Memória do Martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

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15/07/2024

Memória do Martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo

Memória do Martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo
Foto: Inspetoria Santo Afonso Maria de Ligório

Chegou o mês de julho. E em Meruri — a entranhada aldeia dos índios Bororo — fez-se uma histórica “aliança no sangue”, entre o indígena e a missão. 

Em memória dos 48 anos do martírio de Padre Rodolfo Lunkenbein e Simão Bororo, confira o artigo/relíquia histórica postado em 2021 pela Sra. Eunice Dias de Paula, na época, membro do Conselho Indigenista Missionário (CIMI) - regional Mato Grosso, hoje aposentada:

“Às 11 horas da manhã do dia 15 de julho, a Colônia Indígena de Meruri, no Leste mato-grosssense, foi atacada por 62 fazendeiros armados, cujas terras estão dentro da reserva Bororo, que começara a ser demarcada pela funai na antevéspera. O Padre Rodolfo Lunkenbein, missionário salesiano, de 37 anos, e o índio Simão Cristino foram mortos; outros quatro Bororo ficaram feridos. Um dos atacantes também morreu, atingido por uma bala perdida de seus próprios companheiros.” (Movimento n.° 56, julho de 1976 — os grifos são meus.)

Aquele mesmo dia 15 eu tinha escrito uma carta ao Padre Rodolfo e a seu companheiro, o bom Padre Ochoa, colocando em letra maiúscula o nome de Rodolfo, por uma inconsciente distração que viria a ser profética. Aquele homem alemão, generoso, alto de corpo e de espírito, puro em seus olhos de criança, azuis, e aberto sempre em sorriso, seria o primeiro a selar os compromissos assumidos na I Assembleia Missionária Indigenista de Goiânia.

O missionário já não morria matado pelo índio, como nas antigas histórias. Morria pelo índio, amado na totalidade de seu ser e de seus direitos, visto não apenas como uma alma a salvar. Morria pela Terra do índio que estava sendo invadida, demonstrando assim saber muito bem como — segundo o Parlamento índio de San Bernardino, de outubro de 1974 — ‘o índio é a própria terra’.

E o índio — neste caso o doce e fiel Simão, aquele que ‘nunca zangava’ — morria pelo missionário. ‘Só para acudir o padre’, como dizia o velho cacique Eugênio — Aidji Kuguri —, Simão morria e outros quatro Bororo ficavam feridos. Só para socorrer o padre: ‘de mãos limpas, de corpo limpo’, que ‘nem canivete eles tinham consigo’.

Eu fui a Meruri, com Leo, três dias depois. Nunca mais esquecerei aquele morro nítido no azul, as grandes árvores ondulando, a água muda e as folhas revoando, a praça, quase colonial, ao sol, e seu improvisado sino, as missionárias salesianas em branca desolação e os índios todos cantando naquela missa que celebramos pelos Mártires, com um lamento índio que emocionava profundamente, durante a comunhão.

Pus toda a minha alma naquela missa, palavra. E entreguei ao cacique Eugênio o báculo — meio borduna, meio remo — de pau-brasil que os índios Tapirapé me haviam ofertado em minha sagração episcopal. Com isso, eu dava aos Mártires, aos Bororo, à missão salesiana de Meruri, o melhor tesouro que eu tinha.

Aquela noite escrevi no “livro de Presença” da missão:
‘Esta tarde celebramos, com a Morte gloriosa do Cristo, a morte gloriosa do Rodolfo e do Simão, o sangue da Teresa, do Lourenço, do Zezinho e do Gabriel; a angústia e a solidariedade do Ochoa, dos Bororo, dos missionários salesianos de Meruri!

15 de julho é uma data histórica na História da nova Igreja Missionária. Rodolfo e Simão são mais dois mártires, perfeitos no Amor, segundo a Palavra do Cristo: o índio deu a vida pelo Missionário; o Missionário deu a vida pelo Índio. Para todos nós, índios e missionários, este sangue de Meruri é um compromisso e uma Esperança. O índio terá terra! O índio será livre! A Igreja será índia! Com o abraço da Igreja indígena e sertaneja de São Félix…’

Escrevi também, para a solene missa fúnebre da catedral de Goiânia, uma Ladainha Penitencial, que reproduzo aqui porque expressa o que sinto sobre a culpa coletiva, a obstinada ignorância, que nos compete reparar, como Sociedade e como Igreja, em nosso comportamento para com os Povos Indígenas:”

Confira o artigo na íntegra clicando aqui.

