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10/12/2024

Um tempo novo nos é dado: do Coração de Deus ao Coração da humanidade, no espelho do grande coração de Dom Bosco

Mensagem do Vigário do Reitor-Mor

Um coração grande como as praias do mar

Pe. Stefano Martoglio – Vigário do Reitor-Mor dos Salesianos

Um tempo novo nos é dado: do coração de Deus ao coração da humanidade, no espelho do grande coração de Dom Bosco.

 

Caros amigos e leitores, neste número de dezembro do Boletim Salesiano, escrevo a vocês com os melhores votos de um feliz ano novo! De um tempo novo que nos é dado para viver com intensidade e com “novidade de vida” e faço meu, como augúrio propício e oportuno, o presente que o Santo Padre nos deu por esses dias: a Carta Encíclica Dilexit Nos sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo.

Nós, salesianos, estamos habituados a cantar: “Deus deu-nos um coração grande / como as praias do mar. / Deus deu-nos o espírito: / libertou o seu amor”.

O Papa Pio XI, que o conhecia bem, disse que Dom Bosco tinha uma “belíssima particularidade”: era “um grande amante de almas” e as via “no pensamento, no coração, no sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Além disso, no brasão da nossa Congregação figura um coração ardente.

O Papa Francisco introduz assim o nº 2 da Dilexit Nos: “Para exprimir o amor de Jesus Cristo, recorre-se frequentemente ao símbolo do coração. Há quem se interrogue se isto atualmente tenha um significado válido. Porém, é necessário recuperar a importância do coração”.

Como é forte esta colocação do nosso Papa para nos indicar o modo novo de viver, num tempo novo que nos é dado, o ano que virá.

No n. 21, o Papa Francisco escreve: “O núcleo de cada ser humano, o seu centro mais íntimo, não é o núcleo da alma, mas da pessoa inteira na sua identidade única, que é alma e corpo. Tudo está unificado no coração, que pode ser a sede do amor com todos os seus componentes espirituais, psíquicos e também físicos. Em última análise, se aí reina o amor, a pessoa realiza a sua identidade de forma plena e luminosa, porque cada ser humano é criado sobretudo para o amor; é feito nas suas fibras mais profundas para amar e ser amado”.

E no n. 27 desta mesma Carta Encíclica: “Perante o Coração de Jesus vivo e atual, o nosso intelecto, iluminado pelo Espírito, compreende as palavras de Jesus. Assim, a nossa vontade põe-se em ação para as praticar. Mas isso poderia permanecer como uma forma de moralismo autossuficiente. Ouvir, saborear e honrar o Senhor pertence ao coração. Só o coração é capaz de colocar as outras faculdades e paixões e toda a nossa pessoa numa atitude de reverência e obediência amorosa ao Senhor”. Não me alongo mais, esperando ter incentivado todos a lerem esta esplêndida Carta Encíclica que não é só um grande presente para viver de modo novo o tempo que nos é dado, e já seria suficiente; mas é também uma indicação profundamente “salesiana”.

Quanto Dom Bosco escreveu e trabalhou precisamente na difusão da devoção ao Sagrado Coração de Jesus, como amor divino que acompanha a nossa realidade humana!

 

Um estímulo magnífico

Nas Memórias Biográficas, volume VIII, (páginas 243–244 do original italiano), encontramos assim escrito, em referência a Dom Bosco: “A devoção ao Sagrado Coração, que na sua alma era ardentíssima, animava todas as suas obras, dava a eficácia às suas conversas familiares, às suas prédicas e ao exercício do seu ministério, de modo que todos ficavam encantados e convencidos (diz o testemunho do padre Bonetti). Pareceu também que o Sagrado Coração cooperasse mesmo com ajudas sobrenaturais no cumprimento da sua árdua missão”.

Esse testemunho da devoção de Dom Bosco ao Sagrado Coração identifica-se “plasticamente” com a basílica homônima construída por Dom Bosco em Roma a pedido do Papa.

O edifício material remete-nos e chama-nos a todos para a “monumental” devoção de Dom Bosco ao Sagrado Coração. Tal como para Nossa Senhora, também para o Sagrado Coração a devoção de Dom Bosco manifesta-se nas igrejas que construiu. Porque a devoção ao Sagrado Coração é a Eucaristia, o culto eucarístico.

