação como educadora e da missão de cuidar das pessoas nas suas diversas dimensões humanas, espirituais, sociais e culturais.

O encontro com Dom Bosco permitiu um caminho de aproximação de realização de um grande projeto de comunhão nas intenções de concretização de um carisma educativo. Madre Mazzarello se empenha em colaborar efetivamente com Dom Bosco na missão de fundação do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora tornando-se a cofundadora do projeto idealizado por ele e que hoje se espalha pelo mundo em prol dos(as) jovens, com uma predileção especial àqueles(as) que se encontram em situação de vulnerabilidade social.

MAIS QUE A MÃE DE UM SANTO (MAMÃE MARGARIDA)

Margarida Occhiena era uma mulher de grande fé. Deus estava sempre em cima de todos os seus pensamentos e sempre em seus lábios. O amor do Senhor foi tão intenso que formou o coração de uma mãe nela. Educadora sábia e mão solo após a morte do marido, foi capaz de combinar paternidade e maternidade, doçura e firmeza, vigilância e confiança, familiaridade e diálogo, educando seus filhos com amor altruísta, paciente e exigente.

Ouvindo o sonho dos 9 anos do pequeno João Bosco, ela foi a única que pôde lê-lo à luz do Senhor: "Quem sabe se você não deve se tornar um padre". 

Quando, em 1846, Dom Bosco ficou seriamente doente, Margarida foi ajudá-lo, descobrindo o bem que ele fez pela juventude abandonada. Pedida para segui-lo, ela responde: "Se você acredita que esta é a vontade do Senhor, eu estou pronta para vir". A presença de Margarida transforma o oratório em uma família. Durante dez anos, sua vida se confundiu com a de seu filho e com os primórdios da obra salesiana: ela foi a primeira e mais importante cooperadora de Dom Bosco; tornando-se o elemento materno do Sistema Preventivo; ela é, sem saber, uma "cofundadora" da Família Salesiana.

Mamãe Margarida morreu em Turim, atingida por pneumonia, em 25 de novembro de 1856, aos 68 anos. Muitos meninos a acompanham ao cemitério. Por toda sua dedicação aos meninos de Dom Bosco, gerações de Salesianos e Salesianas a chamam até hoje de "Mamãe Margarida".

Fonte: Equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil, com informações da FIDES Bangalore, Pastoral da Criança, g1.comsalesianos.brsdb.org e cgfmanet.org

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Educação Católica: um jeito sempre novo de orquestrar o futuro

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A resposta passa por compreender a identidade católica como fonte de abertura e discernimento. Consciente de si, a escola católica pode dialogar com quem pensa, crê e vive de modo diferente, sem medo da diferença e sem renunciar à missão. A tradição não é obstáculo ao crescimento; é raiz que sustenta a abertura. Por isso, a cultura do encontro e a humanização do processo educativo tornam-se eixos de uma presença católica profética. As transformações socioculturais deslocam a escola católica de uma lógica institucional para uma lógica de impacto humano. A pessoa concreta deve estar no centro: crianças, adolescentes, jovens, famílias, professores, gestores e comunidades vulneráveis. O estudante não é apenas usuário, cliente, capital humano ou futuro profissional. É sujeito de dignidade, história, consciência, fragilidade e transcendência. Essa antropologia exige convivência, saúde emocional, proteção, escuta, justiça social e solidariedade. 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A pergunta central é exigente: como tecnologias digitais impactam a humanidade do processo educativo? A IA pode favorecer acessibilidade, criatividade, personalização e apoio à aprendizagem. Também pode estimular dependência cognitiva, superficialidade, terceirização da autoria, vieses e enfraquecimento dos vínculos educativos. Para os docentes não basta apenas treinamentos pontuais; é necessário instituir políticas permanentes de desenvolvimento profissional que integrem competência técnica, reflexão didática, ética digital e coerência profissional. Tradição e inovação não são polos inimigos. A tradição oferece critérios, memória e identidade; a inovação oferece linguagem, recursos e possibilidades de presença. Quando bem articuladas, permitem que a educação católica permaneça relevante em um mundo que muda rapidamente, mas continua carente de sentido, justiça, esperança e humanidade. 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Dia de Santa Maria Domingas Mazzarello, fundadora das Filhas de Maria Auxiliadora