Fonte: Inspetoria Santo Afonso Maria de Ligório

Mais Recentes

Mensagem de Ano Novo do Reitor-Mor: “Fazei tudo o que ele vos disser”

Roma, Itália – 31 de dezembro de 2025 – Na véspera do Ano Novo, o Reitor-Mor dos Salesianos, P. Fábio Attard, dirige seus calorosos Votos aos Coirmãos Salesianos e aos membros da Família Salesiana mundial, convidando-os a começar o ano com Esperança, coragem e renovado empenho pelos Jovens. Inspirando-se na Estreia “Fazei tudo o que ele vos disser”, o P. Attard propõe o convite de Maria em Caná qual guia para o ano que se inicia, encorajando a FS a enfrentar os desafios sem medo, respondendo-lhes com Fé e responsabilidade. Ele destaca o significado de 2026, que marca o 150º Aniversário de Fundação da ‘Associação dos Salesianos Cooperadores’ (ASSCC), lembrando o convite profético de Dom Bosco a envolverem-se - todos aqueles que desejam se tornar protagonistas de mudança – pelo bem dos jovens que precisam. O Reitor-Mor convida todos a ouvir atentamente o clamor dos jovens de hoje e a caminhar-lhes ao lado, oferecendo-lhes oportunidades concretas para um futuro marcado pela dignidade, a Esperança, as possibilidades. Os desafios – lembra-nos ele - podem se tornar verdadeiras oportunidades para viver, cada dia, e de forma mais profunda e autêntica, a beleza do Carisma salesiano. O Vídeo da mensagem de Ano Novo está disponível no canal ded ANS em inglês, italiano, francês, espanhol e português.