O coração de Dom Bosco, em constante amor para com a Eucaristia, é um estímulo magnífico pessoal para tornar vivo e verdadeiro este novo ano. Um verdadeiro e profundo augúrio de bom ano novo vivido em plenitude. Como prossegue o cântico: “Formaste homens / de coração são e forte: / enviaste-os pelo mundo a anunciar / o Evangelho da alegria”.

Tenho o prazer de concluir esta breve Mensagem desejando a todos, de coração, um bom ano novo, com a imagem que o Papa Francisco reporta nas primeiras páginas da Encíclica, referindo-se aos ensinamentos da sua avó sobre o significado do nome dos doces de carnaval, as “busie” - porque na cozedura a massa enche-se e fica vazia - portanto tem o exterior a que corresponde um vazio dentro; parecem cheias por fora, mas não são, são “busie”.

Que o ano novo seja para todos nós cheio e rico de substância, concretizando no acolhimento de Deus que vem ao meio de nós. A sua vinda traga paz e verdade, isto é, o que se vê por fora corresponde àquilo que há dentro! Augúrios de coração a todos vocês!

 

Fonte: Boletim Salesiano

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São José, homem da escuta em Madre Rosetta Marchese

Hoje, 19 de março, celebra-se a Solenidade de São José, que Dom Bosco quis como patrono do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora para que ensinasse a estar disponíveis aos desígnios de Deus e a se colocar confiantemente nas mãos da Providência. Sua presença na vida do Instituto era constantemente sentida. Em Mornese era considerado o guardião. Assim como em vida protegeu Maria e Jesus, continuava a proteger a Igreja, o Instituto e cada pessoa dentro das comunidades. Nesta esteira, a Serva de Deus Madre Rosetta Marchese (1922-1984), sétima Superiora Geral do Instituto das FMA, percebeu a figura de José como exemplo de silêncio, humildade e união com Jesus que, como Filho, vive em perene adoração ao Pai (Cf. Jo 1,18). Escreve numa carta de 6 de março de 1981 à Irmã Maria Rina Ronzani: “Antes de tudo, retribuo seus melhores votos para São José; o querido Santo do silêncio, da humildade, da profunda união com Jesus e Maria, ajuda-nos a compreender o trabalho silencioso, humilde e escondido, mas vivido em união íntima com Jesus e com Nossa Senhora. É certo que o mistério da casa de Nazaré e dos trinta anos nela vividos lá no escondimento, devem falar profundamente ao nosso coração e ajudar-nos verdadeiramente a compreender o valor da vida que está no dever cumprido por amor para dar glória a Deus, sem procurar nenhuma glória humana e nenhum reconhecimento terreno”. Como Conselheira Visitadora, numa boa noite à comunidade de Palermo, próximo da Solenidade, em 17 de março de 1977, apresenta às Irmãs a figura de São José como “homem de palavra comedida, capaz de escuta”, exemplo para viver o diálogo comunitário que requer o exercício da humildade, da caridade, do desapego de si mesmas, a disponibilidade de dar o tempo certo para fazer todas se expressarem: “A florzinha de amanhã faz-nos pedir a São José obter-nos uma palavra comedida e nos traz a frase retirada da epístola de S. Tiago: “Cada um deve estar pronto a escutar, mas lentos para falar”. Este “estar prontos a escutar” fala da capacidade de escuta, capacidade que é virtude que se conquista com a graça de Deus, pedindo-a insistentemente e com o exercício de atenção sobre nós mesmas; virtude tão necessária nas nossas relações mútuas, para a santidade da vida comum, para que o diálogo comunitário possa tornar-se uma realidade. Não é tão fácil ter diálogo comunitário, e a capacidade de escuta que o favorece, requer o exercício da humildade para ser capazes de dar a nossa escuta cordial, paciente, serena, respeitosa. Aquela humildade que tem consciência da própria pobreza e, por isso, consciente de ter sempre alguma coisa a receber dos outros; humildade que sabe colher, do que a outra diz, o elemento que nos enriquece, mesmo que às vezes seja pesado, aborrecido, escutar o que talvez não corresponda totalmente ao nosso pensamento ou ao que queremos ouvir dizer naquele dado momento. É uma atitude fundamental de humildade que nos coloca um pouco abaixo dos outros na serena espera de receber sempre alguma coisa. Sem dúvida, nesta disposição interior de humildade, de pobreza, estamos mais abertas à escuta”. Madre Rosetta na boa noite sublinha o desapego de si mesmos como indispensável pré-requisito à escuta verdadeira do outro e como um caminho de ascese que exercita à verdadeira caridade: “A capacidade de escuta requer um grande desapego de nós mesmas, uma capacidade de acolhida virginal, e por virginal entendo um desapego tão total de nós, que o outro possa entrar completamente em nós sem já encontrar preconceitos nos seus confrontos. São José sabia guardar no coração até aquilo que humanamente não compreendia; permaneceu à escuta atenta e acreditou na palavra do Anjo que o abria ao projeto de Deus. Ele, na vida de Madre Rosetta Marchese, foi modelo de acolhida do mistério de Deus em si e nas pessoas a ela confiadas. Também o Papa Francisco, na recente Carta Apostólica “Patris Corde”, escrita em 2020 por ocasião do 150º aniversário da declaração de São José como Padroeiro da Igreja Universal, ressalta: “Em cada circunstância da sua vida, José soube pronunciar o seu ‘fiat’, como Maria na Anunciação e Jesus no Getsêmani. José, no seu papel de chefe de família, ensinou Jesus a ser submisso aos pais (cf. Lc 2, 51), segundo o mandamento de Deus (cf. Êx 20, 12). No escondimento de Nazaré, na escola de José, Jesus aprendeu a fazer a vontade do Pai” (n°3). Fique abaixo com um poema escrito pela irmã Eudenice da Luz Maia - FMA, em homenagem à São José. Fonte: Site do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2025

