Celebrada liturgicamente em 25 de agosto, a missionária italiana Filha de Maria Auxiliadora dedicou a vida ao povo Shuar do Equador e intercedeu na cura extraordinária de um indígena da Amazônia.
Neste 25 de agosto, a Família Salesiana e a Igreja Católica em todo o mundo celebram a memória litúrgica de Santa Maria Troncatti, a mais recente santa religiosa canonizada do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA). Nascida na Itália e consagrada à evangelização e à assistência médica na floresta amazônica equatoriana, sua vida foi um testemunho vivo de doação e amor de mãe para com os povos originários.
Da Cruz Vermelha à Floresta Amazônica
Nascida em Corteno Golgi (Brescia) em 16 de fevereiro de 1883, Maria Troncatti cresceu em uma família numerosa e de fé profunda. Admitida no Instituto das FMA, fez sua Primeira Profissão Religiosa em 1908. Durante a Primeira Guerra Mundial (1915-1918), atuou como enfermeira da Cruz Vermelha no hospital militar de Varazze — uma preparação providencial para o que viria a ser o grande chamado de sua vida.
Em 1922, partiu como missionária para o Equador, sendo enviada para o território do povo indígena Shuar. Em meio aos perigos da selva, cruzando rios turbulentos sobre frágeis pontes de cipó ou a nado, Ir. Maria tornou-se o braço forte da assistência social, espiritual e sanitária da região. Carinhosamente chamada pelo povo indígena de "Madrecita" (mãezinha), atuou como enfermeira, cirurgiã ortopedista, dentista e anestesista, mas, sobretudo, como catequista e evangelizadora.
A religiosa faleceu tragicamente em um acidente aéreo em Sucúa, no dia 25 de agosto de 1969, data em que agora se celebra sua memória litúrgica.
O Milagre da Cura de Juwa Bosco
O caminho que levou Santa Maria Troncatti à canonização passou pelo reconhecimento de um fato extraordinário ocorrido no coração da Amazônia equatoriana.
No dia 2 de fevereiro de 2015, o agricultor e carpinteiro Shuar, Sr. Juwà Bosco, sofreu um gravíssimo acidente de trabalho na floresta: o fragmento de uma lixadeira quebrou-se e atingiu o lado direito de seu crânio, provocando perda de matéria cerebral e um traumatismo cranioencefálico aberto de extrema gravidade.
Internado em estado crítico no Hospital de Ambato, com hemiplegia e perda da fala, Juwà foi desenganado pelos médicos. Ainda antes da cirurgia, seus familiares e a comunidade das FMA de Tuutin Entza confiaram sua vida à intercessão da então Beata Maria Troncatti, colocando um grande quadro com a imagem da "Madrecita" em frente à sua cama.
Entre o final de março e o início de abril de 2015, Juwà teve um sonho revelador: a Beata Maria Troncatti apareceu-lhe, massageou seu pescoço e perna, tocou sua boca e garantiu-lhe que na manhã seguinte ele voltaria a andar e a falar. Ao acordar, o paciente experimentou uma recuperação súbita e inexplicável pela medicina.
Poucos dias depois, ele já caminhava e falava perfeitamente, deixando perplexo o neurocirurgião responsável, que afirmou estar diante de um "morto ressuscitado".
O Reconhecimento da Santidade
Após rigorosa análise científica e teológica, o Papa Francisco autorizou a publicação do decreto do milagre no final de 2024, culminando na solene Canonização de Santa Maria Troncatti em 19 de outubro de 2025.
Ao celebrarmos esta festa litúrgica, a trajetória de Santa Maria Troncatti reflete a atualidade da missão salesiana: uma presença que cuida da vida, promove a dignidade humana, defende os povos da floresta e testemunha que a confiança em Deus transforma a dor em esperança.
Por Janaina Lima, com o apoio da equipe de Comunicação da Rede Salesiana Brasil e informações do Instituto das Filhas de Maria Auxiliadora