Estreia para 2026: o Reitor-Mor confia a mensagem à Família Salesiana

(ANS – Roma) – Em 27 de dezembro de 2025, sábado, na Casa Geral das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), em Roma, realizou-se a tradicional Entrega da Estreia salesiana para o novo ano de 2026 - gesto cheio de significado que todos os anos renova a unidade e a corresponsabilidade da Família Salesiana (FS) em torno da mensagem do Reitor-Mor. Foi um evento assaz concorrido, reunindo membros da FS em torno da Mensagem que acompanhará o caminho espiritual e pastoral em 2026. À presença da Madre Geral das FMA, Irmã Chiara Cazzuola; do Conselho Geral das Filhas de Maria Auxiliadora; e de Representantes dos diferentes Grupos da FS, o P. Fábio Attard, XI Sucessor de Dom Bosco, apresentou oficialmente a Estreia para 2026, intitulada “Fazei tudo o que ele vos disser – Crentes, livres para servir”, juntamente com o Vídeo de lançamento, realizado pelo Setor de Comunicação Social, com a colaboração da «IME Comunicazione». O evento contou com a presença de vários qualificados convidados, entre os quais o Vigário do Reitor-Mor, P. Stefano Martoglio; o Conselheiro Geral para a Comunicação Social, P. Fidel Orendain; P. Joan Lluis Playà, Delegado Central do Reitor-Mor para o Secretariado da Família Salesiana; o Superior da Visitadoria “Maria Sede da Sabedoria”, P. José Aníbal Milhais Mendonça Pinto; o Coordenador Mundial da Associação dos Salesianos Cooperadores, Antonio Boccia; e a Geral das ‘Irmãs Salesianas Oblatas do Sagrado Coração de Jesus’, Madre Graziella Maria Benghini. O ato foi aberto pela Ir. Leslie Sandigo, Conselheira Geral das FMA para a FS, dando as calorosas boas-vindas aos presentes e a todos os conectados pela transmissão ao vivo. Em sua intervenção, destacou o valor da Estreia qual regalo do Reitor-Mor e como sinal de unidade para toda a FS, recordando o cerne da mensagem: acolher o Convite de Maria nas Bodas de Caná com a mesma disponibilidade e liberdade dos servos, redescobrindo a própria identidade de Servos do Senhor a serviço dos jovens. Seguiu-se uma intensa oração introdutória, inspirada no trecho evangélico das bodas de Caná, animada pelo canto das Noviças FMA. Durante a oração, foram levadas ao palco cinco ânforas, símbolo dos grandes âmbitos da vida e missão salesiana – fé viva, paixão educativa, comunhão fraterna, profecia, corresponsabilidade. A última ânfora foi levada em conjunto - pelo Reitor-Mor, pela Madre Geral, pelo Coordenador Mundial da ASSCC - , para significar a dimensão compartilhada e corresponsável do Carisma Salesiano. Feita a oração, se projetou - em estreia mundial - o Vídeo de lançamento da ‘ESTREIA 2026’, oferecendo uma leitura atual e envolvente do tema, a partir da cena evangélica de Caná. O vídeo destacou como o convite de Maria – “Fazei tudo o que ele vos disser” – abra um processo de Fé, liberdade, serviço, traduzível hoje num caminho concreto marcado por quatro verbos: olhar, ouvir, escolher, agir: uma caminhada que interpela a FS a não se ficar espectadora, mas a lançar-se protagonista da ação de Deus na história, especialmente ao lado dos jovens e daqueles que «não têm mais ‘vinho’». Após a exibição do vídeo, a Ir. Ausilia De Siena, Conselheira Geral para a CS das FMA, animou um momento de diálogo e confronto, envolvendo Marta Rossi, Cooperadora Salesiana, Alice Ferrigno, estudante do Auxilium, e o próprio P. Fábio Attard. O diálogo, enriquecido também por algumas intervenções da sala, permitiu aprofundar o significado pastoral da Estreia e suas implicações concretas para a vida cotidiana das Comunidades Educativas. Às perguntas que surgiram do diálogo - sobre ‘por que’ os jovens deveriam seguir Cristo, foi reiterado que a Fé nasce de um encontro (e não de um dever), quando experiências autênticas e testemunhos credíveis abrem para a liberdade. - Sobre como trazer de volta o “vinho bom” num mundo distraído, foi enfatizada a necessidade de um olhar empático, capaz de entrar na realidade sem julgar. - Quanto ao método da Estreia, ficou claro que não se trata de técnicas, mas de processos que nascem do estar enraizado em Cristo. - À questão da distância com os jovens, a resposta foi a criação de ambientes credíveis onde as perguntas possam surgir. - Sobre como ir além da primeira impressão, ficou claro que comunidades autênticas abrem caminhos, enquanto os medos dos adultos correm o risco de bloquear os processos. - Acerca do acompanhamento, Maria foi indicada como modelo de presença discreta e confiante. - Sobre o “vinho novo” para os Salesianos Cooperadores - foi lembrado o retorno à visão original de Dom Bosco e à corresponsabilidade dos leigos. – ‘Distração tecnológica’? Afirmou-se que se trata de um desafio global, a ser enfrentado com relacionamentos humanizantes. - Sobre o papel dos servos (no relato das Bodas de Caná), se destacou que eles não são simples executores: são Pessoas a quem se confia uma responsabilidade: ouvem a palavra de Jesus, confiam, arriscam, tornam-se parte ativa do milagre -  imagem de uma FS chamada a servir com liberdade, corresponsabilidade, confiança na ação de Deus. - Por fim, acerca do testemunho da Fé, foi lembrado que é o Espírito de Deus que converte e que aos Credentes se pede que semeiem com total fidelidade e alegria. No final do diálogo, seguiu-se a intervenção conclusiva da Madre Chiara Cazzuola, a qual expressou um sincero agradecimento ao Reitor-Mor pela profundidade espiritual e riqueza de conteúdos da Estreia para 2026, sublinhando quanto ela represente um apelo atual e profético a viver uma Fé realmente radicada em Cristo, capaz de gerar liberdade autêntica e serviço alegre, em plena fidelidade ao Carisma de Dom Bosco. Um presente particularmente significativo selou o momento conclusivo: a Madre Geral ofereceu ao Reitor-Mor um ícone do Bom Pastor, sinal de comunhão, confiança e compartilhada responsabilidade pastoral. A noite terminou em clima e canto de Magnificat, confiando à FS global a Estreia 2026 qual bússola espiritual e pastoral para o ano que já está por arraiar. Fonte: Site ANS

Inspetorias em clima de preparação para Primeira Profissão Religiosa de 7 jovens salesianos