Divulgada a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2025, que começa hoje, Quarta-feira de Cinzas “Caminhemos juntos na esperança” é o tema, em sintonia com o Ano Jubilar. Três são “os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, como pessoas e como comunidades”, destacados pelo Santo Padre para acompanhar os fiéis no itinerário rumo à Páscoa: Caminhar. É o primeiro apelo à conversão que evoca o lema do Jubileu, “Peregrinos de Esperança” e o êxodo bíblico, mas também a condição humana porque, diz o Papa, “somos todos peregrinos na vida”. Por isso, além de algumas perguntas – “como me deixo interpelar por esta condição? Estou verdadeiramente a caminho ou, ao contrário, paralisado, estático, com medo e falta de esperança, ou acomodado na minha zona de comodidade? Procuro percursos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade?” – propõe um exercício prático quaresmal: “confrontar-se com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que nos envolva, para descobrir o que Deus nos pede para ser viajantes melhores para a casa do Pai”. Juntos. É a palavra-chave no centro de um segundo apelo: a conversão à sinodalidade, que pede para não ser “viajantes solitários”, para não se fechar na nossa própria autorreferencialidade, mas para sair de si mesmos para ir a Deus e aos irmãos. “Caminhar juntos significa ser tecelões de unidade, a partir da comum dignidade de filhos de Deus”. A avaliação concreta é sobre a própria capacidade de escuta, de acolhida, de prosseguir “lado a lado” com paciência, sem se entrincheirar nas próprias convicções, fazendo com que as pessoas se sintam – seja quem se aproxima, seja quem está distante – parte da comunidade. “Perguntemo-nos diante do Senhor se somos capazes de trabalhar juntos como bispos, sacerdotes, consagrados e leigos, a serviço do Reino de Deus.” Na esperança. O terceiro chamado à conversão é ao da esperança, da confiança em Deus e na sua grande promessa, a vida eterna: “A morte transformou-se em vitória e aqui está a fé e a grande esperança dos cristãos: na ressurreição de Cristo!”. Entre as perguntas deixadas pelo Papa: “Vivo concretamente a esperança que me ajuda a ler os acontecimentos da história e me impulsiona ao compromisso com a justiça, com a fraternidade, com o cuidado da casa comum, fazendo de modo que ninguém seja deixado para trás?”. O Papa Francisco termina a sua Mensagem com uma frase de Santa Teresa de Jesus, que também é padroeira do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora: –“Espera, minha alma, espera. Não sabes o dia nem a hora. Vela com cuidado, tudo passa como um sopro, embora a tua impaciência possa tornar incerto o que é certo, e longo um tempo muito breve” – e confia o caminho quaresmal a Maria, Mãe da Esperança. O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral coloca à disposição um pôster e um infográfico nas diversas línguas que sintetiza a Mensagem. Mensagem Quaresma 2025 Fonte: Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora - FMA
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