Dia 13 de maio é conhecidíssimo na Igreja como o dia de Nossa Senhora de Fátima, a quem pedimos a graça de fazermos penitência e nos convertermos. Também, nesse dia, a Família Salesiana celebra a fundadora das Filhas de Maria Auxiliadora. BerçoFoi em Mornese, um povoado ao norte da Itália, que, no dia 9 de maio de 1837, nasceu Maria Domingas Mazzarello, primeira de dez filhos do casal José Mazzarello e Maria Madalena Calcagno. Desde muito cedo, Maìn — apelido pelo qual Maria era carinhosamente conhecida –, ajudou a cuidar de seus irmãos e dos afazeres domésticos. Iniciação cristãComeçou a frequentar as aulas de catecismo e a se destacar nelas, pois tinha grande paixão pelas coisas de Deus. Aos 13 anos, fez a primeira comunhão, assumindo o compromisso de fazer de Jesus o seu grande amor e da Eucaristia diária o seu centro de vida. Aos 16 anos, ajudava seu pai no trabalho dos vinhedos e era conhecida por seu forte caráter e espírito de liderança. Quase todos os dias, bem cedo, Maria percorria um íngreme caminho para participar da missa. Percurso que, no inverno, ficava ainda mais difícil devido ao frio e à neve. Caridade na epidemiaEm 1860, a epidemia do tifo se abateu sobre o povoado de Mornese. A família dos tios de Main foi uma das primeiras a contrair a doença. A pedido de padre Pestarino, seu diretor espiritual, Maria foi ajudá-los, mesmo sabendo que poderia contrair a doença, e foi o que realmente aconteceu. A partir daí, o rumo de sua vida mudou completamente. Perdendo as forças físicas e não podendo mais trabalhar no campo, começou a se questionar sobre o que iria fazer para ajudar as pessoas, foi então que certa vez, ao caminhar pela colina de Bargo Alto, teve a visão de um alto edifício, parecido com um colégio e com muitas meninas correndo, brincando num grande pátio interno e ouviu nitidamente estas palavras: “Tome conta destas meninas! A ti as confio!”. A voz de MariaE com coração aberto, Maìn compreendeu que a voz que confiava a ela as meninas era a de Nossa Senhora e decidiu aprender a costurar, para ensinar as jovens da sua pequena cidade, com isso, as manteria longe dos perigos e do pecado, ensinando-as a fazer de “cada ponto da agulha, um ato de amor a Deus”. E foi com Petronilla, sua amiga e companheira, que montou uma sala de costura e começou a ensinar o ofício. Treinamento na virtudeAs famílias de Mornese começaram a mandar-lhe as filhas; e as aulas de costura tornaram-se aulas de treinamento na virtude. Um dia, um senhor viúvo, entregou-lhe as suas filhas para que as educasse. Assim, a oficina passou a ser um novo lar para as várias meninas, que viam em Maria sua segunda mãe. Aos domingos, após a missa, na praça da igreja, outras crianças se uniam a Maria e a Petronilla para brincar e divertir-se. Surge Dom BoscoEm 1864, Dom Bosco chegou a Mornese com seus meninos. Todos queriam vê-lo e ouvi-lo, Maria também. Dom Bosco expôs ao padre Pestarino seu projeto: construir um colégio para os meninos. Antes de partir, ficou conhecendo as iniciativas de Maria e Petronilla: a oficina de costura, o orfanato e a recreação aos domingos para todas as crianças do povoado. Dom Bosco se empolgou com o trabalho delas e propôs a fundação de um instituto feminino que fizesse pelas meninas o que ele fazia em Turim para os meninos. Início das Irmãs Salesianas de Dom BoscoApós um caminho de acompanhamento feito por padre Pestarino e Dom Bosco que, no dia 5 de agosto de 1872, na Capela do Colégio de Mornese, 11 jovens – entre elas Main – emitiram os votos religiosos e se consagram a Deus, dando início a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora – irmãs Salesianas de Dom Bosco — o nome da congregação foi dado pelo fundador que desejava que cada Filha de Maria Auxiliadora fosse um monumento vivo de sua gratidão a Nossa Senhora, por tudo que realizou na obra salesiana. Maria Mazzarello, foi escolhida para ser a primeira Madre da congregação; e tamanha era sua humildade que assumiu a função apenas se fosse ela a vigária porque Nossa Senhora era a verdadeira superiora. Madre Mazzarello foi sempre empenhada na animação das comunidades de Irmãs e na educação de crianças, adolescentes e jovens. Cultivou com sabedoria a união entre todas. Ocupou-se com a abertura de novas casas na Itália e além mar. Seu legado era marcado pela alegria, coragem e humildade, virtudes que sempre recomendava em suas cartas, além do grande amor que cultivava por Jesus e Maria. Uma frase da santa“A alegria é sinal de um coração que muito ama ao Senhor!” PáscoaNo dia 13 de maio de 1881, Madre Mazzarello partiu deste mundo. Sua breve vida, 44 anos, continua sendo uma chama de amor contagiante, que ilumina, ainda hoje, a sua Família Religiosa. Suas filhas — as Filhas de Maria Auxiliadora, presentes nos cinco continentes —, continuam atuando no espaço-educação, fiéis ao carisma da fundação, à identidade que lhes é própria e à missão que lhes cabe no coração da Igreja. No dia 24 de junho de 1951, a Igreja declarou oficialmente a santidade de Maria Domingas Mazzarello e sua festa litúrgica é celebrada no dia 13 de maio. A minha oração“Virgem Maria, a vida de Madre Mazzarello foi marcada com exemplos de uma espiritualidade simples, mas rica de interioridade, de uma profunda paixão pela salvação das jovens, um ardente espírito missionário aberto aos horizontes ilimitados e cheia da alegria que vem de Deus. Rogue por nós, junto a Jesus, para que sigamos seus passos. Amém.” Santa Maria Domingas Mazzarello, Rogai por nós! Fonte: Inspetoria São João Bosco