As Inspetorias Salesianas São Luiz Gonzaga (BRE), São Pio X (BPA) e Nossa Senhora Auxiliadora (BSP) celebram, no dia 24 de janeiro, na Colônia Salesiana São Sebastião, em Jaboatão dos Guararapes (PE), a Primeira Profissão Religiosa dos jovens: N. Emanoel Sabino Carneiro (BRE);N. Gian Cunha de Andrade (BPA);N. Gustavo Eduardo do Nascimento (BPA);N. João Eduardo Porfírio Barbosa (BRE);N. Marcos Antonio Ferreira Borges Vieira Dias (BRE);N. Jorge Alberto Meira de Almeida (BRE);N. Matheus Pessoa Rodrigues (BSP). O NH conversou com os noviços salesianos e o P. Ivan Alves, responsável pela ilustração do convite.E você confere os detalhes: O significado da ilustração do convite para a Primeira Profissão ReligiosaO Pe. Ivan nos explica, com muita profundidade: O Cajado: Símbolo do pastoreio. O projeto do fundador é de sermos «pastores», amigos dos jovens O discípulo se aproxima do Senhor. Respondemos a Jesus que nos chama ao nos aproximar de sua bondade.O único caminho verdadeiro de felicidade é estender a mão ao Senhor para que Ele nos conduza. Representação de casas: Tanto no Senhor quanto no discípulo temos representação «urbana», um lembrete que as periferias existenciais estão por toda parte. A própria Igreja está inserida no mundo, partilhando com todos «alegrias e esperanças» na busca por criar um mundo novo. As ovelhas: olhando diretamente para o Cristo são representação dos destinatários e também dos próprios consagrados que devem viver com docilidade a Palavra do Senhor. São acolhidas no colo do pastor. O coração: Símbolo do «ardor» pastoral daqueles que se identificam com o carisma. Todo ardor brota diretamente do coração do Senhor, sem a comunhão plena com Ele não existe verdadeira missão. Jesus, pastor e mestre aponta diretamente para a auréola, representação da Santidade. Parte fundamental do projeto educativo vivido por Dom Bosco é a santificação. Sobre a Escolha do Tema “Ao escolhermos como tema da nossa profissão religiosa a expressão “também a nós Ele chama para vivermos na Igreja o projeto de nosso fundador como apóstolos dos jovens” (Const. Salesianas, art. 96), manifestamos, antes de tudo, a consciência de que a vocação salesiana não nasce de uma iniciativa pessoal, mas de um chamado gratuito de Deus, acolhido e discernido no seio da Igreja.É o próprio Senhor quem toma a iniciativa e nos associa à missão confiada a Dom Bosco, inserindo-nos numa história de salvação que continua a gerar vida, esperança e sentido para os jovens, especialmente os mais pobres. Esse tema dialoga profundamente com a fase do noviciado, tempo privilegiado de escuta, assimilação e configuração interior ao carisma salesiano. No noviciado, somos chamados a interiorizar o projeto do fundador, não apenas como um conjunto de ideias ou práticas pastorais, mas como um verdadeiro estilo evangélico de vida, marcado pela caridade pastoral, pela alegria, pela presença educativa e pelo dom total de si. Escolher esse tema é reconhecer que a profissão religiosa é o momento em que declaramos publicamente o desejo de fazer nosso o sonho de Dom Bosco, deixando que ele molde nossas opções, afetos e projetos. Além disso, a expressão “vivermos na Igreja” recorda que nossa consagração não é isolada nem autorreferencial. Ela acontece em comunhão e a serviço da Igreja, inserida na missão que o Senhor lhe confia no mundo. Como noviços, estamos aprendendo a situar nossa vocação dentro desse horizonte mais amplo, compreendendo que ser salesiano — seja como presbítero ou como irmão coadjutor — é ser, ao mesmo tempo, consagrado, educador e evangelizador, sempre em diálogo com os desafios do tempo presente e com as reais necessidades da juventude. Por fim, afirmar-nos como “apóstolos dos jovens” nesta etapa formativa significa assumir um processo de amadurecimento humano, espiritual e carismático que nos prepara para uma entrega cada vez mais consciente e responsável. No noviciado, esse apostolado ainda é vivido sobretudo na forma de preparação interior, de purificação das motivações e de crescimento na identidade salesiana. Assim, o tema escolhido expressa não apenas aquilo que já somos, mas, sobretudo, aquilo que desejamos nos tornar, confiantes de que Aquele que nos chama é fiel e levará a bom termo a obra iniciada em nós.” A expectativa das Inspetorias Salesianas São Luiz Gonzaga (BRE), São Pio X (BPA) e Nossa Senhora Auxiliadora (BSP) é grande para este momento tão marcante para os jovens salesianos. E você também pode acompanhar através do nosso canal oficial do YouTube, Salesianos Nordeste. Por Serviço Inspetorial de Comunicação Social, com informações do Pe. Ivan Alves e Noviços Salesianos. Fonte: Site dos Salesianos do Nordeste
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