150 anos de Missão e Coração: Associação dos Salesianos Cooperadores

Os 150 anos da Associação dos Salesianos Cooperadores foram celebrados com fé, gratidão e espírito de família em diversas presenças salesianas da Inspetoria no último sábado, dia 09 de maio. Em São Gabriel da Cachoeira/AM, o Centro Local Theotônio Ferreira promoveu uma solene celebração eucarística na Igreja Sagrada Família, situada na nova área missionária da cidade. Presidida pelo padre José Tran (SDB) e com a participação das Filhas de Maria Auxiliadora, a celebração evidenciou a riqueza da cultura amazônica no ofertório, com alimentos típicos da região apresentados ao altar. Ao final, os participantes entoaram o hino dos Salesianos Cooperadores, celebraram o marco histórico com os parabéns e registraram a foto oficial do momento. Em Porto Velho/RO, os Salesianos Cooperadores celebraram a data no Santuário de Fátima, dentro do novenário de Fátima que acontece em preparação para a festividade. Presidiu a celebração o padre João Batista da Arquidiocese e concelebrada pelo padre Daniel Cunha, reitor do santuário. Destaque para o terço, rezado após a celebração, conduzida pela equipe do oratório. Marcada pela gratidão, alegria e pelo trabalho missionário realizado ao longo dos anos. Os Centros Locais Dom Bosco e Laura Vicuña, juntamente com membros da Família Salesiana, participaram do momento solene. Na cidade de Ananindeua/PA, o padre Gaudêncio Gomes presidiu a celebração que reuniu a Família Salesiana em um clima de fé, gratidão e renovação missionária. A comemoração dos 150 anos tornou-se também ocasião para recordar a história construída com amor, dedicação e fidelidade ao carisma de São João Bosco, renovando o compromisso de ser sal e luz no mundo. Em Manaus/AM, a celebração foi presidida pelo inspetor, padre Felipe Bauzière, reunindo a Família Salesiana em um momento de profunda comunhão e renovação da missão salesiana. A presença das Filhas de Maria Auxiliadora, das ADMAs e das ex-alunas fortaleceu ainda mais o espírito de família que caracteriza o carisma salesiano. A procissão de entrada, marcada por emoção e gratidão, foi um dos destaques da celebração pelos 150 anos de missão dos Salesianos Cooperadores. Fonte: Salesianos Cooperadores/Comunicação-ISMA

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